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Ventura desafia Governo a "baixar a idade da reforma" se quiser voto do Chega na reforma laboral e foi chamado de "camarada" pelo PSD

Beatriz Céu , com LUSA
29 abr, 19:08
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André Ventura diz que o Governo, vendo-se "sem o apoio de ninguém", foi pedir ao Chega "por favor, aprovem-me a reforma laboral". O líder do Chega condicionou esse voto favorável à diminuição da idade da reforma, mas ficou sem resposta

André Ventura desafiou esta quarta-feira o Governo a “baixar a idade da reforma” se quiser o voto favorável do Chega na proposta para a reforma laboral, que se encontra num impasse na concertação social.

No debate parlamentar desta quarta-feira, o líder do Chega começou por afirmar que o primeiro-ministro deve “reconhecer que fez tudo mal na reforma laboral”. “Quis avançar numa negociação sozinho, quis avançar numa negociação que não era uma reforma laboral, no fundo era ameaçar tirar direitos a quem sustenta o país, que é quem trabalha”, atirou Ventura.

Agora que está “sem o óbvio apoio dos sindicatos e sem o apoio de ninguém”, prosseguiu André Ventura, o Governo “vem para o Chega e diz ‘por favor, aprovem-me a reforma laboral’”.

“Não, nós não aprovamos reformas que tirem direitos às mães que trabalham, a quem trabalha por turnos e a quem trabalha horas extraordinárias. E sim, senhor primeiro-ministro, ouça-me bem: se quer fazer isto, vai ter de baixar a idade da reforma em Portugal", desafiou o líder do Chega.

O desafio ficou sem resposta, com José Luís Carneiro a tomar a palavra logo a seguir a André Ventura, para confrontar o primeiro-ministro com o aumento do custo de vida dos portugueses e insistir no apelo à implementação do IVA zero para o cabaz alimentar dos bens essenciais.

Ventura é "o mais socialista dos deputados cheganos" e Carneiro "o mais chegano dos deputados socialistas"

Primeiro-ministro comparou o líder do Chega ao secretário-geral do PS, descrevendo André Ventura como "o mais socialista dos deputados cheganos" e José Luís Carneiro como "o mais chegano dos socialistas" (LUSA)

Luís Montenegro, que antes tinha descrito André Ventura como “o mais socialista dos deputados cheganos” por querer “dar indiscriminadamente” apoios a “quem levantar o braço”, a propósito do PTRR, desenhado para apoiar as famílias afetadas pelas tempestades, descreveu depois o secretário-geral do PS como “o mais chegano dos deputados socialistas”.

"O senhor deputado André Ventura defende o IVA zero no cabaz alimentar, o senhor deputado [José Luís Carneiro] também defende. O senhor deputado André Ventura defende a redução do IVA na energia, eletricidade e gás, o senhor deputado também defende. O senhor deputado defende uma redução dos impostos sobre os combustíveis, o senhor deputado André Ventura também defende", compara.

O tema da reforma laboral voltou a ser levantado por Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, que questionou o primeiro-ministro sobre se "acha que é justo pedir aos trabalhadores que troquem trabalho extraordinário, pago de forma extraordinário, à custa do seu esforço, por trabalho não pago". 

Na resposta, Luís Montenegro quis deixar claro que o Governo tem uma "conceção de valorização do trabalho" e que a proposta para a reforma laboral se baseia precisamente "no princípio de que vale a pena trabalhar, produzir mais” e que “o resultado desse esforço é um resultado retribuído através dos salários”.

Das 138 alterações propostas pelo Governo, já foi possível “consensualizar 132 com todos os parceiros sociais que estiveram disponíveis para esse esforço de concertação”, adiantou o primeiro-ministro.

No final do debate, Hugo Soares, líder do grupo parlamentar do PSD, foi mais longe que Montenegro e comparou a posição do líder do Chega em relação à reforma laboral com a posição do PCP.

"Quando o deputado André Ventura falou sobre a legislação laboral, eu estava com os olhos fechados e pensei: 'Podia ser o camarada André Ventura, o camarada Jerónimo de Sousa ou o camarada Raimundo, são exatamente a mesma coisa'", ironizou.

Ideologias à parte, o certo é que a proposta do Governo continua num impasse, com a UGT a anunciar esta quarta-feira, momentos antes do início do debate, que vai "reafirmar as propostas” que já fez nas negociações para a reforma laboral, não excluindo a hipótese de uma greve geral para se fazer ouvir.

“Vamos reafirmar aquelas que são as propostas que estão em cima da mesa e que o Governo ainda não esteve disponível para aproximar”, adiantou Mário Mourão, citado pela Lusa, quando questionado pelos jornalistas sobre o que fará a confederação sindical na próxima reunião da concertação social, no dia 7 de maio.

“Não vamos alterar as propostas, vamos reafirmar as propostas que fizemos”, vincou, ressalvando: “Nós não dizemos que é sem alterações. Quando se estabelece diálogos e negociações é para aproximar posições, sendo certo que as partes têm de estar disponíveis também para fazer essas aprovações."

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