Há um mês a ministra do Trabalho disse que chumbo da reforma laboral seria "derrota do Governo". Agora diz que "é uma derrota para o país"

19 jun, 19:32
Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (Manuel de Almeida/LUSA)
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Maria do Rosário Palma Ramalho mudou de posição, depois de há cerca de um mês ter admitido que o chumbo seria uma derrota do Governo

A ministra do Trabalho entende que não faz sentido colocar em dúvida a sua continuidade no Governo depois do chumbo da proposta de reforma laboral.

Maria do Rosário Palma Ramalho referiu que a proposta vinha do Governo, e não apenas do seu ministério, pelo que “não faz sentido” ter essa discussão”.

Questionada sobre a possibilidade de esta ser uma derrota pessoal, a ministra do Trabalho afirmou que a derrota é, sobretudo, do país, já que o objetivo era colocar “Portugal mais próximo da Europa”, pelo que se trata de uma “oportunidade perdida”.

"É uma derrota para o país", afirmou, defendendo que a estabilidade impediu na hora de não ceder a algumas das reivindicações do Chega, que colocava na questão das férias e da idade da reforma o ónus para mudar de posição e deixar passar as alterações ao Código do Trabalho.

Com esta formulação, Maria do Rosário Palma Ramalho foge um pouco àquele que era o seu entendimento de todo o assunto há cerca de um mês. Mais concretamente a 14 de maio, a ministra do Trabalho admitiu em entrevista à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), que o chumbo do pacote laboral seria uma derrota do Governo.

Desta vez escusou-se a fazer essa leitura, mantendo a postura de que é antes uma "derrota do país".

A ministra do Trabalho voltou ainda a reiterar que o Governo esgotou “ao máximo” o diálogo na Concertação Social, que segundo a governante, terminou sem acordo “por razões exclusivamente políticas”.

“E tivemos também toda a tranquilidade, e aliás um processo negocial perfeitamente aberto, com os partidos que quiseram negociar connosco este processo”, disse, momentos antes de ser ouvida na comissão do Trabalho, Segurança Social e inclusão, sobre a criação da prestação social única.

Maria do Rosário Palma Ramalho teceu ainda criticas ao Chega, cujo presidente chegou a afirmar que o seu partido iria “conseguir para os trabalhadores a maior vitória das últimas décadas”, salientando que o Governo “em um elevadíssimo sentido institucional e, portanto, em caso algum, poderia trocar qualquer reforma que fosse pelo hipotecar das pensões dos portugueses”, numa alusão a uma das exigências feitas pelo partido de André Ventura.

“Isso significaria quebrar o contrato de confiança que os portugueses têm com o Estado relativamente às suas pensões futuras”, argumentou, sustentando que foi “essa a razão” para o Governo (PSD/CDS-PP) não ter alcançado um acordo com o Chega, que permitiria viabilizar a proposta.

A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi hoje chumbada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.

O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.

Chega, PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP votaram contra.

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