Marques Mendes sugere que polémico pacote laboral "não será nada, nada, nada parecido com o documento final"

António Guimarães , com Lusa
3 dez 2025, 21:37
Debate Marques Mendes e Jorge Pinto

Candidato presidencial puxa da sua experiência para deixar no ar aquilo que pareceu ser mais do que uma intuição

Luís Marques Mendes deixou no ar a possibilidade de o Governo vir a recuar na reforma laboral.

A uma semana da greve geral que vai juntar CGTP e UGT pela primeira vez em anos, o candidato presidencial apoiado pelo PSD afirmou, num debate com António José Seguro, que a sua experiência o deixa pensar que o documento atualmente conhecido será diferente do final.

“Tenho suficiente experiência para saber que o documento que existe neste momento não será nada, nada, nada parecido com o documento final, porque a negociação que vai ocorrer vai levar a profundas mexidas”, atirou, num confronto transmitido pela RTP.

O social-democrata deixa assim a entender que as negociações entre Governo e sindicatos podem fazer cair algumas das reformas que o Executivo queria implementar.

A CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral para 11 de dezembro, em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral, apresentado pelo Governo.

Após o anúncio da greve geral, o Ministério do Trabalho entregou à UGT uma nova proposta, com algumas alterações ao anteprojeto apresentado em julho, mas que a central sindical disse ser "muito pouco" para desconvocar a paralisação.

No documento, o Governo cede em matérias como a simplificação dos despedimentos em médias empresas ou a redução do número de horas de formação obrigatórias nas microempresas, abre a porta à reposição dos três dias de férias ligados à assiduidade abolidos na 'troika', entre outras, mas mantém algumas medidas bastante criticadas pelas centrais sindicais, como o regresso do banco de horas individual ou a revogação da norma que prevê restrições ao 'outsourcing' em caso de despedimento.

A ministra do Trabalho disse, esta terça-feira, esperar que os serviços mínimos sejam cumpridos na greve geral e afirmou que os grandes prejudicados com o protesto serão “os trabalhadores, famílias, crianças e quem precisa de ir a uma consulta”.

A governante, que falava à agência Lusa no final da visita à empresa de confeções Twintex, no Fundão, reiterou que a paralisação é “particularmente gravosa” e “inoportuna” porque o Governo estava a negociar com os parceiros.

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