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Economista e Professor Universitário

A tão almejada Reforma Fiscal deve começar pela adoção generalizada do Teletrabalho na Administração Pública

29 mai, 11:54

Atualmente, a Administração Pública portuguesa enfrenta desafios significativos. A média etária dos funcionários públicos, a produtividade laboral, e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos trabalhadores são os problemas centrais de um sistema que carece cada vez mais de estímulos adicionais para suprir o evidente défice de eficiência e eficácia.

De uma forma global, também cabe hoje à Administração Pública constituir-se como um dos protagonistas principais no combate às alterações climáticas.

Numa última dimensão, a necessária reforma fiscal em Portugal só será possível se o país conseguir reduzir a despesa corrente das Administrações Públicas.

O teletrabalho reduz a necessidade de espaço físico e, por conseguinte, minimiza os custos com a infraestrutura (gabinetes, entre outros). A redução da despesa com consumíveis é uma outra vantagem económica resultante da adoção do teletrabalho. Com menos uso intensivo de equipamentos em gabinetes, regista-se uma redução nos custos de manutenção e substituição desses bens.

A adoção generalizada do teletrabalho emerge como uma solução estratégica que não apenas responde com eficácia às grandes questões que se colocam atualmente à Administração Pública, como também potencia a captação de novos Recursos Humanos para a esfera do setor público.

Primeiro, é imperativo reconhecer o incremento da produtividade laboral decorrente do teletrabalho. São diversos os estudos que demonstram que a possibilidade de trabalhar remotamente reduz significativamente o tempo despendido em deslocações, permitindo aos trabalhadores uma maior concentração nas suas tarefas. A eliminação dos stressores associados ao trânsito e ao cumprimento rígido de horários de transporte público contribui para um ambiente de trabalho mais sereno e propício à produtividade. Adicionalmente, o teletrabalho oferece uma flexibilidade horária que possibilita aos trabalhadores gerir melhor o seu tempo, ajustando os picos de produtividade às suas rotinas pessoais e profissionais. Esta é uma vantagem preciosa que pode aumentar significativamente a produtividade laboral.

Depois, o teletrabalho tem um impacto inestimável na melhoria do relacionamento familiar, reforçando a proximidade entre pais e filhos. Ao reduzir o tempo gasto em deslocações diárias, os trabalhadores dispõem de mais tempo para dedicar às suas famílias. Esta proximidade, ao fortalecer os laços familiares, contribui para um maior equilíbrio emocional dos trabalhadores, refletindo-se numa maior motivação e satisfação no desempenho das suas funções. A capacidade de estar presente em momentos importantes da vida familiar, sem comprometer as responsabilidades profissionais, é um benefício que não pode ser subestimado nos dias de hoje.

Não menos relevante é o contributo inequívoco que o teletrabalho oferece no âmbito do combate ao aquecimento global. A redução dos movimentos pendulares diários, muitas vezes realizados através de transportes públicos ou veículos particulares, diminui significativamente a emissão de gases com efeito de estufa. Ao promover a transição para um modelo de trabalho de baixo carbono, a Administração Pública assume uma posição de liderança na luta contra as alterações climáticas, incentivando outras entidades, públicas e privadas, a seguir o exemplo. Este é um passo crucial na transição das economias nacional e europeia para um modelo de produção mais sustentável.

Há um último argumento decisivo em benefício do teletrabalho. A adoção generalizada da modalidade de teletrabalho pode ser um fator determinante na captação de novos Recursos Humanos para a Administração Pública. Com uma média etária dos seus trabalhadores perigosamente próxima dos 50 anos, é fundamental atrair jovens profissionais para renovar e revitalizar os quadros públicos. Os salários na Administração Pública são e continuarão a ser relativamente baixos. A possibilidade de trabalhar remotamente pode ser um atrativo significativo. A flexibilidade, a redução de custos associados a deslocações e a melhor conciliação entre vida profissional e pessoal são vantagens competitivas que podem tornar a Administração Pública mais apelativa para jovens profissionais.

A não adoção generalizada do teletrabalho na Administração Pública configura um erro estratégico que contribui para: hipotecar o bem-estar profissional e familiar dos trabalhadores; defraudar o compromisso para com a sustentabilidade ambiental; e penalizar a tão necessária reforma fiscal em Portugal. Em última instância, é a eficiência dos serviços públicos que se afasta cada vez mais do seu nível potencial.

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