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Palavra "N" foi utilizada "16 vezes" num só dia contra líder da oposição britânica. Rede social X acusada de deixar passar "impunes" insultos racistas

CNN Portugal , MFP
14 jun, 15:09
Rede social X
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Uma investigação do British Future revela que a plataforma só intervém quando uma publicação é denunciada como "ilegal"

A rede social X está a ser alvo de uma nova polémica. De acordo com uma análise do The Guardian, a plataforma recusou-se a remover dezenas de publicações denunciadas pelos utilizadores por representarem “ódio, abuso ou assédio”.

Em causa estão insultos racistas direcionados a várias figuras políticas do Reino Unido, incluindo à líder da oposição britânica, Kemi Badenoch. Uma investigação do grupo de reflexão sobre inclusão social, British Future, conta com pelo menos 30 publicações nas quais a líder do Partido Conservador é chamada pela palavra “N”. Publicações essas denunciadas pelos próprios investigadores como “ódio, abuso ou assédio”, através dos mecanismos oferecidos pela aplicação.

“Muitas pessoas denunciam intuitivamente as publicações racistas como “ódio, abuso ou assédio”, mas parece que o X não as considera como ódio. A nossa investigação revelou que só quando uma publicação é classificada como ‘ilegal’ - algo que eles não podem contestar - é que ponderam a sua remoção”, disse ao jornal britânico Avaes Mohammad, investigadora do projeto “British South Asian Bridgers”.

A mesma análise feita pelo Guardian concluiu isso mesmo. A rede social parece intervir apenas quando as publicações são denunciadas como “ilegais”, ao abrigo da Lei de Segurança Online do Reino Unido, pelo que a visibilidade do “post” em causa é restringida, mas apenas no país, sem restrições noutras jurisdições.

Das 30 mensagens que visavam Badenoch, o X acabou por restringir a visibilidade a apenas duas, depois de o diretor da British Future, Sunder Katwala, ter enviado um e-mail à plataforma a avisar que a rede social não devia esperar que o utilizador preenchesse um formulário “oneroso” a denunciar cada publicação como “ilegal” para tomar ação.

No mesmo dia em que a entidade reguladora das comunicações, Ofcom, anunciou que o X se tinha comprometido a remover da plataforma conteúdos ilegais num prazo de 48 horas, a British Future denunciou 33 publicações dirigidas a figuras públicas do Reino Unido, com termos ofensivos. Mas passado o prazo de dois dias, nenhuma das mensagens tinha sido removida.

“As contas que estamos a denunciar estão frequentemente repletas de referências ao Reform and Restore”, acrescentou Mohammad, sublinhando que a abordagem da plataforma dá espaço à impunidade.

“Em maio, o insulto racista com a palavra que começa por “N” foi usado contra Kemi Badenoch, em média, uma vez por dia. Mas a 2 de junho, depois de Badenoch ter respondido ao discurso de Nigel Farage sobre Henry Nowak, registaram-se 16 casos num só dia – o que demonstra o quanto o sentimento político de extrema-direita está a alimentar o ódio no X”, completou.

A Lei de Segurança Online britânica obriga, no entanto, as plataformas a remover conteúdos ilegais, que podem incluir ofensas agravadas por motivos raciais ou religiosos. A legislação está a ser implementada gradualmente pela Ofcom.

Esta não é a primeira vez que a plataforma de Elon Musk está sob escrutínio, tendo o agora trilionário sido já acusado de utilizar a rede social X para amplificar narrativas de extrema-direita. “Fomentar a divisão”, nas palavras do próprio Keir Starmer, que criticou as publicações de Musk na sequência do homicídio de Henry Nowak.

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