China castiga rede social onde Peng Shuai fez denúncia

15 dez 2021, 06:12
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Weibo, a versão chinesa do Twitter, foi multada em quase 2 mil milhões de euros desde janeiro, por difundir “informação ilegal”. Penalização anunciada esta quarta-feira é a mais pesada - seis semanas depois do escândalo da tenista Peng Chuai

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A China anunciou esta quarta-feira uma multa de 3 milhões de yuans (quase meio milhão de euros) à Weibo, a rede social chinesa equivalente ao Twitter, acusada de difundir “informação ilegal”. O castigo surge seis semanas depois de a tenista Peng Shuai - uma das desportistas mais populares da China - ter utilizado essa plataforma para denunciar publicamente que foi vítima de assédio sexual por parte do anterior vice-primeiro-ministro, Zhang Gaoli.

Segundo a agência chinesa de Administração do Ciberespaço, desde o início de janeiro a Weibo já foi alvo de mais de 40 multas distintas, por alegadas violações graves de regulamentos e leis nacionais, nomeadamente a lei de segurança cibernética e a lei de proteção de menores. No total, as multas à Weibo nestes onze meses ascendem a quase 2 milhões de euros.

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A plataforma online, que tem mais de 500 milhões de utilizadores (a quantificação mais recente, de setembro de 2020, aponta 511 milhões), já aceitou publicamente a penalização, e prometeu apertar o controlo sobre os conteúdos que são divulgados na sua rede, dando como exemplos de necessidade de apagar pornografia leve e marketing enganoso. 

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Embora o comunicado das autoridades chinesas nada diga sobre publicações de conteúdo político, ou politicamente problemáticas (e a empresa também nada refira sobre isso), a Weibo está no centro das atenções desde 2 de novembro, dia em que Peng Shuai utilizou esta app para denunciar publicamente o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli por a ter assediado sexualmente ao longo de anos.

A mensagem esteve online apenas durante 20 minutos, tendo sido então apagada pela plataforma, mas isso foi o suficiente para desencadear uma tempestade mediática com forte impacto fora do país, mas também dentro. As autoridades censuraram todas as pesquisas online que visassem o nome da tenista chinesa mais famosa da atualidade, ou quaisquer outras buscar e hashtags relacionadas com o caso, mas isso não impediu um jogo de gato e do rato com muitos utilizadores que insistem em questionar “onde está Peng Shuai”, em paradeiro incerto desde o dia em que ousou desafiar um nome de topo do Partido Comunista Chinês.

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Controlo mais apertado e queda na bolsa

O anúncio da multa fez as ações da Weibo cair 10% na bolsa de Hong Kong, onde começaram a ser negociadas recentemente. Por arrastamento, o Índice Hang Seng Tech caiu 2,3%.

A mão pesada sobre a Weibo não é caso único. O controlo cada vez mais apertado das autoridades chinesas sobre tudo o que são meios de difusão de conteúdos reflete-se também sobre plataformas online. Há duas semanas, o regulador chinês multou a Douban, uma popular plataforma online sobretudo dedicada à discussão de cinema, entretenimento e cultura. No início de dezembro, a Douban foi igualmente acusada de difundir conteúdo que violava as regras de segurança cibernética do país e aplicou uma multa equivalente a mais de 200 mil euros. No total, desde janeiro deste ano, esta plataforma já foi multada em mais de 1,2 milhões de euros.

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