Segundo os últimos dados oficiais, cerca de 700 mil pessoas foram afetadas, estando registadas mais de 130 vítimas mortais e mais de 300 mil desalojados
Mais de 20 toneladas de material, incluindo alimentos, roupa e outros bens essenciais, foram recolhidos pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, o Ismaili Imamat — organização liderada pelo Príncipe Aga Khan — e por voluntários da comunidade ismaili de Portugal e de Moçambique, através de uma mobilização que decorreu nos últimos dias com o objetivo de ajudar as populações afetadas pelas cheias no norte daquele país.
Os produtos recolhidos são resultado de ofertas dos membros da Comunidade Ismaili e de instituições que a ela se associaram para esta operação de socorro urgente.
Com o apoio da rede de voluntários da comunidade ismaili, estes bens foram organizados e embalados no Centro Ismaili de Lisboa, devendo ser distribuídos naquele país africano numa operação conjunta dos governos de Portugal e de Moçambique.
Em Moçambique, a comunidade ismaili local também está mobilizada para ajudar as vítimas desta catástrofe natural, que tem afetado principalmente o norte do país, estando a preparar milhares de kits de higiene e alimentação, numa altura em que o número de vítimas das violentas cheias não pára de aumentar.
Segundo os últimos dados oficiais, cerca de 700 mil pessoas foram afetadas, estando registadas mais de 130 vítimas mortais e mais de 300 mil desalojados.
O Ismaili Imamat, entidade jurídica supranacional, significa a instituição ou o gabinete do guia espiritual da comunidade Ismaili mundial, estabelecido de acordo com a lei consuetudinária aplicável. Fundado no ano de 632, é o gabinete contemporâneo de Sua Alteza o Aga Khan V, que percorre uma linha temporal de quase 1 400 anos de história e 49 sucessões por designação ininterrupta de linhagem hereditária direta.
A Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) é uma iniciativa contemporânea para a concretização do mandato do Ismaili Imamat, por via da ação institucional, em prol da melhoria da qualidade de vida humana. Está presente em Moçambique desde 1998, para melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos através da Fundação Aga Khan, das Escolas Aga Khan e do Fundo Aga Khan para o Desenvolvimento Económico.
A Fundação Aga Khan (AKF) opera em Moçambique desde 2000. Implementa programas integrados, inovadores e sensíveis às questões de género, nas áreas da agricultura e segurança alimentar; saúde e nutrição; emprego e empreendedorismo; resiliência climática; e sociedade civil.
Os programas priorizam populações vulneráveis, incluindo agricultores, empreendedores, licenciados desempregados, mulheres e crianças vulneráveis, deslocados internos, membros de organizações de desenvolvimento comunitário e profissionais e agentes de saúde.
Em 2024, a AKF serviu diretamente mais de 150 mil pessoas nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Maputo. Através das suas parcerias com o Governo e a sociedade civil, alcançou adicionalmente mais de 360 mil e mais de 500 mil pessoas, respetivamente.