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RASI: em 2025, a criminalidade geral e violenta diminuiu, mas há um crime que atingiu "o valor mais alto da última década"

Patrícia Pires , com Lusa - notícia atualizada
31 mar, 13:09
Crime (Getty Images)

Primeiro-ministro afirmou que números da criminalidade estabilizaram e apenas se notou "um aumento da criminalidade geral participada". Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 vai ser enviado esta terça-feira ao Parlamento. Violação, tráfico de estupefacientes, auxílio à imigração ilegal e criminalidade económico-financeira viram crescer, e muito, as participações

O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que 2025 trouxe “um aumento da criminalidade geral participada” e uma diminuição da criminalidade geral e violenta e considerou que “a pequena oscilação” mostra a estabilização dos números em Portugal.

Luís Montenegro presidiu à reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, que aprovou o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2025, que será ainda hoje remetido ao Parlamento.

Enquanto o primeiro-ministro fazia a sua intervenção, abordando o tema, o Conselho Superior de Segurança Interna divulgou um comunicado onde revela os primeiros números do RASI, num breve resumo.

Segundo a informação partilhada, "a criminalidade violenta e grave participada diminuiu 1,6%, enquanto a criminalidade geral participada registou um aumento de 3,1%". "Este crescimento resulta, sobretudo, de tipologias de crime associadas ao maior reforço de fiscalização das autoridades e a uma maior proatividade policial, em áreas como a criminalidade rodoviária, detenção de armas proibidas, desobediência, entre outras", aponta.

E tal como Luís Montenegro tinha referido, ao longo da última década, Portugal continua a "não registar oscilações muito expressivas, tendência que o RASI de 2025 confirma".

Mas os primeiros números mostram que alguns tipos de crimes aumentaram o número de participações e inquéritos no ano passado. Como, por exemplo,violação, tráfico de estupefacientes, auxílio à imigração ilegal e criminalidade económico-financeira viram crescer, e muito, as participações

Os crimes contra o património representam 50,5% do total da criminalidade, seguido pelos crimes contra as pessoas com 25% do total. Já o furto mantém-se como o crime mais participado.

Quanto à criminalidade violenta e grave houve uma diminuição de 1,6% e dentro desta o roubo representa 61,6% da totalidade. Todavia, houve um aumento do crime de resistência e coação sobre funcionário.  

Mas há um indicador que se destaca, tendo obtido "o valor mais elevado da última década": a violação. Já a violência doméstica registou um pequeno decréscimo e "diminui pelo terceiro ano consecutivo". No entanto, a maioria das vítimas (69%) continuam a ser mulheres e a maior incidência regista-se em Lisboa, Porto e Setúbal.

Já no crime de tráfico de estupefacientes, houve um "aumento de participações, detenções e apreensões", tal como um crescimento das quantidades apreendidas (+102,6% no caso do haxixe). Apenas a apreensão da heroína baixou.

Também no auxílio à imigração ilegal registou-se um aumento de participações, arguidos constituídos e detenções (+225%). E a criminalidade económico-financeira também viu uma enorme subida (+154%).

Quanto à delinquência juvenil e criminalidade grupal, pela primeira vez desde a pandemia, registaram-se ligeiras descidas .

Olhando para o mapa do país e para os números da criminalidade geral, foi nos Açores que se registou a maior descida, enquanto as maiores subidas ficaram por Coimbra (+11%), Leiria (+10,7%) e Bragança (+9,2%).

Na criminalidade violenta e grave, e apesar da descida, esta subiu na maioria dos distritos, com destaque para Vila Real e Beja. Já a maior descida foi em Portalegre (-26%).

“Uma chaga social em Portugal”

Sem responder a questões Luís Montenegro deixou sinais de preocupação especial quanto a quatro tipos de crimes: tráfico de droga, violência doméstica, sinistralidade rodoviária e auxílio à imigração ilegal.

O primeiro-ministro começou por sublinhar “o aumento das apreensões e detenções no âmbito do tráfico de estupefacientes” no ano passado.

“É um crime a partir do qual muitos outros são cometidos, de ofensa ao património, às vezes mesmo à vida das pessoas, à criminalidade económica mais sofisticada (…) O que aconteceu em 2025 foi a expressão de uma estratégia que nós delineámos e que está a surtir efeito com maior capacidade de apreensão e também maior número de detenções”, destacou.

Montenegro lamentou, por outro lado, que em 2025, “apesar de ter havido uma diminuição”, a violência doméstica tenha continuado a ser um crime com “muitas participações”.

“Tivemos 27 pessoas que perderam a vida, 21 mulheres, 4 homens e 2 crianças, mas tivemos muitos milhares de participações de um crime que é um crime de terror, e contra o qual queremos continuar a fazer um combate incessante e também um apoio cada vez maior às vítimas”, disse, afirmando que a reunião de hoje permitiu articular estratégias “entre todas as forças e serviços do Estado”.

O primeiro-ministro referiu-se também à sinistralidade rodoviária, que classificou como “uma chaga social em Portugal”. “É verdade que tivemos menos vítimas mortais em 2025, mas isso não deve servir de atenuante, porque tivemos mais acidentes e continuamos a ter um nível elevado que temos de travar em Portugal. Vamos fazer um esforço redobrado de fiscalização e também de sensibilização neste domínio”, assegurou. Neste domínio, considerou que existem “comportamentos de risco em excesso em Portugal, crimes rodoviários em excesso em Portugal”, que se traduziram em “muitas mortes na estrada, muitos feridos graves”.

Finalmente, Montenegro realçou que também o crime de auxílio à imigração ilegal “teve também mais detenções em 2025”.

“Tem também por base o alinhamento com a estratégia que nós delineámos em toda a área da imigração, que é termos um regime que privilegia a imigração regulada e humanista (…) Vale a pena vir para Portugal pela via legal, não vale a pena vir para Portugal por vias ilegais. Vamos continuar a fazer um esforço para desmantelar redes de tráfico de seres humanos, como aconteceu durante o ano de 2025”, disse.

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