Ranking das escolas 2021: colégios privados lideram, mas as notas das escolas públicas sobem

Agência Lusa , PO
8 jul, 00:00

Notas descem, mas públicas aproximam-se da média no privado de acordo com o ranking das escolas analisado pela Agência Lusa, a partir dos dados do Ministério da Educação

Quase uma em cada dez escolas teve média negativa nos exames nacionais do secundário em 2021, segundo uma análise feita pela Lusa, que revela uma descida das notas em relação ao ano anterior.

Pelo segundo ano consecutivo, devido à pandemia de covid-19, os exames nacionais realizados em 2021 continham várias perguntas opcionais e as provas não eram obrigatórias para a conclusão do secundário.

No entanto, no ano passado, aumentaram os itens de resposta obrigatória e diminuíram as perguntas opcionais em número e valorização e as notas desceram: Das 487 escolas observadas, 41 obtiveram média negativa nos exames realizados pelos seus alunos, ou seja, 91,6% teve média positiva.

A maioria dos “chumbos” aconteceu em escolas públicas: 38 num universo de 416 escolas públicas, contra três de escolas privadas num universo de 71 colégios.

Mas a média das notas das escolas públicas voltou a aproximar-se dos colégios, agora com uma diferença de 1,4 valores (numa escala de 0 a 20).

No ano passado, a média nacional dos alunos dos colégios foi de 12,7 valores (no ano anterior foi de 14,3) e das públicas foi de 11,3 valores (12,8 no ano anterior), segundo a análise da Lusa, que mostra uma descida da média geral das notas.

Com uma média de 16,16 valores nos 107 exames, o Colégio Efanor ultrapassou o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, que nos últimos anos tem ocupado a melhor posição do 'ranking' elaborado pela Lusa, que exclui os estabelecimentos de ensino com menos de 100 provas e faz a média das notas dos alunos que realizaram provas do secundário.

Segue-se o Colégio Nova Encosta, em Paços de Ferreira (média de 15,96), e o Colégio D. Diogo de Sousa (15,84 valores).

O colégio Nossa Senhora do Rosário surge este ano em 4.º lugar, com uma média de 15,81 valores nos 413 exames realizados.

Com uma média de 13,58 valores nos 875 exames realizados, a primeira escola pública é a Escola Artística António Arroio, em Lisboa, e surge em 31.º lugar do 'ranking' geral, o que significa que as escolas públicas sobem ligeiramente na tabela geral em 2021, desta vez três lugares.

Destaca-se outra escola artística: a Soares dos Reis, no Porto, é a segunda escola pública com melhor média nos exames nacionais, com 13,35 valores, ocupando o 34.º lugar da tabela geral.

Numa comparação entre sexos, as alunas obtiveram uma média de 11,86 (no ano anterior foi de 13,25 valores), enquanto os rapazes tiveram 10,99 (em 2020 foi de 12,85 valores).

As raparigas obtiveram melhores resultados em dez das 14 disciplinas analisadas, conseguindo melhor média a todas as três Matemáticas, a Física e Química, mas também a Biologia e Geologia, Filosofia ou Português. A média dos exames realizados pelos rapazes foi mais alta a Inglês, História A, Geografia A e Geometria Descritiva.

 

Sexo

Média Exame

Média Exame (Valor)

Numero de Exames

Feminino

118,6%

11,8

114.900

Masculino

109,9%

10,9

86.575

 

 

Com a decisão de os exames deixarem de ser obrigatórios para a conclusão do secundário, voltou a haver menos alunos dos cursos científico-humanísticos a realizar, na 1º fase, os exames nacionais: Foram 111.4265 estudantes (menos 11% do que no ano anterior) e também foram menos provas (152.209 na 1.º fase, ou seja, menos 23% em relação ao ano anterior).

A maioria dos alunos que realizou provas em julho de 2021 pertence aos distritos de Lisboa (24%), Porto (16%), Braga (9%) e Setúbal (9%).

Viana do Castelo voltou a ser o distrito com a melhor média nos exames nacionais do ensino secundário de 2021 (11,98), seguindo-se o Porto e Viseu.

Lisboa surge em 10.º lugar com quase 50 mil exames realizados e uma média de 11,4 valores.

Mais uma vez, as médias dos alunos que realizaram as provas no estrangeiro foram as mais baixas (10 valores) assim como os dos Açores (10,83 valores).

Em termos de classificações médias, a maioria das classificações situou-se entre os 12 e os 13 valores (numa escala de 0 a 20), com a exceção de Biologia e Geologia, Geografia A, Matemáticas Aplicada às Ciências Sociais, Matemática A e Matemática B, cujas médias foram todas iguais ou inferiores a 11 valores respetivamente.

No caso da Física e Química A a média dos quase 33 mil exames analisados pela Lusa foi negativa (9,78 valores). Pela positiva destacaram-se as disciplinas de Inglês, com médias de 15 valores e Desenho A com 13,8.

Os dados mostram ainda que a maioria dos alunos que realizou provas (84%) não beneficiou de Apoio Social Escolar (ASE).

As notas nos exames nacionais desceram, mas os resultados dos alunos das escolas públicas estão mais próximos dos colégios e subiram ligeiramente no ‘ranking’ geral elaborado pela Lusa.

A escola pública com melhores resultados nos exames nacionais do secundário em 2021 foi a Escola Artística António Arroio, em Lisboa, segundo uma análise da Lusa a dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, tendo em conta apenas estabelecimentos de ensino com mais de cem provas realizadas.

Numa listagem que junta os 487 estabelecimentos de ensino públicos e privados, os primeiros lugares voltam a ser ocupados por colégios aparecendo em 31.º lugar a primeira pública, a António Arroio, em Lisboa, com uma média de 13,58 valores nas 875 provas.

Em relação ao ano anterior, os estabelecimentos de ensino público sobem três lugares na tabela geral da Lusa.

No ano passado, as classificações médias mais elevadas nos exames foram obtidas precisamente pelos alunos do curso de Artes Visuais, variando entre os 14 e os 10 valores.

Na lista das escolas públicas, destaca-se outra escola artística: a Soares dos Reis, no Porto, é a segunda pública com melhor média nos exames nacionais, com 13,35 valores, ocupando o 34.º lugar da tabela geral.

Pelo segundo ano consecutivo, devido à pandemia de covid-19, os exames nacionais de 2021 tinham várias perguntas opcionais e as provas serviam essencialmente para acesso ao ensino superior. No entanto, no ano passado, houve menos perguntas opcionais e as notas médias baixaram.

Mas nas escolas públicas a descida média foi menos sentida aproximando-se um pouco mais da média dos privados, agora com uma diferença de 1,4 valores (no ano anterior foi de 1,5 valores).

A média nos colégios foi de 12,7 valores (em 2020 foi 14,3) e das públicas foi de 11,3 valores (12,8 no ano anterior), segundo a análise da Lusa.

Com mais itens de resposta obrigatória e menos perguntas opcionais em número e valorização, aumentaram as “chumbos”: Das 487 escolas observadas, 41 obtiveram média negativa nos exames realizados pelos seus alunos, ou seja, 91,6% tiveram média positiva.

Olhando apenas para as 416 escolas públicas analisadas, 38 “chumbaram”, e entre as 71 privadas, houve três “negativas” nas médias nacionais.

A percentagem de escolas públicas com nota positiva desceu de 99% em 2020 para 91,6% no ano passado.

No fim da tabela, com médias mais baixas, surgem escolas da área metropolitana de Lisboa, em Loures, Barreiro, Almada e Amadora.

O topo do ‘ranking’ geral volta a ser ocupado por estabelecimentos de ensino particulares e cooperativos e no 1.º lugar surge o Colégio Efanor, em Matosinhos, com uma média de 16,16 valores nas 107 provas. São 2,58 valores que separam a melhor média da escola pública da melhor média privada.

Insucesso continua a diminuir e 12.º ano mantém-se como o mais difícil

A percentagem de alunos que reprova ou desiste de estudar no ensino secundário tem vindo a diminuir, continuando a ser o 12.º o ano mais difícil para os estudantes, segundo uma análise da Lusa.

No ano letivo de 2019/2020, 9% dos alunos do 10.º ano não conseguiram terminar com sucesso, assim como 3% dos estudantes do 11.º ano e 13% do 12.º, segundo dados relativos aos cursos científico-humanísticos disponibilizados pelo Ministério da Educação trabalhados pela Lusa.

Analisando os últimos quatro anos, há uma melhoria progressiva ao longo do tempo, já que em 2016/2017, 16% dos alunos “chumbaram” no 10.º, 8% no 11.º e 28% no 12.º ano.

Mas o sucesso ainda não abrange todos os alunos e cerca de um terço dos alunos (33%) não consegue concluir os estudos nos três anos previstos. Mas comparando com o ano letivo de 2017/2018 verifica-se uma melhoria de dez pontos percentuais.

Em 2018, apenas 57% dos alunos dos cursos científico-humanísticos conseguiram terminar o secundário no tempo esperado, mas em 2020 a percentagem subiu para 67%.

Cada vez mais os alunos que conseguem fazer o secundário nos três anos e em 2019/2020 havia quatro estabelecimentos de ensino onde a taxa de sucesso foi de 100%.

Os dados destacam duas escolas públicas e dois colégios onde todos os estudantes concluíram o secundário sem reprovações: a Escola Básica e Secundária Padre José Augusto da Fonseca, em Aguiar da Beira, o Externato Senhora do Carmo, em Lousada, o Colégio Novo da Maia, na Maia, e a Escola Básica e Secundária de Arga e Lima, em Lanheses, Viana do Castelo.

As duas escolas públicas destacam-se ainda por terem taxas de sucesso muito superior ao esperado, tendo em conta alunos com um perfil semelhante à entrada no ensino secundário.

A média nacional de sucesso entre alunos como os da escola de Aguiar da Beira foi de 73%. Ou seja, o esperado seria que um em cada quatro estudantes da secundária Padre José Augusto da Fonseca acabasse por “chumbar” ou abandonar a escola durante o secundário, mas todos concluíram o seu percurso com sucesso.

No caso da escola de Viana do Castelo, a taxa nacional de sucesso entre alunos semelhantes foi de 80%, ou seja, 20 pontos percentuais abaixo. 

Já nos colégios com 100% de sucesso, a diferença não é tão notória: as médias nacionais foram de 92% para alunos semelhantes aos do Externato Senhora do Carmo e de 90% no caso do Colégio Novo da Maia.

Na tabela surgem outros estabelecimentos de ensino onde o trabalho realizado na escola fez a diferença, como foi o caso da Escola Básica e Secundária Dr. Machado de Matos, Felgueiras. A taxa de sucesso foi de 94%, quando a média nacional de sucesso para alunos semelhantes chegou apenas a pouco mais de metade dos alunos (56%).

Apesar de o sucesso académico estar a melhorar, existem zonas do país que se destacam pela negativa, como é o caso da Área Metropolitana de Lisboa.

Em sete escolas, a maioria nesta região, metade dos alunos (50%) não conseguiu terminar o secundário no tempo esperado em estabelecimentos em Cascais, Amadora, Setúbal, Benavente e Idanha-a-Nova.

Num universo de 549 escolas analisadas, em 34 onde a maioria dos alunos não termina o secundário no tempo esperado e, mais uma vez, a maioria situa-se na Grande Lisboa.

Os dados mostram que 80% dos alunos do Alto Minho e Ave fizeram o secundário nos três anos, enquanto na Beira Baixa a taxa se ficou pelos 60% e na Área Metropolitana de Lisboa pelos 63%.

O município de Aguiar da Beira é o único com uma taxa de sucesso de 100%, tendo melhorado ao longo dos últimos três anos em análise.

Também quase todos os alunos (95%) de Oleiros e Trancoso conseguem terminar o secundário em três anos, assim como os estudantes de Paredes de Coura.

No fim da tabela surgem os municípios de Mértola (35% de sucesso), Terras de Bouro (41%), Vila Nova de Poiares (43%) e Óbidos (46%).

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