Antonino Quinci perdeu centenas de quilos de cocaína nesta ilha dos Açores, em 2001. Está atualmente detido no Brasil
“Tudo aconteceu depois de 50 dias, mais ou menos, de ter sido contratado. A partir daí começou o desastre." As palavras são de Antonino Quinci, o homem responsável por ter inundado São Miguel de cocaína, em 2001.
Com as mãos algemadas numa cadeia no Brasil, Antonino Quinci descreve ao escritor Ruben Pacheco Correia o que aconteceu naquele dia em que perdeu centenas de quilos de cocaína que transportava num veleiro.
"O veleiro não estava apto para a travessia do Atlântico. Mas eu, com a minha cabeça dura, sendo um marinheiro já experiente, não parei, apesar de ter perdido o leme", conta Antonino Quinci, que confessa que nem conhecia as ilhas dos Açores, já que a sua rota era Espanha. "Mas o vento levou-me até lá."
Antonino Quinci percebeu que não podia entrar no porto "com o barco cheio de cocaína", pelo que optou por "colocar toda a cocaína numa zona do norte da ilha, onde havia grutas", para poder ver do mar. "Assim que me preparei para descarregar a mercadoria em vários pontos, pensando que assim podia entrar no porto, descarregar, arranjar o barco na minha loucura do momento, voltar, levar tudo e terminar esta abençoada viagem, a tempestade levou tudo para o mar.".
"Os pescadores da zona começaram a encontrar esses pacotes no mar e, no dia seguinte, peguei num jornal da ilha e li que tinham sido encontradas várias quantidades de cocaína e que a polícia estava a tentar descobrir como é que essa cocaína tinha chegado", recorda Antonino Quinci.
Ruben Pacheco Correia cresceu em Rabo de Peixe, ouviu as histórias e viu até séries que diz serem demasiado ficcionadas sobre aqueles dias em que a ilha ficou inundada de droga. "Cresci a ouvir falar sempre de uma figura mítica, quase lendária, que era o italiano. A droga do italiano, a história do italiano", conta. Já adulto, resolveu investigar e escrever sobre ela.
No livro “Rabo de Peixe - Toda a verdade”, Ruben Pacheco Correia detalha como os açorianos ajudaram na fuga e esconderijo do italiano responsável por perder a droga, com a família dele e com o próprio Antonino Quinci.