A grande maioria das substâncias químicas produzidas na Europa é perigosa para a saúde

28 abr, 14:46
Laboratório

Bruxelas vai proibir milhares de compostos produzidos no continente europeu, associados a doenças ou danos ambientais

Cerca de três quartos de todas as substâncias químicas produzidas na Europa são consideradas perigosas. Os dados constam do mais recente relatório do Eurostat, que estima que existam milhares de compostos e produtos químicos - alguns conhecidos e outros novos - que estão associados a problemas de saúde ou danos ambientais, e que muitas vezes fazem parte do nosso quotidiano.

Em termos práticos, se fossemos fazer um exame de sangue ou urina, praticamente todos teríamos níveis detetáveis ​​de algum produto químico potencialmente nocivo, garante uma investigadora ao El Mundo.

De acordo com a indústria química, que será obrigada a adotar mudanças importantes, podem estar em causa até 12 mil substâncias, presentes em 74% dos produtos de consumo ou profissionais. Uma percentagem muito elevada que se reduziu ligeiramente nos últimos anos. "De 78%, em 2004, a proporção de todas as substâncias químicas perigosas para a saúde caiu para o seu valor mínimo de 74%", expõe o relatório do gabinete de estatística da União Europeia.

"Estamos expostos diariamente a muitas substâncias - aquelas que estão nos perfumes, nos cosméticos... - às quais, logicamente, temos de procurar alternativas... Mas o importante para a saúde pública é que não haja efeitos contraproducentes, esse é o objetivo", explica ao diário espanhol Maribel Casas, investigadora do ISGlobal e autora de diversos estudos sobre estas substâncias.

Segundo o Eurostat, "o consumo de produtos químicos perigosos para a saúde na UE foi de 230 milhões de toneladas em 2020". A nova lista não identifica, contudo, nenhum produto específico que seja prejudicial em si. O problema é que, cumulativamente, e em pequenas doses, estamos expostos a essas substâncias de forma contínua.

Lista de substâncias químicas nocivas

A Comissão Europeia acaba de publicar uma nova lista com todas essas substâncias, com o objetivo de serem adicionadas novas e inspirar as regulamentações que serão implementadas nos próximos anos.

Entre os grupos de substâncias que podem ser restringidas nos próximos anos estão, por exemplo, as substâncias perfluoradas, bisfenóis, parabenos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

Entre outras restrições recomendadas pela Comissão Europeia estão, por exemplo ,os retardadores de chamas - frequentemente ligados a cancro - ou os bisfenóis - usados por exemplo em plásticos de alimentos e que podem afetar a saúde, especificamente, as hormonas. Serão também banidas todas as formas de PVC - um plástico difícil de reciclar e com aditivos tóxicos - e terão também restrições os PFAS (substâncias perfluoroalquiladas), que resistem à degradação e que contaminam o ambiente, e outros produtos químicos nocivos encontrados por exemplo em fraldas de bebé, chupetas e outros artigos de puericultura.

"Fazemos estudos em grávidas e crianças e, em muitas delas, detetámos essas substâncias na urina ou no sangue. O bisfenol A, por exemplo, ou os ftalatos, encontrados em plásticos, ou compostos perfluorados, estão em quase todos nós. E este é um dado importante: todos temos concentrações detetáveis ​​no sangue ou na urina", explica Casas, sublinhando: "É uma boa legislação. Se deveria ter saído anos atrás? Sim. Mas o importante é que saiu."

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