Os receios de abrandamento da economia mundial devido a um cenário de guerra comercial levaram o BCE a cortar novamente as suas taxas de juro de referência. Uma descida que empurrou as taxas Euribor para quedas expressivas em abril e que permitirá um novo alívio na prestação a pagar ao banco no próximo mês. Confira o seu caso
A descida das taxas Euribor já se faz sentir desde o final de 2023, mas em março, os dados não foram os melhores. Apesar de se ter registado uma nova queda, o ritmo abrandou. Um sinal que era, em parte, o resultado das perspetivas que existiam e que apontavam para que o Banco Central Europeu (BCE) iria fazer uma pausa na descida das taxas de juro. As razões eram conhecidas: a taxa de inflação na zona euro tinha voltado a abrandar, desta vez para 2,2%, ficando próxima do objetivo dos 2%, e a economia, apesar de débil, mantinha o conjunto dos países que partilham o euro fora de um cenário de recessão.
Mas isto foi em março. Em abril, mais concretamente no dia dois, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, anunciou aquilo que apelidou de "Dia da Libertação", o que na prática não foi mais do que o anúncio de enormes tarifas sobre todos os países que exportam para os Estados Unidos. Entre anúncios de retaliações e de suspensão de algumas das tarifas anunciadas, não havia dúvidas: o mundo tinha entrada numa guerra comercial. Uma guerra que o próprio BCE já tinha dito que iria destabilizar o mundo. E foi já neste cenário, que a instituição liderada por Christine Lagarde decidiu não esperar e, perante um cenário de abrandamento económico global, voltou a descer taxas de juro. Dias depois era a vez do Fundo Monetário Internacional divulgar as suas previsões e confirmar que, no novo cenário de guerra comercial, as economias iriam sofrer.
Nesta conjuntura, começa a crescer dentro do BCE um consenso para que, em junho, na próxima reunião destinada a decidir a política monetária da instituição que tem sede em Frankfurt, na Alemanha, se volte a registar um corte de taxas de juro. E neste cenário, em abril, as taxas Euribor voltaram a registar uma forte descida que irá permitir a quem tem contratos de crédito à habitação a serem revistos em maio, volte a sentir um alívio na prestação a pagar ao banco.
Dando como exemplo um empréstimo de 200 mil euros a 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%, indexado à Euribor 6 meses, o indexante mais utilizado em Portugal, a prestação a pagar ao banco em maio deverá descer mais de 82 euros face ao valor que pagou desde a última revisão. Nas mesmas condições, mas num contrato indexado à Euribor 12 meses, a queda é ainda mais expressiva, porque a última revisão foi feita há um ano. Neste caso a queda será de mais de 163 euros.
Apesar destas descidas, quando se compara o valor a pagar em maio, com aquele que era pago há três anos, quando as taxas começaram a subir, as prestações ainda se encontram muito acima do valor então praticado.
Confira o seu caso:
Quanto já aumentou e como vai evoluir em maio a prestação da casa
Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Valores de abril até dia 29
EURIBOR 3 MESES
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EURIBOR 6 MESES
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EURIBOR 12 MESES
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NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).
