CRÓNICA || Jogo com mais coração que cabeça terá, certamente, feito lembrar as partidas em casa contra Rio Ave e Casa Pia. Mas desta vez foi diferente
Os assobios ao minuto 75 diziam tudo. O Benfica estava a ganhar apenas por 1-0 e a coisa estava mais difícil que fácil. É verdade que o Famalicão não estava propriamente agressivo ou a criar oportunidades - e foi assim até ao fim do jogo -, mas já tinha mostrado que tinha futebol e individualidades para marcar um golo.
Apesar da tremideira, o Benfica não sofreu do mesmo mal que já tinha tido com Rio Ave (a 23 de setembro) ou Casa Pia (a 9 de novembro), que conseguiram empatar na Luz depois de largos minutos de indefinição.
Vitória, portanto, mas a confirmação de que jogar em casa ainda é um fantasma para o Benfica, mesmo para este que ganha ao Nápoles e goleia fora uma das melhores equipas da Liga - o Moreirense só tinha perdido em casa uma vez esta época, com o FC Porto.
E a vitória arrancada a ferros surgiu ainda na primeira parte, fruto de uma grande penalidade que o árbitro não viu logo, mas que o VAR avisou.
Justin De Haas tinha dado com o braço na cara de Nicolás Otamendi, que se queixou de imediato, num lance que muitos verão como semelhante ao penálti que deu o empate ao Sporting no jogo dos Açores para a Taça de Portugal a meio da semana passada.
Penálti clássico, com Vangelis Pavlidis a atirar para um lado e o guarda-redes para o outro. Estava marcado o único golo da noite.
Nas redes sociais foram rápidas as queixas de quem viu uma continuação, havendo também quem, mesmo os adeptos que não são do Benfica, reconheça que o critério se manteve ao assinalar esta grande penalidade.
Depois disso foi o tal jogo que serviu mais para não sofrer do que para marcar. O Benfica nunca conseguiu a acutilância necessária e, à medida que o jogo se aproximava do fim, foi percebendo que era mesmo melhor ter três pontos na mão do que dois a voar.
Tirando uma ou outra arrancada de Prestianni, os encarnados não conseguiram tranquilizar o suficiente as bancadas, que foram mostrando o descontentamento com a exibição e, sobretudo, com a incerteza de que a vitória estava fechada.
Com menos brilhantismo e segurança que a vitória em Moreira de Cónegos, certo é que o Benfica continua a espiral ascendente em termos de resultados, alcançando nova vitória na Liga numa altura em que isso é crucial.
Voltando aos jogos de Casa Pia e Rio Ave, é impossível não ver algum tipo de melhoria neste Benfica. É que se o jogo foi parecido, o resultado foi totalmente diferente, porque deu em vitória. E isso muda tudo. Poderemos dizer, muito provavelmente, que o Benfica de há um mês e meio ou de há três meses não tinha vencido este jogo. Isso diz tudo de uma equipa que está claramente em crescendo também a nível emocional.
Depois de ver o FC Porto voltar a vencer mais um jogo, o Benfica segue sem perder mais pontos, tentando manter-se a uma distância visível do primeiro lugar.
