CRÓNICA || Vitória fácil do FC Porto em Alverca, onde voltaram os laivos de qualidade e a tranquilidade de nível máximo. A juntar a isso ainda há o condão de ter um guarda-redes que salva tudo quando é preciso
Treme pouco e, ainda por cima, quando treme há quem resolva. O FC Porto arrancou esta segunda-feira em Alverca uma das exibições mais tranquilas dos últimos tempos na Liga, resolvendo a coisa cedo e chegando a um resultado que depressa afastou a possibilidade de o adversário ainda tentar.
Mas não sem antes passar, aqui e ali, por calafrios. Aos 38 minutos, já depois de Borja Sainz ter marcado dois golos - dos quais só o segundo contou, numa jogada de grande qualidade que terminou num cabeceamento eficaz após cruzamento de bandeja de Rodrigo Mora -, Diogo Costa foi duplamente chamado a intervir, mostrando o que é verdadeiramente um guarda-redes de grande.
Com esses avisos e um relvado que se ia deteriorando rapidamente, o jogo podia até ficar perigoso, mas o FC Porto fez para que isso não acontecesse.
Numa jogada assim meio embrulhada, e quando Francesco Farioli já preparava duas mexidas naquela hora que ele mexe quase sempre - basta ir ver os registos, minutos 57 e 58 são hora de tirar uns e pôr outros, quase sempre hora de tirar Rodrigo Mora e pôr Gabri Veiga, ou vice-versa - Alan Varela fez uma espécie de ricochete e enviou de volta para a baliza a bola que o guarda-redes tinha sacudido no remate de Pepê.
Alívio natural num jogo que não estava difícil, mas em que o 0-1 podia sempre complicar, até porque Lincoln ou Marezi estiveram entre aqueles que quiseram mostrar qualidade acima da média.
E é a partir daí que há razões extra para alegrias. O FC Porto costuma chegar a este resultado e trancar tudo e todos, como se anunciasse ao mundo que o jogo acabou e que pode parar por ali.
Foi assim em Tondela, por exemplo, em que chegou ao 0-2 de rompante na abertura da segunda parte e onde, depois disso, nada mais aconteceu. Nem o FC Porto quis atacar, nem permitiu que o adversário o fizesse.
Esta segunda-feira teve esse tónico extra num monumento de Borja Sainz, que confirmou um raro faro de golo que faz de um jogador não especialmente dotado um ativo decisivo.
Um arco brilhante a fechar um 0-3 natural, como têm sido quase todas as vitórias do FC Porto. Com o ano civil a fechar-se e as jornadas a passarem, os dragões mostram que estão novamente mais seguros, num aviso a Sporting e Benfica de que será mesmo um trabalho hercúleo tirar pontos a esta equipa.
Um autêntico reboot à máquina, que foi a olear e conseguiu o melhor resultado para a Liga desde 29 de setembro. Não sofreu golos e isso já nem é novidade, mas juntou a isso três tentos marcados, conseguindo a maior diferença desde esse dia, quando visitou Arouca e goleou por 0-4.
Segue-se aquele que é, na teoria, o jogo mais fácil da Liga até agora. O FC Porto recebe o frágil AVS, que tem apenas quatro pontos, e qualquer coisa que não uma vitória será sempre surpreendente.
