Qantas vai lançar voos de ultralongo curso. Vão ligar Sydney a Londres e Nova Iorque

CNN , Jake McGowan
9 ago, 17:00
Aeroporto
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Transportadora apresentou o primeiro Airbus A350-1000ULR do Projeto Sunrise e prepara-se para lançar, em outubro de 2027, voos diretos entre Sydney e Londres com duração de até 22 horas.

Durante quase um século, as companhias aéreas comerciais perseguiram um dos grandes objetivos da aviação: ligar Sydney ao outro lado do planeta num único voo, sem escalas.

Agora, a Qantas está prestes a tornar esse objetivo realidade, à medida que o muito aguardado Projeto Sunrise entra na fase final, aproximando os voos diretos de Sydney para Londres e Nova Iorque da descolagem.

Esta semana, a companhia aérea australiana apresentou o seu primeiro Airbus A350-1000ULR — a inovadora aeronave de ultralongo curso que será utilizada nestas rotas — nas instalações de produção da Airbus, em Toulouse. A empresa anunciou também que o primeiro voo entre Sydney e Londres será lançado em outubro de 2027.

Richard Quest, especialista em aviação da CNN, que esteve presente no evento, descreveu-o como um momento decisivo para a fabricante aeroespacial europeia, comparável à estreia do superjumbo A380 ao serviço da Singapore Airlines, há quase duas décadas.

Ao longo de dois dias, a Airbus transportou jornalistas entre as instalações de testes da empresa e o primeiro avião de produção pintado com as cores da Qantas, enquanto administradores e engenheiros realizaram uma série de sessões informativas sobre temas que foram desde a viabilidade económica dos voos de ultralongo curso até ao desenho da aeronave e à ciência de redução do jet lag.

A companhia aérea australiana Qantas apresentou esta semana o primeiro de 12 aviões Airbus A350-1000ULR modificados, que serão utilizados em voos diretos de duração recorde. A ligação entre Sydney e Londres foi escolhida como primeira rota.
Tim Hepher/Reuters

"Nenhum detalhe foi deixado ao acaso", afirmou Quest. "O diretor executivo estava presente, o presidente estava presente, os investidores estavam presentes, o comandante principal estava presente — e o diretor financeiro estava disponível."

Para a Airbus, explicou Quest, esta aeronave representa muito mais do que apenas mais um avião de fuselagem larga.

"Este avião é um modelo de referência", afirmou. "Estão a construir esta ideia de que o A350-1000ULR é o avião de referência da companhia e penso que isso é significativo."

"Tirania da distância"

Batizado em homenagem aos voos históricos realizados pela companhia durante a Segunda Guerra Mundial, o Projeto Sunrise centra-se nas chamadas viagens de ultralongo curso, prometendo reduzir os tempos de viagem e levar ao limite as capacidades da aviação comercial.

Para a Qantas, este esforço é o capítulo mais recente de uma missão que começou há mais de um século.

"O objetivo de resolver esta tirania da distância de que temos falado foi precisamente aquilo para que a Qantas foi fundada", afirmou à CNN Vanessa Hudson, diretora executiva da companhia. "Pode dizer-se que essa missão existe desde então."

Um ecrã mostra como será a suite de primeira classe nos voos do Projeto Sunrise. Tim Hepher/Reuters

Para tornar possíveis estas viagens com uma duração máxima de 22 horas, a Qantas encomendou 12 aviões Airbus A350-1000 especialmente modificados. Os engenheiros da Airbus acrescentaram um depósito de combustível adicional e aumentaram a autonomia da aeronave em cerca de mil milhas náuticas, aproximadamente 1852 quilómetros, permitindo que os aviões realizem rotas que antes eram tecnicamente impossíveis.

Lars Wagner, diretor executivo da divisão de aviões comerciais da Airbus, classificou a aeronave como o próximo grande passo nas viagens de longo curso.

O designer industrial David Caon apresenta os planos para a iluminação dinâmica da cabina durante uma sessão destinada à comunicação social sobre os voos do Projeto Sunrise da Qantas, em Toulouse, França, a 18 de junho de 2026.
Tim Hepher/Reuters

"Vemos a nossa empresa como líder tecnológico e líder em inovação no setor", afirmou Wagner. "Quisemos aceitar o desafio que a Qantas nos lançou."

No entanto, sobreviver a quase um dia inteiro no ar exige uma transformação total da experiência dos passageiros.

Para combater o impacto físico da viagem, a Qantas está a configurar estas aeronaves para transportar um número significativamente inferior de passageiros ao dos A350 convencionais: apenas 238, em comparação com os habituais 400, deixando mais espaço disponível a bordo.

Os aviões terão uma zona de bem-estar concebida para incentivar os passageiros a movimentarem-se e a fazerem alongamentos, além de sistemas de iluminação desenvolvidos para adaptar gradualmente os viajantes ao fuso horário do destino e atenuar os efeitos do jet lag.

Na primeira classe, as suites estarão distribuídas numa configuração 1-1-1 ao longo da cabina. Cada uma terá uma cama horizontal com 80 polegadas, cerca de 2,03 metros, uma poltrona separada e um roupeiro de corpo inteiro.

Na classe executiva haverá 52 suites numa configuração 1-2-1, todas com portas de correr. A classe económica premium terá 40 lugares numa configuração 2-4-2, enquanto a classe económica acomodará 140 passageiros numa disposição 3-3-3.

Uma questão de orgulho nacional

A Qantas sustenta que a atratividade destes voos já está demonstrada. A companhia opera há vários anos algumas das rotas mais longas do mundo, incluindo Perth-Londres e Auckland-Nova Iorque.

"O Projeto Sunrise não se baseia num salto de fé de que os clientes vão querer este serviço", afirmou Hudson, apontando para o forte desempenho comercial dessas ligações de ultralongo curso. "Estas rotas registam alguns dos níveis mais elevados de satisfação dos passageiros entre todos os voos que operamos."

Um avião de testes Airbus A350-1000ULR, desenvolvido para os voos de ultralongo curso do Projeto Sunrise da Qantas, nas instalações de Toulouse, França, a 18 de junho de 2026. Tim Hepher/Reuters

A primeira aeronave modificada já realizou o voo inaugural de testes e as entregas estão previstas para começar no próximo ano. Caso tudo decorra conforme planeado, a Qantas prepara-se para inaugurar uma nova era de conectividade global.

Para os passageiros, isto significa evitar escalas cansativas. Para a indústria da aviação, representa a última fronteira dos voos globais. Para a Qantas, é uma questão de orgulho nacional.

"Espero que os australianos sintam muito orgulho naquilo que a Qantas, a sua companhia aérea nacional, conseguiu fazer", afirmou Hudson. "Este projeto é um teste à capacidade de inovação e às competências da organização. Mas é também uma demonstração do caráter australiano: a capacidade de definir verdadeiramente uma missão e persegui-la."

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