Como está a ser preparada a reunião no Alasca. E como foram preparados momentos semelhantes no passado
Casa Branca apressa-se a preparar cimeira histórica entre Trump e Putin
por Kristen Holmes, Kevin Liptak e David Brooks, CNN

As autoridades norte-americanas, que no fim de semana apressaram-se a identificar e a assegurar um local para a cimeira de sexta-feira entre o presidente Donald Trump e o homólogo russo, depararam-se rapidamente com um grande obstáculo: o verão é época alta de turismo no Alasca e as opções disponíveis e adequadas para acolher os dois líderes mundiais eram extremamente limitadas.
Quando a notícia da ida ao Alasca de Trump e Putin chegou a alguns proeminentes residentes do Alasca, alguns começaram a contactar aliados do presidente com uma proposta: podiam ceder as próprias casas? Não se sabe se essas ofertas chegaram a ser transmitidas a responsáveis da Casa Branca, que estavam a contactar locais em Juneau, a capital do estado, bem como em Anchorage e Fairbanks.
Os organizadores da cimeira acabaram por concluir que a única cidade no vasto estado com opções viáveis para o encontro seria Anchorage. E apenas a Base Conjunta Elmendorf-Richardson, no limite norte da cidade, cumpria os requisitos de segurança para a reunião histórica, embora a Casa Branca esperasse evitar a perceção de receber o líder russo e a sua comitiva numa instalação militar norte-americana.
É aí que os dois homens se vão encontrar esta sexta-feira, disseram dois responsáveis da Casa Branca.
A dificuldade ilustra a corrida contra o tempo para acertar os detalhes da reunião de sexta-feira, a primeira vez em mais de quatro anos que os líderes máximos dos EUA e da Rússia se encontram. A cimeira continua, em grande medida, em preparação enquanto responsáveis norte-americanos e russos se apressam a organizar o encontro. Os principais diplomatas dos dois países — o secretário de Estado, Marco Rubio, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov — falaram na terça-feira para discutir “certos aspetos da preparação”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.
Habitualmente, uma cimeira de alto risco com um adversário dos EUA seria antecedida de negociações extensas sobre a agenda e os resultados. Mas o próprio Trump disse que encara esta reunião como uma “sessão exploratória”, com poucas expectativas prévias quanto ao seu desenrolar. A Casa Branca descreveu-a na terça-feira como uma “sessão de escuta”.
“O presidente pensa algo do género: ‘Tenho de olhar este homem nos olhos. Preciso de o ver frente a frente. Preciso de o ouvir a sós. Preciso de fazer uma avaliação, observando-o’”, disse Rubio numa entrevista radiofónica na manhã de terça-feira com Sid Rosenberg, explicando porque é que as cinco conversas telefónicas conhecidas entre Trump e Putin este ano não seriam suficientes para perceber as intenções do líder russo.
Chegada ao Alasca
A administração Trump e o Kremlin escolheram o Alasca como local para a cimeira após longas negociações discretas, segundo fontes próximas do processo. Havia poucos locais que reunissem condições para o encontro, disseram essas fontes, sobretudo tendo em conta o mandado de detenção por crimes de guerra emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Putin em 2023.
Perante esse fator, a Rússia rejeitou um destino europeu — mesmo cidades como Viena ou Genebra, onde líderes norte-americanos e russos se têm reunido desde a Guerra Fria. Embora o próprio Putin tenha sugerido os Emirados Árabes Unidos como um local “totalmente adequado”, muitos na Casa Branca preferiam evitar uma nova deslocação longa ao Médio Oriente, depois da visita de Trump em maio.
No fim, segundo fontes, a escolha resumiu-se a dois possíveis anfitriões: a Hungria — cujo primeiro-ministro, Viktor Orbán, mantém relações próximas com Trump e Putin — e os Estados Unidos, de acordo com dois responsáveis norte-americanos.
Os responsáveis dos EUA ficaram agradavelmente surpreendidos quando o presidente russo aceitou reunir-se em solo norte-americano — e logo numa terra que outrora fez parte do império russo.
“Pensei que foi muito respeitoso o presidente da Rússia vir ao nosso país, em vez de sermos nós a ir ao país dele ou a um local de terceiros”, disse Trump esta semana, enquanto a sua equipa se apressava a fechar os detalhes da cimeira.
Nem todos partilharam esse entusiasmo.
“O único local melhor para Putin do que o Alasca seria se a cimeira tivesse lugar em Moscovo”, afirmou John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, que se afastou do presidente norte-americano durante o primeiro mandato. “Por isso, o enquadramento inicial, na minha opinião, é uma grande vitória para Putin.”
Encontros anteriores com Putin
Na última vez que um presidente norte-americano se reuniu com Putin — a cimeira de 2021, em Genebra, com o presidente Joe Biden —, a data e o local foram anunciados três semanas antes. No entanto, o planeamento entre responsáveis russos e norte-americanos tinha começado meses antes.
Biden, numa digressão de uma semana pela Europa, passou os dias que antecederam o encontro em preparação intensiva com os seus principais conselheiros, reservando as manhãs para analisar possíveis rumos da conversa e antecipar algumas das jogadas de Putin. Consultou outros líderes, incluindo a chanceler alemã, para obter conselhos sobre como abordar o líder russo, conhecido pela sua astúcia.
Quando a cimeira chegou, os assessores tinham planeado o dia ao mais ínfimo detalhe, incluindo a ordem de chegada dos líderes, a duração de cada sessão e até o tipo de flor que estaria na mesa (rosas brancas). As autoridades norte-americanas chegaram mesmo a garantir que houvesse garrafas de Gatorade de laranja — com a etiqueta “POTUS” — no frigorífico da villa do século XVIII onde decorreu a reunião.
Durante o primeiro mandato de Trump, Putin e o atual presidente norte-americano reuniram-se a sós em Helsínquia, na Finlândia, numa cimeira de 2018 que terminou com um momento marcante, quando Trump se colocou do lado de Putin contra as agências de informações dos EUA na questão da alegada interferência russa nas eleições. Trump também se encontrou com Putin em privado em 2017, durante o seu primeiro contacto no âmbito da cimeira do G20 em Hamburgo.