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Putin regressa ao cenário de uma das mais sangrentas batalhas na Ucrânia. "São nazis. As pessoas decentes não farão isso"

19 mar 2023, 15:20
Putin visita Mariupol

Os meios de comunicação estatais russos relataram que o presidente Vladimir Putin fez uma viagem inesperada a Mariupol, uma cidade portuária ucraniana que foi capturada pelas forças russas após ter sido fortemente bombardeada e deixada em ruínas

O Presidente Vladimir Putin fez uma visita surpresa a Mariupol, uma cidade portuária ucraniana deixada em ruínas após ter sido capturada pelas forças russas, de acordo com os meios de comunicação estatais russos. A viagem surpresa à cidade portuária, local de um dos mais brutais cercos da guerra e símbolo da resistência, chega poucos dias depois de o Tribunal Penal Internacional ter emitido um mandado de captura para o presidente russo.

Isto acontece poucos dias depois de o Tribunal Penal Internacional ter emitido um mandado de captura para Putin. Um vídeo oficial mostra o presidente russo a conduzir pelas ruas à noite e a falar com a população local. É alegadamente a primeira visita de Putin a um território ucraniano recentemente ocupado.

As autoridades ucranianas acusaram também Putin de visitar Mariupol, no leste do país, aproveitando-se da noite para ocultar a realidade de uma cidade totalmente destruída pelo seu exército e para evitar "olhares curiosos". "Como convém a um ladrão, Putin visitou a cidade ucraniana de Mariupol a coberto da noite", escreveu o Ministério da Defesa ucraniano na sua conta do Twitter.

Segundo a agência noticiosa Tass, Putin viajou para Mariupol de helicóptero. No vídeo divulgado, é visto num jipe preto a atravessar a cidade com o vice-primeiro-ministro russo Marat Khusnullin, que descreve os esforços de reconstrução da cidade.

 

Khusnullin afirma que os residentes estão a regressar a Mariupol devido aos esforços de reconstrução da Rússia. "As pessoas começaram a regressar. Quando viram que a reconstrução está em curso, as pessoas começaram a regressar activamente", afirma, acrescentando que o centro da cidade, fortemente danificado após ter sido devastado pelos bombardeamentos russos, será reconstruído até ao final do ano. Putin é visto de pé ao seu lado e diz: "São nazis. As pessoas decentes não farão isso".

O vídeo também mostra Putin a falar com residentes locais que agradecem à Rússia por reconstruir os seus apartamentos depois de as suas casas terem sido destruídas. Segundo informações obtidas pelo Financial Times, Putin visitou também a Sala Filarmónica, que foi utilizada para encenar os julgamentos dos militares que defenderam da fábrica de ferro e aço Azovstal. A Ucrânia diz que mais de 20.000 pessoas foram mortas em Mariupol, que tem estado sob ocupação russa há mais de 10 meses após uma das mais longas e sangrentas batalhas do conflito.

O presidente russo Vladimir Putin, à esquerda, e o vice-primeiro ministro russo Marat Khusnullin conduzem um carro durante a sua visita a Mariupol na região de Donetsk, controlada pela Rússia, na Ucrânia/ POOL, via AP

Contudo, alguns peritos têm dúvidas sobre a autenticidade das filmagens. Stephen Hall, professor de Política Russa e Pós-soviética na Universidade de Bath, publicou as filmagens de Putin em Mariupol e declarou que os cidadãos "gratos" apresentados no vídeo não podiam ser genuínos. Anton Gerashchenko, conselheiro do Ministro dos Assuntos Internos da Ucrânia, também comparou as imagens de Putin atrás da sua secretária no seu Conselho de Segurança com as imagens que saíam de Mariupol. 

"Está com mais medo dos seus oficiais do que dos "residentes" em Mariupol?", questiona.

 

 

Na mesma linha, o presidente russo também realizou uma reunião num posto de comando e controlo militar na cidade russa de Rostov-on-Don, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com a Ucrânia, segundo avança a agência noticiosa estatal russa TASS, que revela que Putin encontrou-se com Valeriy Gerasimov, chefe do Estado-Maior General da Rússia e comandante das tropas russas na Ucrânia, e com Sergei Surovikin, adjunto de Gerasimov. 

Ao mesmo tempo que decorria a visita, o conselho da cidade exilada de Mariupol, na Ucrânia, criticou este domingo a visita do presidente russo Vladimir Putin à cidade portuária que ficou sob o controlo de Moscovo desde o ano passado, após um longo cerco."O criminoso internacional Putin visitou Mariupol ocupada. Ele assistiu à 'reconstrução da cidade' à noite. Provavelmente para não ver a cidade, morta pela sua 'libertação', à luz do dia", disse o órgão sua conta oficial de Telegram.

Uma análise da ONU estima que 90% dos edifícios em Mariupol foram danificados e cerca de 350.000 pessoas foram forçadas a sair da zona, que tinha uma população de cerca de 500.000 habitantes antes do início da guerra. De acordo com um grupo de habitantes locais que falou com a BBC, a Rússia está a conduzir uma dispendiosa campanha para reconstruir a cidade e conquistar os corações e mentes do seu povo, numa tentativa de assimilar Mariupol e torná-la própria da Rússia.

Os combates por Mariupol viram também a Rússia a atacar um teatro onde centenas de civis se abrigavam, e a Ucrânia e grupos de defesa dos direitos humanos afirmaram que o ataque constituiu um crime de guerra. Também representantes das Nações Unidas já vieram argumentar que incidentes como este poderiam responsabilizar legalmente Putin e o seu regime.

No sábado, Putin já tinha feito uma outra visita surpresa à Crimeia para assinalar o nono aniversário da anexação da península ucraniana pela Rússia em 2014. Nela, segundo as agências noticiosas estatais russas, Putin fez uma visita a uma escola de arte e a um centro infantil como parte de um projecto destinado a desenvolver um parque histórico na localização de uma antiga colónia grega.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia assinalou o aniversário da anexação russa da Crimeia, lamentando o "sofrimento" daqueles que estão sob controle do Kremlin há nove anos. Em um comunicado divulgado no sábado, é dito que "durante nove anos consecutivos, a península da Crimeia sofreu sob o regime criminoso do Kremlin, que a transformou em um posto militar avançado, uma zona de privação de liberdade e assédio, agressão e terror contra tudo e todos que tiveram coragem de resistir e defender seus direitos e valores democráticos".

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