PSP apresenta esta quinta-feira as unidades móveis de atendimento em Lisboa

Agência Lusa , CF
27 jul, 23:06
Polícia

O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia que esta é uma "estrutura falhada" que “não acompanha as reais necessidades de segurança” e “consome recursos humanos de uma forma desmesurada e desnecessária”

A PSP vai apresentar na quinta-feira, em Lisboa, as novas unidades móveis de atendimento, uma reivindicação do presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), para combater a insegurança e a criminalidade na cidade, anunciou esta quarta-feira aquela força policial.

“Amanhã [quinta-feira], pelas 18:00, simultaneamente em Lisboa e no Porto, serão apresentadas as unidades móveis de atendimento, novos meios de promoção da proximidade com o cidadão, facilitando o contacto direto da população com a PSP”, indicou a polícia em comunicado.

Na nota, a PSP refere que tem adotado uma estratégia de Policiamento de Proximidade e admite que “uma das abordagens críticas” está relacionada “com os locais de maior presença e ou passagem de cidadãos”.

A polícia relembra ainda que, em março passado, reviu essa estratégia no sentido de “promover a segurança, paz e tranquilidade públicas e prevenção da criminalidade especificamente nas zonas de diversão noturna”.

“É neste contexto” que serão apresentadas as unidades móveis de atendimento, simultaneamente em Lisboa e no Porto, lê-se no comunicado.

Estas unidades móveis eram uma reivindicação do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que na segunda-feira fez saber que já tinha feito esse pedido ao Governo.

“Peço ao Governo que tem de haver mais visibilidade da polícia nesta cidade. Ofereço aqui, desde já, ao Governo a capacidade de podermos ter postos móveis, ou seja, esquadras móveis, na cidade. As pessoas não estão a ver a polícia na rua e eu ofereço ao Governo a capacidade de o fazer”, disse na altura.

Moedas defendeu que estes postos móveis devem estar nos sítios onde existe mais turismo e mais ocorrências, nomeadamente no Cais do Sodré e no Bairro Alto.

Também na segunda-feira, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, anunciou que a PSP do Porto ia testar um modelo de unidades móveis de atendimento.

"Queremos que essas unidades móveis de atendimento se desloquem nos locais onde há maior afluxo de turismo", explicou o ministro.

Sindicato reage: é uma "estrutura falhada"

O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia considerou esta quarta-feira que as unidades móveis de atendimento da PSP são uma estrutura falhada, que “não acompanha as reais necessidades de segurança” e “consome recursos humanos de uma forma desmesurada e desnecessária”.

“É uma estrutura que já não é funcional, doente e claramente consome recursos e não aproveita aquilo que é a capacidade de resposta da polícia e dos seus polícias”, disse à agência Lusa o vice-presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e dos diretores da Polícia de Segurança Pública.

“Esta medida passa por rever e reformar uma estrutura falhada. Esta estrutura que aos dias de hoje não acompanha aquilo que são as reais necessidades de segurança e que consome recurso de uma forma desmesurada e desnecessária”, precisou o vice-presidente do sindicato que representa os oficiais da PSP, considerando que “não resolve o problema” da falta de agentes na rua, mas vai “agudizar ainda mais a dificuldade de gestão e projeção de recursos”.

Bruno Pereira observou que este modelo não é novo e já tinha sido utilizado como experiência piloto que “a PSP abandonou por considerar que era uma opção que não ia ao encontro das melhores opções de metodologia de policiamento”.

Esclareceu também que as unidades móveis geralmente são utilizadas quando existem eventos com uma grande concentração de pessoas e há necessidade de sinalizar uma estrutura policial para prestar apoio às pessoas em caso de necessidade.

“Deslocar uma unidade móvel tendo por base a visibilidade é exatamente a mesma coisa que ter uma esquadra, a única diferença é que a conseguimos movimentar, mas não é a estrutura que projeta segurança, são os polícias e as equipas que a integram”, disse.

De acordo com o sindicato, estas unidades móveis “vão obrigar a alocar mais agentes”, sendo a única novidade a modalidade de atendimento, o que é “redundante porque as esquadras já são mais do que suficientes”.

Bruno Pereira sustentou que aquilo que é necessário é “mais polícias para assegurar o policiamento de forma preventiva e ter uma capacidade ampliada de resposta repressiva”.

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