Notícia TVI/ CNN || Os polícias detidos vão conhecer as medidas de coação na segunda-feira
A apreensão de telemóveis aos quinze polícias que foram detidos na última terça-feira por tortura e agressões sobre pessoas indefesas nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, trouxe uma nova revelação, sabe a TVI e a CNN Portugal: os mesmos foram avisados por pelo menos um colega da PSP, ligado à investigação, de que estavam sob vigilância e que estavam na iminência de ser alvo de buscas, de modo a terem tempo de dissipar eventuais provas que os incriminassem e começarem a preparar a narrativa de defesa, tendo sido perdido, assim, o efeito surpresa da operação.
A fuga de informação, com violação do segredo de justiça para prejuízo da investigação, chegou diretamente a pelo menos um dos suspeitos. E este passou a encetar conversas com outras pessoas, dando conta de que ele e alguns colegas iriam ser alvo de uma operação, com referências à procuradora Felismina Carvalho Franco, responsável pela investigação no DIAP de Lisboa. Isso permitiu obterem desde logo o aconselhamento de advogados sobre comportamentos a adotar nesse momento; conhecerem previamente alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas; e até houve quem metesse baixa médica antes do dia de operação.
Terça-feira, a operação avançou às ordens da magistrada que já antes tinha detido outros nove polícias pelos mesmos crimes. E agora, ao deter mais 15 polícias, foram encontrados não só novos vídeos incriminatórios dos abusos a que sujeitaram as vítimas nas esquadras, como mensagens que denunciam uma fuga de informação da própria PSP para tentar comprometer a investigação - algo que deverá ser tratado em processo autónomo.
De resto, nas alegações no interrogatório em que este sábado promoveu prisão preventiva para quatro dos polícias e prisão domiciliária para outros três, na presença de todos os advogados a procuradora deu esta fuga de informação como exemplo de um perigo grave e concreto para a perturbação do inquérito.
Os 14 polícias detidos no âmbito do caso de tortura e violações na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, vão conhecer as medidas de coação na segunda-feira.
