"Foi preciso que morresse uma mãe para que a ministra se demitisse": PSD reage à saída de Marta Temido

30 ago, 10:55

Miguel Pinto Luz, vice-presidente do PSD, acusou Governo de ter "marca de arrogância" na Saúde e disse que Marta Temido sai "tarde" e que pôs sempre a ideologia à frente da saúde dos portugueses

Miguel Pinto Luz, vice-presidente do PSD, já reagiu à demissão da ministra da Saúde, dizendo que a saída de Marta Temido "representa a falência da política do Governo de António Costa".
 
"Foi preciso que morresse uma mãe que não teve acesso às urgências do maior hospital do país para que a ministra se demitisse e António Costa tomasse uma decisão", disse o vice-presidente do PSD, numa breve declaração à comunicação social.
 
"Este Governo tem na Saúde uma marca de arrogância", acrescentou, aludindo ainda a uma visão "sectária que se mostrou irrealista e muito perigosa".
 
Acrescentando que "nunca antes os portugueses gastaram tanto na sua própria saúde como agora", Pinto Luz sublinhou que "foram gastos milhões e milhões de euros mas as urgência estão fechadas". 
 
"Os profissionais de saúde debandam do SNS", frisou, criticando a política de Saúde do Governo. "Marta Temido, sempre com a concordância de António Costa, criou o caos nas urgências de obstetrícia numa situação absolutamente vergonhosa", defendeu o vice-presidente do PSD, acusando ainda a ministra demissionária de ter gerado "medo" nos jovens casais com a expectativa de aumentarem a família e de as políticas do Governo terem estado na origem de um aumento da mortalidade infantil em Portugal.

A ideologia à frente da saúde dos portugueses

Miguel Pinto Luz acusou ainda a ministra de não saber dialogar com médicos e enfermeiros e de não ter sabido "distinguir convicções pessoais e as verdadeiras necessidades dos portugueses", tendo colocado "sempre a sua ideologia à frente do que era mais importante, a saúde dos portugueses".

O PSD diz ainda que a ministra "está longe de ficar na boa memória dos portugueses, mas infelizmente as suas políticas terão impacto". Pinto Luz lembrou também que Marta Temido saiu pouco depois de apontar decisões tomadas na década de 80 do século passado como a fonte dos problemas do SNS, para "fazer esquecer que este Governo está em funções há mais de sete anos mas que nada fez" para os alterar. 

"A saída de Marta Temido, já tarde, na opinião do PSD, não resolve nenhum problema. O que importa saber, neste momento, é o que fará António Costa. Irá mudar de rumo?, esta é a pergunta, ou se, pelo contrário, irá escolher um novo ministro e nada mudará", acrescentou Miguel Pinto Luz.

Acusando o primeiro-ministro de conduzir o SNS "ao descalabro a que hoje assistimos", o vice-presidente do PSD frisou ainda que, para os sociais-democratas, "é urgente que se mude a política de Saúde em Portugal". 

“São urgentes políticas novas, mais do que novos protagonistas. A falência do SNS é da responsabilidade do dr. António Costa”, acusou Pinto Luz.

A ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou esta madrugada a demissão, horas depois de a TVI e a CNN Portugal terem noticiado a morte de uma grávida que foi transferida do Hospital de Santa Maria por falta de vagas no serviço de neonatologia.

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