“Um heterónimo político de Passos”, com “discurso velho”, sem a força que a oposição precisa. Um ‘pijaminha’ de como os outros partidos (e Marcelo) viram Montenegro

3 jul, 19:47
Luís Montenegro (Lusa/Estela Silva)

Como é tradição, representantes de vários partidos marcaram presença no último dia do 40.º Congresso do PSD. Já do outro lado do Atlântico, no Brasil, o Presidente da República confessou ter encontrado um “dado novo” em Luís Montenegro

A reação mais dura chegou, como seria de esperar do PS. Depois de encerrados os trabalhos do 40.º Congresso do PSD, Carlos César havia de recuperar um nome social-democrata que traz más memórias a muitos portugueses: “Montenegro é uma espécie de heterónimo político de Passos Coelho.” Aquilo que o presidente do PS viu na nova liderança é, afinal, “o regresso ao passado”.

Também à esquerda, o PCP, representado por Jaime Toga, argumentou que a estratégia social-democrata “não se distingue daquela que é a política e a incapacidade deste governo do PS em resolver os problemas do país”. Pelo contrário, insistiu o dirigente, o Congresso revelou o “esforço do PSD em recuperar o rumo político que marcou a sua última governação: de empobrecimento, ataque aos salários, afundamento nacional”.

Bebiana Cunha, antiga deputada do PAN, lamentou que se contem “pelos dedos o número de mulheres representadas nos órgãos nacionais”, com Montenegro a apresentar um discurso “velho, do século XX, para as urgências do século XXI”.

Luís Montenegro tomou posse no 40.º Congresso do PSD (Estela Silva / Lusa)

À direita, pede-se força

No seu discurso, Luís Montenegro assegurou que nunca associará o PSD a “qualquer política xenófoba ou racista”, num recado ao Chega. Mas o deputado do partido de extrema-direita, Diogo Pacheco de Amorim, disse não ter ouvido palavras dirigidas ao seu partido. Montenegro, resumiu, “tentou ser ambíguo”.

Embora sem integrar a comitiva, o presidente do Chega, André Ventura, reagiria ao conclave laranja através de um vídeo. “Há sinais preocupantes que vieram deste Congresso do PSD. O primeiro deles é a tendência e a persistência de se aproximar mais do PS do que do Chega.”

Já o Iniciativa Liberal, representado por Miguel Rangel, criticou a falta de espírito reformista no discurso de Montenegro. “É preciso urgentemente não só o escrutínio ao Governo, mas uma oposição forte, feroz, corajosa e energética”, advertiu.

O presidente do CDS-PP, o histórico aliado do PSD, também não deixou a reunião magna social-democrata passar em claro. Nuno Melo considerou “muito importante que o espaço político do centro direita cresça”, mas avisou que “o CDS tratará de por si reforçar a sua força, ganhar músculo, voltando ao Parlamento certamente em 2026, se não for antes”.

Nuno Melo com Montenegro (Estela Silva / Lusa)

Marcelo satisfeito com “colaboração especial”

De visita ao Brasil, o Presidente da República confessou que foi acompanhando os trabalhos no Pavilhão Rosa Mota. Para Marcelo Rebelo de Sousa, há agora um “dado novo” com a liderança de Luís Montenegro: “Onde no passado havia cooperação institucional, há agora uma colaboração especial. Registo e fico satisfeito com isso. Não por ser o PSD — ficaria com qualquer partido, porque a colaboração é mais fecunda do que a mera cooperação.”

Montenegro será recebido em Belém esta semana, confirmou o Chefe de Estado. Marcelo considerou ainda que será muito difícil haver regionalização sem o apoio do PSD, depois do novo presidente do partido ter avisado que não vai acompanhar o Governo na ideia de realizar um referendo sobre o tema em 2024. "Registo que o líder do PSD é oposto ao processo de regionalização e à realização de um referendo à regionalização. E registo isso. Vou meditar sobre isso", declarou em São Paulo.

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