Montenegro anuncia que Marcelo "falará com certeza ao país". PSD não pede eleições antecipadas "mas também não as recusaremos"

3 mai 2023, 14:08
Luís Montenegro

Numa declaração em que arrasa o "teatro político" do dia de terça-feira e o "egoísmo" de António Costa, o presidente do PSD diz que será "primeiro-ministro em consequência de uma vitória nas eleições, realizem-se elas quando se realizarem". E como não quer "fazer fretes ao PS", não vai apresentar uma moção de censura ao Governo

O presidente do PSD, Luis Montenegro, não pede eleições antecipadas mas também não as recusa. Numa declaração ao país no dia seguinte à demissão do ministro das Infraestruturas - que foi recusada por António Costa, mesmo com a oposição de Marcelo Rebelo de Sousa -, Luís Montenegro foi demolidor para com António Costa -  o qual, assegura, “há muito desistiu de governar e entrou em campanha eleitoral”.

“Não será por minha causa e do PSD que haverá eleições antecipadas. Não as pedimos mas não as recusaremos. Sim, estamos preparados para tudo o que for necessário. Sim, estamos muito mais bem preparados para governar Portugal do que está o Governo hoje em funções. Temos equipa e temos projeto. Pessoalmente, quero dizer nos olhos aos portugueses que não me move nenhum espírito de sobrevivência individual ou partidária. Pelo contrário, move-me um espírito de missão que será a minha última na política ativa. Serei um primeiro-ministro livre, pronto para enfrentar interesses instalados e para combater privilégios injustificados. E serei primeiro-ministro em consequência de uma vitória nas eleições, realizem-se elas quando se realizarem”, disse Luís Montenegro aos jornalistas.

O presidente do PSD garante que o partido não vai apresentar uma moção de censura ao Governo, até porque, considera Luís Montenegro, isso seria “um frete ao Partido Socialista”.

Sobre o que deve fazer o Presidente da República, que já assumiu numa nota oficial a discordância da decisão do primeiro-ministro de manter em funções João Galamba, o presidente do PSD considera que Marcelo Rebelo de Sousa “falará com certeza ao país”.

“Não é o maior partido da oposição que se vai intrometer na reflexão ou decisão do Presidente. O que queremos dizer ao país e também ao Presidente da República é que, se e quando houver eleições antecipadas, o PSD está totalmente preparado para as disputar, para as vencer e sair delas com um Governo reformista”, afirmou.

Luís Montenegro não quis revelar se falou já com Marcelo Rebelo de Sousa nem respondeu à pergunta se o considera fragilizado, dizendo apenas que, à exceção de contactos formais entre o presidente do PSD e o Presidente da República, os restantes serão mantidos em recato.

Sobre o caso João Galamba, que acabou com um pedido de demissão do ministro das Infraestruturas que não foi aceite por António Costa, Luís Montenegro fala em “golpe de teatro” e “egoísmo” por parte do primeiro-ministro. “O primeiro-ministro não teve um problema de consciência. Teve consciência de ter mais um problema no seu Governo. E pensou na sua sobrevivência. Isto não é ter coragem. Isto é esconder a fraqueza. A fraqueza das políticas e dos políticos de um Governo que tinha tudo para transformar Portugal mas que se autodestrói por falta de qualidade, de sentido de Estado e de espírito reformador”, refere.

“O teatro político lastimável de todo o dia de ontem culminou numa declaração solene do primeiro-ministro ao país – onde, em vez de falar dos problemas das pessoas e dos projetos do Governo, o primeiro-ministro decidiu abrir uma irresponsável e egoísta crise institucional. Esse teatro foi premeditado e estava preparado para a primeira ocasião. Há meses que o primeiro-ministro desistiu deste Governo, desistiu de Portugal e entrou no modo de campanha eleitoral”, acusa.

Montenegro fala em “estratégia de vitimização” de António Costa e do Partido Socialista e rebate: “Mas a vítima não é António Costa, nem é Pedro Nuno Santos, nem Fernando Medina, nem João Galamba. As vítimas são os portugueses, que confiaram num Governo que não é de confiança”.

“Para este primeiro-ministro, tudo é um jogo. Um jogo de oportunismo. Um jogo de teatro político. Um jogo de sobrevivência. O jogo único da sua sobrevivência que ele joga com prazer egoístico mas em prejuízo dos portugueses desde o primeiro dia”, acrescenta.

Luís Montenegro fala em “novela mexicana”, que intitula “retalhos da vida de um assessor”, e sublinha que a responsabilidade política no caso Galamba não pode ser do assessor: “É caso para perguntar: quem escolheu o assessor e quem escolheu o ministro que escolheu o assessor?”.

“O ministro das Infraestruturas tem culpa e implicação direta nos acontecimentos, seja nas mentiras quanto às reuniões secretas, seja no envolvimento do SIS. Um ministro que realmente acredite na carta noturna de demissão por si escrita só tem uma saída digna: insistir na demissão”, aconselha.

No centro deste caso está um desentendimento entre o ministro e um adjunto, Frederico Pinheiro, que terá resultado em agressões no Ministério e que originou uma troca de acusações entre ambos na praça pública — incluindo uma declaração do adjunto acusando o ministro de querer mentir à comissão de inquérito à TAP — e a controversa decisão de reportar ao SIS o que o Governo considerou ter sido o roubo de um computador com informação confidencial por parte de Frederico Pinheiro.

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