Candidatos à liderança do PSD acusam Governo de “embuste” e de “assobiar para o ar” face a “inflação galopante”

Agência Lusa , DCT
14 mai, 15:00
Rui Rio em campanha em Leiria (PSD)

Os dois sociais democratas falaram na sede da União Geral de Trabalhadores (UGT), em Lisboa, no âmbito do Conselho Nacional dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD)

O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro acusou este sábado o Governo de “assobiar para o ar” e de "insensibilidade social" face à "inflação galopante", defendendo a necessidade de um “programa de emergência social”.

Discursando na sede da União Geral de Trabalhadores (UGT), em Lisboa, no âmbito do Conselho Nacional dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD), Luís Montenegro começou por fazer um balanço dos últimos seis anos de governação liderada pelo primeiro-ministro, António Costa.

Seis anos depois, o que é que ele tem para dar ao país? Não temos bancarrota, é verdade. Um pântano, já é assim um bocadinho mais duvidoso, porque vamos tendo aqui algumas situações pantanosas. Agora, já sabemos que temos a maior carga fiscal de sempre: nunca os portugueses pagaram tantos impostos como pagam hoje”, frisou.

O antigo líder da bancada parlamentar do PSD sustentou que o tema da carga fiscal é “muito, muito, muito atual” porque, apesar de os portugueses darem ao Estado "a maior parte" dos seus recursos, os serviços públicos "sofreram o maior desinvestimento desde o 25 de abril", e porque se vive “um drama que, quem defende os trabalhadores (…) não pode ignorar”.

“Nós temos um processo inflacionista galopante que não começou agora, já começou em agosto do ano passado. É um processo que já se tinha iniciado (…) mas que se está a avolumar, e o Governo está a assobiar para o ar, o Governo não está a ter sensibilidade social para olhar para este drama que vai chegar à vida quotidiana, que já está a chegar à vida quotidiana dos portugueses”, frisou.

Apelando a que tanto o PSD como os TSD estejam “na linha da frente da denúncia” e “da exigência de respostas ao Governo” face à subida dos preços, Montenegro sublinhou que, apesar de o Governo estimar uma taxa de inflação de 4% para 2022, esse valor “não tem a mesma repercussão consoante os setores e os bens” abordados.

Acrescentando à inflação “os efeitos que vêm aí a caminho com o aumento das taxas de juro nos empréstimos à habitação e nas prestações sociais”, Montenegro defendeu que o país está “perante uma crise social iminente”.

Há muitas famílias que não vão ter rendimentos para pagar as despesas básicas do dia a dia, há muitas famílias que trabalham que vão ter dificuldade em poder suprir as despesas que estão indexadas àquilo que é o seu quotidiano”, perspetivou.

Montenegro sustentou que o executivo tem de “antecipar o problema agora”, para “amenizar um pouco o sofrimento” que as pessoas irão atravessar.

O candidato à liderança do PSD sublinhou que é “prioritário que haja um programa de emergência social, que reforce o apoio às famílias mais carenciadas e aos trabalhadores cujo rendimento não vai chegar para pagar as despesas do dia a dia”.

“Eu considero que o não haver hoje um desenho de um programa de emergência social e nacional a propósito dos reflexos da inflação (…) é a demonstração mais cabal da insensibilidade social do PS e do primeiro-ministro, António Costa”, criticou.

Reforçando as críticas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro disse não saber se Costa anda “deslumbrado com as reuniões do Conselho Europeu, com as reuniões com os seus homólogos da Europa” ou “se anda distraído com questões e asneiras” como a “lei dos metadados, da incapacidade que teve de resolver – como era a sua obrigação e como era seu conhecimento - a tempo e horas esse problema”.

“Ele deve andar muito distraído para não olhar para a realidade e o Governo não tem sensibilidade social para ver que a realidade do país exige uma atuação já, imediata”, reiterou.

Moreira da Silva acusa Governo de “embuste” e de dever 1000 ME aos contribuintes

Pouco depois de Montenegro ter discursado, Jorge Moreira da Silva, subiu ao palco para também se dirigir aos TSD. O também candidato à liderança do PSD Jorge Moreira da Silva acusou este sábado o Governo de “embuste” e de ter violado a reforma da fiscalidade verde, encaixando uma receita fiscal de mil milhões de euros, “que tem de ser devolvida”.

Discursando também na sede da União Geral de Trabalhadores (UGT), em Lisboa, Moreira da Silva disse que, em 2015, através dessa reforma, as pessoas “tiveram uma redução do imposto do IRS” de 150 milhões de euros, “através das receitas que foram alcançadas pela taxa do carbono, a taxa dos sacos de plástico, a taxa sobre a deposição de resíduos em aterro, a taxa sobre os recursos hídricos”.

A lógica era tributar mais aquilo que é mau – a poluição - para tributar menos aquilo que é bom - que é o trabalho, o IRS - e funcionou. E até pusemos uma norma - o artigo 50 da reforma da fiscalidade verde - que tornava obrigatória a neutralidade fiscal”, referiu.

Segundo o candidato à liderança do PSD, desde que os socialistas substituíram os sociais-democratas no Governo, em 2015, “isso está a ser violado de forma grosseira”.

Moreira da Silva acusou os executivos do PS de terem mantido a taxa de carbono, mas eliminado a descida do IRS, “encaixando receita”.

“O Governo tem mil milhões de euros que são nossos, que são vossos, e que têm de ser devolvidos. Aquilo que, de uma forma grosseira, foi feito pelo Governo durante os últimos seis anos - que foi violar o artigo 50 da reforma da fiscalidade verde - traduz-se num embuste e numa falta de respeito pelos trabalhadores portugueses”, considerou.

Moreira da Silva defendeu que essa violação da reforma da fiscalidade verde é um desrespeito para com os portugueses “que se levantam cedo e muitas vezes não têm alternativa de transportes públicos senão pegar no carro”, e para com “aqueles que trabalham até tarde e que acham que pagam impostos a mais”.

“Essas pessoas ficam a saber que o Estado, o Governo português, tem quase mil milhões de euros que devia ter sido entregue aos portugueses em descidas do IRS, em descidas do IRC, e em incentivos à mobilidade. Eu acho isto inqualificável, acho uma falta de respeito com os cidadãos portugueses, e acho é tratar-nos de uma forma menor, e acho que é este tipo de coisas que afasta as pessoas da política”, sublinhou.

As eleições diretas para escolher o próximo presidente do PSD realizam-se em 28 de maio e são candidatos anunciados à sucessão de Rui Rio o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o antigo vice-presidente Jorge Moreira da Silva.

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