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"Saneamento político": dois assessores dispensados após apoiarem lista rival de ministra para o congresso do PSD

29 mai, 18:09
Assembleia Municipal de Lisboa
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Este sábado, a concelhia de Lisboa vai votar em duas listas para eleger os delegados para o próximo congresso do PSD. Dois prestadores de serviços do grupo municipal foram dispensados após subscreverem a lista adversária da que é encabeçada pela ministra do Ambiente, mas direção da concelhia rejeita "revanches políticas ou represálias”

Há acusações de “saneamento político” no PSD Lisboa. Dois assessores do grupo municipal social-democrata foram dispensados do dia para a noite após declararem apoio a uma lista diferente daquela que é encabeçada pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, para eleger os delegados da concelhia que vão falar no próximo congresso do PSD em junho. 

Bruno Coelho, deputado municipal social-democrata e um dos membros da lista A, que é encabeçada pelo antigo vereador de Carlos Moedas Rui Cordeiro, garante que os dois trabalhadores foram vítimas de um “saneamento” e que lhes foi dito para “não se apresentarem mais ao serviço após terem sido anunciados como membros da lista”.

Ricardo Mexia, presidente do PSD Lisboa, confirmou a demissão dos dois trabalhadores, sublinhando que o trabalho na Assembleia Municipal é “político” e “às vezes existem mudanças na confiança política”. Já fonte próxima da ministra do Ambiente garantiu que a governante desconhece por absoluto o caso e que apenas aceitou o convite feito por Ricardo Mexia para encabeçar a lista.

A retirada dos prestadores de serviços aconteceu esta semana e, ao que a CNN Portugal apurou, a documentação para oficializar essa decisão já chegou aos serviços da Câmara Municipal de Lisboa. A ordem foi dada por Liliana Fidalgo, atualmente a presidente do grupo social-democrata na Assembleia Municipal de Lisboa e um dos nomes que constam na lista encabeçada pela ministra. Os trabalhadores foram também impedidos de entrar nos respectivos gabinetes.

À CNN Portugal, Liliana Fidalgo refere que o gabinete de apoio ao trabalho do grupo de eleitos do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa é “composto por pessoas de estrita confiança pessoal e política”. “Logo, quando esses pressupostos são colocados em causa, não se justifica a manutenção dessa colaboração”, explica, salientando que o “uso do gabinete de trabalho para atividade política fora do âmbito da AML, não é uma prática que possa ser aceite”.

Além disso, acrescenta a também deputada do PSD, “é abusivo e ilegítimo confundir tal facto como revanches políticas ou represálias”. “O PSD é um partido plural e assim se reflete na composição da nossa bancada”. “É precisamente essa pluralidade que exige de todos os seus deputados e assessores um rigor acrescido no uso dos meios que Lisboa coloca ao seu serviço”.

Também dentro das estruturas laranjas na capital aponta-se uma divisão grande na Assembleia Municipal de Lisboa entre pessoas que ainda estão, de uma forma ou de outra, ligadas à anterior liderança de Luís Newton e de opositores desse legado. Um antigo dirigente do PSD sublinha que essa divisão é sinal da “fragilidade de Carlos Moedas”. “Quando se detém autoridade, este tipo de situações não acontecem”.

As eleições vão decorrer este sábado para escolher os delegados da concelhia de Lisboa que vão falar no próximo congresso do PSD, que vai decorrer entre 20 e 21 de junho. O deputado municipal Bruno Coelho sublinha também que a presença da ministra na lista adversária é sinal de que a eleição “será renhida”. E sublinha que Maria Graça Carvalho é “completamente alheia” a estas decisões na estrutura lisboeta. 

Por outro lado, garante que o objetivo da criação de uma lista adversária aconteceu como uma forma de “um conjunto de militantes fazerem questão de não estarem envolvidos com uma lista influenciada por Luís Newton”, que está acusado de crimes de corrupção na sequência do processo Tutti Frutti. “Temos um PSD Lisboa que continua fortemente dependente de um acusado”, diz aquele deputado municipal, que aponta para o facto de Liliana Fidalgo ter sido chefe de gabinete de Newton. 

Também este sábado o PSD vai reeleger Luís Montenegro como presidente do partido, sendo candidato único a um novo mandato de dois anos e sem eleições no horizonte. 

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