Hugo Soares acusa Ventura de romper acordo laboral: “Cedeu às pressões das redes sociais”

Carla Moita , com Redação
20 jun, 19:25
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O secretário-geral do PSD diz que o líder do Chega tinha fechado um entendimento com os sociais-democratas sobre a reforma da legislação laboral, mas voltou atrás na véspera da votação ao insistir na descida da idade da reforma. Em entrevista à CNN Portugal, à margem do congresso do PSD, Hugo Soares afastou novas negociações sobre o diploma, mas garantiu que o Governo continuará a procurar entendimentos no Parlamento, incluindo para o Orçamento do Estado

Hugo Soares responsabilizou este sábado André Ventura pelo chumbo da reforma laboral no Parlamento e acusou o presidente do Chega de ter rompido um acordo que, segundo o líder parlamentar do PSD, estava fechado na quinta-feira.

Em entrevista à CNN Portugal, à margem do congresso do PSD, em Anadia, Hugo Soares disse que André Ventura anunciou publicamente ganhos negociais obtidos junto do Governo, nomeadamente sobre férias, trabalho por turnos e amamentação. “Não levará a mal a expressão mais ligeira: não sou tolo”, afirmou o secretário-geral do PSD, defendendo que só deu o acordo como garantido depois de ouvir Ventura no Parlamento. “O André Ventura disse: graças a mim, os portugueses vão ter mais três dias de férias. E não disse isto como estou a dizer, disse isto aos berros.”

Segundo Hugo Soares, a questão da idade da reforma era conhecida pelo Chega como uma “linha vermelha” para o PSD. “Nós não pomos em causa as pensões dos portugueses. E ele sabia isso”, afirmou. O dirigente social-democrata acusou ainda Ventura de ter voltado a essa exigência “na noite de quinta para sexta-feira” e de ter cedido “às pressões das redes sociais”.

O líder parlamentar do PSD sustentou também que houve desconforto dentro da própria bancada do Chega. “Os próprios deputados do Chega não se levantaram para votar ao lado de André Ventura”, afirmou, acrescentando que os deputados do partido terão percebido “à última hora” que iam votar de forma diferente do que esperavam.

Apesar do episódio, Hugo Soares recusou fechar a porta ao diálogo parlamentar com o Chega. O dirigente do PSD admitiu que o caso torna o processo mais difícil, mas lembrou que o Governo tem uma maioria relativa e precisa de negociar tanto com o Chega como com o PS. “Eu não posso eximir-me à minha responsabilidade. O país escolheu um Governo de maioria relativa e escolheu que o PSD, para governar no Parlamento, tivesse de negociar com o Partido Socialista e com o Chega”, disse.

Sobre a reforma laboral, Hugo Soares foi taxativo: “Neste momento não há nem haverá nenhuma negociação em curso sobre a legislação laboral”. Ainda assim, defendeu que o Governo não deve abandonar o “ímpeto reformista” e insistiu que Portugal precisa de mudanças para aumentar a competitividade, melhorar salários, abrir o mercado de trabalho aos jovens e conciliar melhor a vida profissional com a vida pessoal. “Portugal é o antepenúltimo país da OCDE com maior rigidez na legislação laboral”, afirmou, defendendo que o PSD não foi eleito para “deixar tudo na mesma”. “Se for para deixar tudo na mesma, então governam os socialistas, que nisso são muito melhores do que nós. Nós viemos para mudar.”

Questionado sobre o Orçamento do Estado, Hugo Soares garantiu que o Governo vai negociar “com todos os partidos” e disse acreditar que haverá “bom senso” para aprovar um orçamento “para os portugueses”. O líder parlamentar do PSD afirmou ainda não acreditar que o país esteja no início de uma crise política. “O tema da crise política é tão etéreo que só serve mesmo para alimentar jornais e comentadores”, disse. Hugo Soares acrescentou que está convencido de que “não há razão nenhuma” para a legislatura não chegar ao fim.

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