Governo e PS atacam “caridadezinha” do PSD e legado social de Passos Coelho

Agência Lusa , PF
13 set, 14:19
Ana Catarina Mendes (Lusa/Tiago Petinga)

Perante os deputados do PS, Ana Catarina Mendes apontou também que o desemprego está atualmente “em mínimos históricos, nos 5,9%”, e que “Portugal vai crescer acima da média da União Europeia e da zona euro em 2022 e 2023”

A ministra da Adjunta e dos Assuntos Parlamentares e o líder parlamentar do PS atacaram esta terça-feira o programa de emergência social do PSD, considerando ser baseado no assistencialismo e na “caridadezinhas” e não em políticas de igualdade.

Estas críticas foram proferidas por Ana Catarina Mendes e por Eurico Brilhante Dias no encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, na Nazaré, tendo como base a proposta dos sociais-democratas de concessão de um vale alimentar para os mais carenciados, visando mitigar os efeitos da inflação.

“Uma governação socialista, como aquela que temos vindo a fazer, olha para todas as pessoas e, por isso, as medidas de apoio aos rendimentos, com 125 euros, abrangem cidadãos com 2.700 euros mensais de salário bruto. Os apoios deste Governo abrangem também todas as crianças, com um complemento de 50 euros, e não apenas algumas, como o PSD quer”, declarou a ministra socialista.

Ana Catarina Mendes procurou depois salientar as diferenças “entre a resposta robusta e universal” do seu Governo e o plano de emergência social do PSD.

“Pelo lado do PSD, dá-se agora um vale alimentar. Isto não é solidariedade. Isto é assistencialismo, é caridade e é a forma como não podemos olhar para a sociedade. A resposta dada pela direita é sempre uma resposta de caridadezinha, de empobrecimento”, criticou.

A seguir, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares visou a política educativa seguida por Nuno Crato no Governo de Pedro Passos Coelho, dizendo que a “troika”, no programa de assistência financeira, previa uma redução de despesa na ordem dos 195 milhões de euros no setor da educação.

“Mas [o antigo ministro] Nuno Crato conseguiu ir mais longe e cortou 600 milhões de euros. No primeiro ano da sua governação foram seis mil professores para o fundo de desemprego. Temos agora um problema de falta de professores, mas estamos a dar resposta”, defendeu.

Perante os deputados do PS, Ana Catarina Mendes apontou também que o desemprego está atualmente “em mínimos históricos, nos 5,9%”, e que “Portugal vai crescer acima da média da União Europeia e da zona euro em 2022 e 2023”.

“Não queremos crescer de qualquer forma. Queremos crescer com coesão social”

Antes, também o presidente do Grupo Parlamentar do PS se insurgiu contra as alegadas marcas deixadas no país pelo Governo PSD/CDS-PP de Pedro Passos Coelho, considerando que “tão ou mais grave do que a perda de rendimentos” entre 2011 e 2015, foi a “perda de oportunidades”.

“Pedro Passos Coelho indicou a emigração como solução para os mais jovens. A perda de oportunidades representa sempre perda de qualidade de vida”, disse.

No seu discurso, Eurico Brilhante Dias procurou traçar uma linha de “fratura” ideológica entre o PS e os partidos “da direita democrática” ao nível das conceções de crescimento, salientando que os socialistas têm sempre presente a ideia de coesão social.

“Não somos um partido neoliberal ou conservador. As políticas de igualdade são centrais para um crescimento inclusivo e para o combate aos populismos. As políticas de igualdade não são contraditórias com os objetivos de crescimento social”, sustentou.

Em contraponto, o presidente da bancada socialista manifestou dúvidas de que as políticas de redução generalizada de impostos possam ser encaradas como bala de prata para o crescimento das economias.

“Não queremos crescer de qualquer forma. Queremos crescer com coesão social”, acentuou.

Outra ideia central do discurso proferido pelo líder parlamentar do PS destinou-se a advogar que o atual Governo está a fazer reformas, a par das medidas de caráter mais urgente de combate à inflação.

“Não nos digam que não estamos a fazer reformas”, afirmou.

Neste ponto, Eurico Brilhante Dias destacou iniciativas legislativas do Governo como a revisão da lei dos estrangeiros, a “Agenda para o Trabalho Digno” e o novo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, bem como diplomas da sua bancada com incidência nas associações profissionais e, agora, a criação de um banco de terras para solos sem proprietário desconhecido.

“Temos um Governo e o Grupo Parlamentar do PS reformistas, apesar da atual conjuntura difícil”, frisou o líder da bancada socialista.

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