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CEO da Yunit Consulting

PRR: transformar desafios em oportunidades para a economia portuguesa

23 set 2025, 11:00

A mais recente reprogramação do PRR, anunciada na passada semana pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, não deve ser encarada como sinal de fragilidade, mas como uma prova de pragmatismo. Portugal está a ajustar o plano para garantir que nenhum recurso europeu fica por utilizar, e isso é, em si mesmo, uma boa notícia. Mais do que discutir atrasos ou dificuldades, este é o momento para olhar para a frente e perceber como as empresas podem transformar esta reprogramação numa alavanca de crescimento e competitividade.

A decisão da transferência de verbas não executadas para o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), gerido pelo Banco de Fomento, é um passo importante e estratégico. Com um reforço inicial de 315 milhões de euros, este mecanismo garante que os fundos não ficam por aplicar e que são canalizados para projetos empresariais de inovação, tecnologia e diferenciação produtiva – precisamente a aposta certa para dar músculo às empresas.

O IFIC não é apenas um fundo alternativo. É um instrumento que responde às principais barreiras que travam projetos disruptivos: dificuldade de acesso a financiamento competitivo, riscos elevados de mercado e ausência de soluções específicas para setores estratégicos. Não é por acaso que as primeiras linhas de apoio se concentram em áreas como a reindustrialização, a economia da defesa e segurança e a inteligência artificial nas PME.

E é certo que a execução do PRR tem sido um desafio. Mas é precisamente aqui que se encontra a oportunidade. Mais do que executar verbas, o verdadeiro sucesso do PRR será medido pela capacidade de criar empresas mais inovadoras, internacionais e preparadas para enfrentar os desafios globais. Para isso, é essencial que as empresas alinhem os seus investimentos com as prioridades estratégicas e apresentem candidaturas robustas, capazes de traduzir ambição em resultados concretos.

O momento pede pragmatismo e visão. O Estado tem de garantir clareza, previsibilidade e celeridade nos processos. Mas a transformação dependerá, em última análise, da capacidade do setor empresarial em investir, inovar e conquistar novos mercados.

Se bem aproveitada, esta reprogramação pode ser a resposta que permitirá a Portugal acelerar a modernização económica, tornar as empresas mais robustas, competitivas e exportadoras, e melhorar de forma sustentável o rendimento dos trabalhadores.

O PRR pode ser recordado como apenas mais um programa europeu ou como o catalisador de uma mudança estrutural no nosso tecido empresarial. A escolha é nossa – como empresários, como sociedade e, sobretudo, como país que quer ser protagonista na Europa. Portugal precisa de voz de comando, de execução determinada e de confiança renovada entre Estado e empresas. O futuro constrói-se nas decisões de cada dia. E começa agora.

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