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Apenas 20% dos protetores solares testados são seguros e eficazes

CNN , Sandee LaMotte
19 mai, 09:35
Protetor solar
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Consumidores são frequentemente atraídos por produtos mais caros que atingem níveis de FPS até 100+, alegando bloquear 99% dos raios UVB. No entanto, segundo este estudo, há pouca diferença de eficácia

Está na altura de abastecer-se de protetor solar, mas poucas opções disponíveis nas prateleiras das lojas são simultaneamente seguras e eficazes, segundo um relatório anual do Environmental Working Group (EWG), uma organização sem fins lucrativos de defesa da saúde e do ambiente.

Agora na sua 20.ª edição, o “Guia de Protetores Solares 2026” do EWG analisou 2.784 produtos e concluiu que apenas 550 — cerca de 20% — oferecem proteção segura e eficaz contra os raios nocivos do sol.

O novo guia, divulgado a 19 de maio, lista os melhores protetores solares para bebés e crianças, incluindo os que oferecem uma boa relação qualidade-preço e os principais protetores solares de uso recreativo, destinados a atividades ao ar livre, como desporto ou idas à praia.

Além disso, os consumidores podem encontrar no relatório protetores solares de uso diário com melhor classificação, incluindo hidratantes com fator de proteção solar (FPS) e os melhores bálsamos labiais com FPS.

Para serem recomendados pelo EWG, os protetores solares devem proteger contra os raios UVA e UVB, dois tipos de radiação ultravioleta conhecidos por danificar o ADN e acelerar o envelhecimento da pele. Por questões de risco de inalação, sprays e pós não são incluídos. Os fabricantes não podem reivindicar FPS superior a 50+ nem usar alegações proibidas a nível federal, como “à prova de água”.

Os consumidores são frequentemente atraídos por produtos mais caros que atingem níveis de FPS até 100+, alegando bloquear 99% dos raios UVB. No entanto, segundo o estudo, há pouca diferença de eficácia — um protetor solar 50+ mais barato pode bloquear 98% dos raios.

Em alguns produtos, os valores de FPS podem ainda estar inflacionados. Um estudo revisto por pares realizado por cientistas do EWG concluiu que, em média, os protetores solares forneciam apenas um quarto da proteção UVA e 59% da proteção UVB indicada nos rótulos.

Os protetores recomendados no novo guia também evitam o palmitato de retinilo, uma forma de vitamina A, bem como químicos suspeitos de causar cancro, irritação da pele, reações alérgicas ou danos reprodutivos, problemas no desenvolvimento ou neurotoxicidade.

“O palmitato de retinilo faz parte da família dos retinoides que os dermatologistas recomendam para combater rugas e outros sinais de envelhecimento. Esses produtos vêm com avisos para não expor a pele ao sol”, afirmou Alexa Friedman, cientista sénior do EWG.

“Em 2010, cerca de 40% dos produtos continham palmitato de retinilo”, referiu Friedman. “Hoje esse valor caiu para 3%, o que é uma boa notícia para os consumidores.”

Protetores minerais vs químicos

Dos 550 produtos recomendados pelo EWG, 497 são maioritariamente feitos a partir de minerais que permanecem na pele e desviam fisicamente os raios solares. Como não são absorvidos pela derme, estes protetores causam pouca irritação ou toxicidade.

A FDA aprovou dois minerais para uso em protetores solares — óxido de zinco e dióxido de titânio — que eram conhecidos por deixar um tom esbranquiçado na pele. Novas formulações e opções com tonalidade disponíveis no mercado têm vindo a reduzir esse problema.

Já os protetores solares químicos são concebidos para serem absorvidos pela pele e funcionam através de uma reação química que absorve a radiação ultravioleta e a dissipa sob forma de calor. Durante décadas foram utilizados sem preocupação, mas em 2019 cientistas da FDA concluíram que seis dos ingredientes mais comuns podiam entrar na corrente sanguínea em níveis inseguros após apenas um dia de utilização.

Esses químicos permaneceram no sangue mesmo dias depois da aplicação ter sido interrompida. Dois deles — homosalato e oxibenzona — mantiveram-se na corrente sanguínea acima dos níveis de segurança durante mais de duas semanas.

A União Europeia está a regular o homosalato como potencial disruptor endócrino, uma substância que pode interferir com as hormonas do corpo e causar efeitos adversos no desenvolvimento, reprodução, sistema neurológico ou imunológico.

A oxibenzona é um conhecido disruptor endócrino associado a malformações congénitas, alterações hormonais da tiroide e reações alérgicas na pele. Já foi detetada no leite materno, sangue e urina — um estudo encontrou-a em mais de 97% das amostras de urina nos EUA.

Devido ao seu impacto ambiental, a oxibenzona foi proibida no Havai, Key West (Flórida), Ilhas Virgens dos EUA, Tailândia e outros países. Estudos associam-na ao branqueamento de corais, morte de recifes e danos genéticos na vida marinha.

Nos últimos 19 anos, o número de produtos com oxibenzona caiu de 70% para apenas 5%, segundo o guia de 2026. Ainda assim, apenas 53 protetores químicos foram recomendados.

A indústria, através do Personal Care Products Council, afirmou à CNN que colocar em causa a segurança dos protetores solares prejudica décadas de investigação científica.

“Sugerir que apenas um número limitado de protetores solares é seguro e eficaz desencoraja o seu uso, o que pode prejudicar a saúde pública”, afirmou o cientista-chefe do PCPC, Dr. Jaap Venema.

Já David Andrews, do EWG, defendeu que “a própria FDA, e não o EWG, determinou que 12 dos 16 filtros químicos atualmente no mercado dos EUA não têm dados de segurança suficientes para serem classificados como seguros e eficazes”.

Ação federal atrasada

Em 2019, sob a liderança do comissário da FDA indicado por Trump, Dr. Scott Gottlieb, a agência propôs novas regras para que os fabricantes investigassem a segurança de vários químicos, incluindo oxibenzona e homosalato.

Essas substâncias continuam a ser usadas, mas os estudos pedidos ainda não foram concluídos nem novas regras foram implementadas.

A FDA afirma estar a analisar os comentários públicos recebidos e não prevê prazos definidos para a decisão final.

Apesar da falta histórica de regulação, a FDA anunciou em dezembro a possibilidade de permitir o uso do bemotrizinol, um ingrediente já usado na Europa.

“É um filtro que oferece proteção UVA adequada, não é facilmente absorvido pela pele e tem os dados de segurança mais robustos até à data”, sublinhou Friedman.

Embora a venda de protetores não aprovados pela FDA seja tecnicamente ilegal nos EUA, muitos consumidores compram produtos europeus e asiáticos online.

Mais do que protetor solar

Especialistas defendem que o protetor solar deve ser apenas uma parte da proteção solar. Recomenda-se uma abordagem combinada: roupa adequada, óculos de sol, chapéus de aba larga e evitar o sol entre as 10h e as 16h.

O protetor solar só é eficaz quando aplicado corretamente. A quantidade recomendada é cerca de 30 ml (um copo de shot) para cobrir o corpo.

A aplicação deve ser feita 15 minutos antes da exposição solar e repetida de duas em duas horas, ou após nadar ou transpirar.

As crianças são especialmente vulneráveis: bebés com menos de 6 meses não devem ser expostos ao sol direto. Queimaduras solares na infância podem aumentar o risco de melanoma.

Ignorar desinformação perigosa nas redes sociais

Os especialistas alertam para não acreditar em conteúdos que negam a ligação entre sol e cancro da pele. A radiação ultravioleta é um carcinogénio comprovado.

Os danos podem demorar anos a surgir e levar a cancros de pele graves, como melanoma.

“O melanoma é o cancro mais mortal conhecido”, afirmou a médica Kelly Olino, do Yale Cancer Center.

“É o único tipo de cancro em que, se tiver dois milímetros, já dizemos: isto é sério”, acrescentou.

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