Como o Cazaquistão chegou ao caos e à violência: 7 respostas

6 jan, 18:51

Os violentos protestos no país já levaram o presidente a demitir o Governo, a declarar o estado de emergência e a pedir ajuda aos países da Aliança Militar

PUB

1. Quando e porque começaram os protestos?

O movimento começou no domingo, dia 2 de janeiro, após um aumento do preço do gás natural liquefeito (GNL), na cidade de Janaozen, no oeste do país, antes de se espalhar para a grande cidade regional de Aktau, nas margens do Mar Cáspio.

PUB

A 5 de janeiro, os protestos chegaram a Almaty, o local mais afetado pelos protestos, onde os manifestantes invadiram o aeroporto da cidade, forçaram a entrada em edifícios governamentais e atearam fogo ao principal edifício administrativo da cidade.

Segundo o ministro do Interior, os manifestantes bloquearam estradas e trânsito, "perturbando a ordem pública".

O Cazaquistão, país rico em petróleo, nona maior nação do mundo, atraiu milhares de milhões em investimentos estrangeiros e manteve uma economia forte desde a independência, que aconteceu há 30 anos.

2. Qual foi a resposta do governo?

O Governo tentou acalmar os manifestantes, sem sucesso, ao conceder uma redução no preço do GNL, fixando-o em 50 tenge (0,1 euros) por litro na região, em comparação com 120 no início do ano.

PUB
PUB
PUB

Mas a tentativa não foi suficiente e o presidente do país, Kassym-Jomart Tokayev, demitiu o Governo em exercício. O vice-primeiro-ministro Alikhan Smailov assumirá o papel de primeiro-ministro em exercício até à formação de um novo gabinete.

O estado de emergência foi também declarado até 19 de Janeiro em várias regiões, incluindo Almaty, a capital económica, onde estará em vigor um recolher obrigatório das 23:00 às 07:00 horas, hora local.

3. Quantos civis ficaram feridos?

A polícia já fez saber que dezenas de manifestantes foram mortos durante os ataques a prédios do governo, sendo que mais de 200 pessoas foram detidas. Houve tentativas de invadir edifícios em Almaty durante a noite e "dezenas de agressores foram liquidados", disse o porta-voz da polícia, Saltanat Azirbek.

De acordo com a Reuters, o ministro do Interior afirma que não se sabe quantos civis foram mortos ou feridos.No entanto, as autoridades já anunciaram que mais de 1.000 pessoas ficaram feridas nos protestos e motins, 400 delas hospitalizadas.

PUB
PUB
PUB

4. Há baixas do lado das forças armadas?

Treze elementos das forças de segurança foram mortos durante os protestos, anunciaram as autoridades locais na televisão pública, que dizem ainda que dois dos elementos das forças de segurança foram decapitados. 

Já o canal de notícias estadual Khabar-24, que cita o gabinete do comandante da cidade, avança que 353 polícias ficaram feridos. 

5. Há informações sobre os portugueses no Cazaquistão?

Há cerca de 20 portugueses residentes no Cazaquistão, incluindo oito a viver em Almaty, a cidade mais afetada pelos distúrbios.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, os portugueses estão bem e, até ao momento, "não reportaram qualquer problema de segurança".

Em declarações à CNN Portugal, um português emigrado no Cazaquistão contou que existem confrontos entre manifestantes e agentes da polícia que "degeneram em pilhagem" em lojas e casas.

6. Onde fica o Cazaquistão?

O Cazaquistão é uma das maiores economias da Ásia Central e faz fronteira com a Rússia - com quem mantém laços estreitos de liderança - e com a China. 

PUB
PUB
PUB

No país vive uma minoria ética russa que corresponde a 20% da população de 19 milhões do segundo maior país da antiga URSS. 

As missões espaciais tripuladas pela Rússia dependem do Base de lançamento espacial de Baikonur, no sul do Cazaquistão.

7. Porque estão os russos a caminho?

A aliança militar liderada pela Rússia - a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO) - enviou um "contingente de manutenção da paz" ao Cazaquistão a pedido das autoridades do país.

O presidente do Cazaquistão, Kasim-Yomart Tokayev, apelou na quarta-feira à noite à CSTO para ajudar a pôr fim à agitação em massa, que descreveu como uma "ameaça terrorista".

 

 

Relacionados

Novo Dia CNN

5 coisas que importam

Dê-nos 5 minutos, e iremos pô-lo a par das notícias que precisa de saber todas as manhãs.
Saiba mais

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados