Pelo menos 22 mortos durante protestos contra presença das Nações Unidas na República Democrática do Congo

Agência Lusa , CV
28 jul, 16:34
Congo

Manifestantes saíram às ruas para exigir a retirada da missão da ONU no país

O número de mortos durante os protestos contra a presença da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo (RDC) subiu para 22, segundo as autoridades locais.

O porta-voz do Governo, Patrick Muyaya Katembwe, confirmou, na quarta-feira, a existência de pelo menos 22 vítimas mortais e de 67 feridos, entre os quais alguns graves.

Manifestantes saíram às ruas para exigir a retirada da missão da ONU da RDC (MONUSCO), acusando-a de ineficiência diante da violência que assola o leste do país, onde atuam pelo menos 122 grupos rebeldes, segundo o jornal Barómetro de Segurança Kivu (KST).

"Reitero que a missão está na RDC a convite do Governo para ajudar a proteger os civis e promover a estabilidade", disse o chefe interino da missão de paz das Nações Unidas, Khassim Diagne.

A ONU considerou que o ataque contra as instalações no leste do país, que provocou a morte de três funcionários da organização, pode constituir um crime de guerra.

A alegação foi feita pelo porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, Farhan Haq, que, em comunicado, acrescentou que "qualquer ataque dirigido contra 'capacetes azuis' pode ser considerado um crime de guerra", pelo que pediu às autoridades da RDC que "investiguem este incidente e rapidamente responsabilizem judicialmente os responsáveis”.

A população construiu barricadas em diferentes pontos da cidade, além de acender fogueiras em frente a alguns prédios da ONU, enquanto grande parte dos trabalhadores da organização na província teve que ser retirada.

União Europeia condena o ataque

A diplomacia da União Europeia (UE) condenou esta quinta-feira o “ataque mortal” contra a presença da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Democrática do Congo (RDCongo), apoiando investigações no terreno para “punir os responsáveis”.

“A União Europeia condena veementemente este ataque mortal contra as forças de manutenção da paz e toda a violência na província do Kivu do Norte desde 25 de julho, que resultou na morte e ferimentos de vários civis”, indica uma porta-voz da diplomacia da UE, em comunicado.

Na posição, em nome do Alto-Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, lê-se também que “a UE reafirma o seu apoio ao MONUSCO [missão da ONU na RDCongo] e ao Governo da República Democrática do Congo no seu empenho em investigar estes incidentes e em punir os responsáveis”.

“A UE expressa as suas mais profundas condolências às famílias de todas as vítimas e a MONUSCO, bem como aos governos dos países em causa”, adianta-se na nota.

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