GUIA DE VERÃO || Proteger é a palavra de ordem, mas importa ter em conta o tipo de proteção que cada produto oferece, de modo a que o seu uso seja o mais otimizado possível
Cada vez mais eficazes, mas também cada vez mais difíceis de decifrar: os protetores solares são os eternos aliados do verão - na verdade, do ano todo -, mas o aumento da variedade e da oferta em farmácias e grandes superfícies pode complicar a escolha, sobretudo quando a embalagem vem repleta de siglas, números e sinais.
“Ler corretamente o rótulo de um protetor solar é importante para que as pessoas possam escolher a adequada a si. A proteção solar não é igual para todas as pessoas, mas sim adaptável às necessidades de cada uma”, começa por dizer Adriana Relvas, especialista em Medicina Geral e Familiar e em Medicina Estética.
Para facilitar a vida a quem ainda não escolheu o protetor solar, eis como decifrar um rótulo e escolher o produto mais indicado.
FPS
O fator de proteção solar - o chamado FPS - indica o tempo que a radiação UV (ultravioleta) demoraria a provocar uma queimadura solar na pele protegida com protetor solar em comparação com o tempo que demoraria sem protetor solar. Se for de amplo espectro, é sinal que de o protetor protege contra os raios UVA e UVB (dos quais falaremos mais à frente).
30, 30+, 50, 50+, 100
Segundo a DECO, “a capacidade para defender a pele dos raios UVB é indicada pelo fator de proteção solar, apresentado nos rótulos através das siglas FPS ou SPF (do inglês ‘sun protection factor’). E sobre isto há números que vale a pena conhecer: de um modo simples de entender, “um FPS 30 significa que a pele leva 30 vezes mais tempo a ficar vermelha do que sem proteção”, adianta a médica Adriana Relvas, também membro da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética. E a mesma lógica é aplicada nos outros números: FPS 50 refere-se a uma proteção por 50 vezes mais tempo e o FPS 100 a 100 vezes mais tempo de proteção. O sinal ‘+’ indica que pode haver ainda um pouco mais de proteção: “quantos mais símbolos de ‘+’, maior a proteção”, diz a médica. Mas isto não quer dizer que não seja necessário reaplicar protetor ao longo do dia, sobretudo após mergulhos.
UVA
Os raios UVA têm uma penetração mais profunda na pele e, por isso, podem estar na origem do cancro de pele por exposição solar excessiva e desprotegida, assim como estão associados a alterações prematuras do envelhecimento cutâneo, incluindo a formação de rugas (fotoenvelhecimento) uma vez que penetram mais profundamente na pele.
UVB
Os raios UVB são os responsáveis pelas queimaduras solares e desempenham “o maior papel na causa do cancro de pele”, incluindo o melanoma maligno, diz o site da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.
HEV
Esta sigla, referente a High-Energy Visible light (luz visível de alta energia), indica se o protetor solar dá ou não proteção contra a chamada luz azul, como é o caso da luz de ecrãs, que pode também ser responsável pelo envelhecimento cutâneo. Mas não só: A luz azul tem comprimentos de onda mais curtos do que a luz vermelha ou infravermelha e, por isso, estimula de forma mais rápida e direta a atividade dos melanócitos, que são as células epidérmicas que contêm melanina (proteína responsável pela pigmentação da pele), podendo, com isso, provocar melasma.
PPD
A sigla PPD refere-se a ‘persistent pigment darkening’, escurecimento pigmentar persistente (em tradução livre). Este é um termo frequentemente usado em dermatologia, especialmente para descrever um tipo de reação cutânea usada para medir a eficácia de protetores solares contra os raios UVA. A presença desta sigla num rótulo indica que feito um teste in vivo (em pessoas) para perceber qual o grau de escurecimento pigmentar persistente, sendo, por exemplo, que um PPD 10 indica que a pele protegida demora 10 vezes mais tempo a escurecer sob UVA do que a pele sem qualquer aplicação de protetor solar.
PA
A sigla PA - Protection Grade of UVA - refere-se ao grau de proteção contra os raios UVA. Este sistema é idêntico ao PPD, ou seja, é um teste que mede quanto tempo a pele demora a escurecer quando exposta aos raios UVA com ou sem proteção solar, no entanto, o grau é relatado não com números, mas com ‘+’, sendo que quantos mais ‘+’ forem mencionados, maior é a proteção. Exemplo: um PA++++ tem uma proteção muito mais alta contra os raios UVA do que um PA++.
Filtro químico
Os filtros solares químicos, “são orgânicos, absorvem a radiação e transformam-na em calor”, diz Adriana Relvas, especialista em Medicina Geral e Familiar e em Medicina Estética. É comum nas suas formulações estarem substâncias ativas como benzofenonas e octocrileno, filtros químicos, no entanto, diz a médica, “podem causar irritação em pele sensível e ultrassensível”.
Filtro mineral
Já os protetores solares minerais – também conhecidos como protetores solares físicos – usam filtros UV que bloqueiam os raios solares, refletindo ou desviando a radiação ultravioleta através da criação de uma ‘barreira’ - por isso, é comum os protetores solares químicos serem em creme e deixarem uma ‘cobertura’ branca na pele, a dita barreira. Estes filtros são pequenas partículas dos metais óxido de zinco, dióxido de titânio e, às vezes, óxido de ferro, sendo que os dois primeiros tendem a oferecer uma proteção de amplo espectro. “Bebés, grávidas, pessoas com peles muito reativas e paciente oncológicos devem preferir [os filtros] minerais, que são inorgânicos, que formam uma barreira física”, conclui Adriana Relvas.