Mau tempo: Proteção Civil alerta para o "problema maior": "Os movimentos de massa não são visíveis"

CNN Portugal , HCL
7 fev, 19:31

Proteção Civil regista mais de 10 mil ocorrências e 1.163 desalojados. Há riscos significativos de inundações

A Proteção Civil registou mais de 10 mil ocorrências causadas pelo mau tempo, segundo avançou o comandante nacional Mário Silvestre durante uma conferência de imprensa esta tarde. No balanço, são referidas "10.002 ocorrências que envolveram 35.443 operacionais e 13.870 meios", sendo que os alertas mais frequentes têm sido queda de árvores, movimentos de massa e inundações, disse Mário Silvestre, que reiterou os alertas para as população em locais vulneráveis.

As autoridades deram ainda conta de 1.163 desalojados, sublinhando que o número pode vir a crescer nas próximas horas. "Se tiver de abandonar a casa leve apenas o essencial”, pediu o comandante da Autoridade Nacional de Proteção Civil, destacando que existem riscos significativos de inundações, nomeadamente nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.

"A situação obriga a cuidados redobrados", explicou Mário Silvestre, alargando os alertas aos rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Liz e Guadiana - ainda que esse mesmo risco seja "não tão significativo".  Além disso, o plano de cheias do rio Tejo já chegou ao nível vermelho.

Neste momento, o "problema maior", garantiu o comandante, não é tanto a chuva, mas o "o impacto que a chuva tem nas condições hidrológicas", pedindo à população que "reforce os seus cuidados, nomeadamente ao nível dos deslizamentos de terra, que não são visíveis como as cheias e inundações".

"Os movimentos de massa não são visíveis, um talude ou um muro podem parecer seguros e, num momento, podem cair. Alerto as pessoas que estão perto destas zonas de risco", afirmou o comandante. 

O comandante Mário Silvestre pediu ainda cuidados redobrados a quem vá conduzir à noite. "A condução à noite é extremamente perigosa neste momento, existindo o risco de inundações" agravado pela falta de visibilidade e pela existência de "muitos detritos".

Falando em situações concretas, Mário Silvestre deu conta de que na vila de Camarate, no concelho de Loures (distrito de Lisboa), um movimento de terras causou danos em várias habitações e admitiu a necessidade de terem de ser retiradas cerca de 70 pessoas.

Na Península de Setúbal, na Costa da Caparica, concelho de Almada, foi registado um movimento de massa que afetou três prédios, tendo já sido efetuada a retirada das pessoas e estando em curso a avaliação dos danos.

No Alentejo Litoral, no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, a localidade de Forno da Cal mantém-se isolada, estando o abastecimento às populações a ser assegurado através de embarcações dos bombeiros.

Já no distrito de Santarém, na localidade ribeirinha de Valada, no concelho do Cartaxo, decorrem neste momento trabalhos de reforço no dique, estando a intervenção a ser monitorizada para evitar eventuais falhas na estrutura.

Atualmente, estão ativados sete planos distritais de emergência, 92 planos municipais e encontram-se em vigor 17 situações de alerta.

Relativamente a conselhos à população, Mário Silvestre alertou para os riscos da condução noturna, sobretudo em zonas inundáveis, devido à presença de lençóis de água pouco visíveis, e advertiu ainda para os riscos na orla costeira, face à agitação marítima elevada e ao arrastamento de objetos para as vias rodoviárias.

A Proteção Civil recomendou ainda que a população não atravesse estradas inundadas, evite túneis, passagens inferiores, ribeiras e vales, permaneça em locais elevados e seguros e, em casa, mantenha portas e janelas fechadas, desligando o gás e a eletricidade sempre que existam condições de segurança.

Mário Silvestre advertiu também para os riscos associados aos trabalhos de reparação de telhados, lembrando que têm sido registadas quedas em altura, algumas das quais com vítimas mortais, apelando a cuidados redobrados neste tipo de intervenções.

Questionado ainda sobre mensagens nas redes sociais, algumas em páginas sobre clima, sobre a possibilidade de ocorrerem fenómenos como o ‘sting jet’ (forte corrente descendente), o comandante nacional ressalvou não ter qualquer indicação de que tal possa acontecer.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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