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Já são conhecidos os 10 finalistas do Global Teacher Prize

15 mai, 16:49
Crianças na escola
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O vencedor vai receber 30 mil euros

Já são conhecidos os dez finalistas para o Global Teacher Prize de 2026.

Trata-se da versão nacional do prémio mundial Global Teacher Prize, também conhecido como Nobel da Educação, uma iniciativa que mobiliza docentes de mais de 120 países, com o objetivo de celebrar e reconhecer o papel dos professores em todo o mundo. A edição portuguesa do Global Teacher Prize elege, em cada ano, “uma professora ou professor particularmente inspirador que, em Portugal, se tenha distinguido pelo contributo para o desenvolvimento dos jovens, da comunidade e da profissão”. O vencedor recebe 30 mil euros, “uma parte destinada a replicar ou amplificar o impacto da solução proposta, e outra parte para uso pessoal”.

Esta é a lista de 10 finalistas, por ordem alfabética, mas pode obter mais informações aqui:

Ana Cláudia Vieira Fontão - Professora na EB1 de Quarteira, do Agrupamento de Escolas Dra Laura Ayres. Acredita que “arte é a linguagem mais autêntica de conexão humana”. A sua prática pedagógica desenvolve-se a partir da educação artística, integrando o teatro, as artes plásticas e a expressão criativa como ferramentas centrais de aprendizagem.

Ao longo do seu percurso, tem implementado projetos com forte ligação à comunidade educativa, como “Espreitar a Escola”, que promove a articulação entre ciclos através de oficinas dinamizadas por alunos, e “Nós não somos artistas, mas encaixamo-nos”, desenvolvido em contexto PIEF, com enfoque na expressão artística e na economia circular. Estes projetos têm reforçado a inclusão, a autoestima e o envolvimento dos alunos na aprendizagem.«

Atualmente, no 1.º ciclo, o seu trabalho centra-se na valorização da educação artística como base para o desenvolvimento da criatividade, da autonomia e da confiança dos alunos, promovendo uma escola mais inclusiva, participativa e ligada à comunidade.

Se vencer o prémio, Ana Cláudia irá concretizar um projeto de impacto sistémico através da criação do Espaço Oficina, um laboratório dedicado à literacia artística e ao empreendedorismo no 1.º Ciclo.

Anabela da Conceição Ferreira dos Santos Morte - Educadora de infância no Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira. Desenvolve a sua prática na área da intervenção precoce, com enfoque na capacitação de famílias e na educação inclusiva.

É formadora em ações no domínio da intervenção precoce e da educação inclusiva, tendo dinamizado iniciativas de consultoria colaborativa e formação de educadores no âmbito de centros de formação e projetos comunitários.

O seu trabalho destaca-se pela articulação entre escola, família e comunidade, promovendo práticas colaborativas que reforçam o desenvolvimento infantil e a inclusão educativa desde a primeira infância. Entre os projetos que desenvolveu, destaca-se a “Escola de Pais”, criada na Biblioteca Municipal de Olhão, onde promoveu sessões abertas à comunidade sobre desenvolvimento infantil, inclusão, linguagem, sono e o papel do brincar, envolvendo famílias, educadores e técnicos num espaço de aprendizagem e capacitação conjunta. Um dos seus grandes objetivos passa por capacitar os colegas com estratégias práticas para responder às necessidades específicas de cada criança e respetivas problemáticas, incentivando abordagens reflexivas que tornem a prática docente mais humana e qualificada.

Se vencer o prémio, Anabela pretende criar uma rede de suporte ao desenvolvimento neuropsicológico e emocional das crianças do Agrupamento e da comunidade de Olhão através da criação de salas de snoezelen e de calma.

Bruno Filipe Ferreira Estima - Professor de Percursão e disciplinas do ensino especializado da música na Escola de Artes da Bairrada. Vivenciou através de um exemplo próximo que a escola pode ser um ecossistema vivo. Licenciado em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro, desenvolve uma prática pedagógica centrada na criação artística e na aprendizagem em contexto coletivo.

É fundador do projeto CRASSH, um ecossistema pedagógico e artístico baseado na exploração de “tudo o que faz som”, que integra alunos e ex-alunos num modelo de aprendizagem colaborativa. A sua atividade estende-se a colaborações com instituições como a Casa da Música e o Tokyo Bunka Kaikan, bem como à curadoria de projetos e festivais de caráter artístico e educativo, promovendo a ligação entre ensino, criação musical e intervenção comunitária.

A sua metodologia procura reinventar a aula tradicional de instrumento como um espaço de experimentação artística e humana, promovendo simultaneamente o espírito de grupo nas classes de conjunto. A música surge, na sua abordagem, como um veículo de criatividade, expressão, identidade e liberdade individual ao serviço do coletivo e da comunidade.

Caso vença o prémio, Bruno pretende investir num projeto de alcance nacional que assinala duas décadas de ensino e performance, celebrando os 20 anos do CRASSH, em 2026/2027.

Clara Sofia Torres Gomes - Professora de português e francês no Agrupamento de Escolas D. Afonso Sanches. Dedica o seu percurso à promoção da literacia e da inclusão educativa através de práticas sustentadas pela investigação científica.

Doutorada em Ciências da Educação e especialista em dificuldades de aprendizagem, é fundadora da cooperativa Descolar que tem como missão promover o sucesso educativo, apoiando crianças, famílias e escolas através de abordagens diferenciadas, inclusivas e cientificamente validadas.

Ao identificar uma lacuna ao nível da consciência fonológica, criou o projeto “Sagas de Claire”, um programa inovador que integra videojogo, jogos pedagógicos e literatura infantil para desenvolver competências de leitura em crianças desde a educação pré-escolar. Implementado em diferentes contextos educativos e utilizado por mais de mil crianças, o projeto tem vindo a destacar-se pelo trabalho desenvolvido na prevenção das dificuldades de leitura, na formação de professores e na criação de ferramentas educativas acessíveis e cientificamente sustentadas.

Caso vença o prémio, Clara pretende expandir o alcance do projeto Sagas de Claire, proporcionando a um número crescente de crianças oportunidades de aprendizagem envolventes, significativas e transformadoras.

Daniel António Pires Teixeira - Professor de Educação Visual e Educação Tecnológica no Agrupamento de Escolas de Benavente. Tem como missão formar cidadãos inteiros - autónomos, críticos e solidários, procurando ensinar, acima de tudo, presença, ética, cooperação e sentido de comunidade. Através deste olhar, criou o projeto “ DoTamanhoDoMundo”, uma iniciativa pedagógica centrada na ligação entre escola e comunidade. Desenvolve uma prática educativa baseada em contextos reais de aprendizagem, promovendo projetos intergeracionais, ações comunitárias e experiências educativas abertas, envolvendo alunos, famílias e diferentes agentes sociais.

Na perspetiva do professor Daniel, “quando um aluno descobre que o seu potencial é DoTamanhoDoMundo, a escola deixa de ser obrigação e passa a ser possibilidade. Ao prepararmos alunos éticos e responsáveis, garantimos uma sociedade capaz de enfrentar desafios globais com esperança.”.

Se vencer o prémio, Daniel  irá expandir o projeto “DoTamanhoDoMundo” através da criação de recursos pedagógicos, formação de professores, apoio a projetos-piloto e iniciativas de inclusão cultural, com o objetivo de transformar o protagonismo de alunos e docentes num movimento de inovação educativa à escala nacional.

David Pedro Santos Miguel - Professor de Análise e Técnicas de Composição na Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra. Sente-se feliz e realizado através da partilha de conhecimento, da construção de personalidades e das relações que estabelece que estão assentes no respeito e na confiança.

Formador na área da música, destaca-se pelo desenvolvimento de ações de formação que exploram o heavy metal como expressão artística de elevada riqueza estética, técnica e cultural, aproximando-o da música clássica. Através deste trabalho, promove reflexões sobre diversidade, inclusão, motivação e mediação de jovens, incentivando práticas pedagógicas rigorosas e inovadoras que já impactam professores e alunos em várias escolas do país.

Consciente dos desafios do sistema educativo no que diz respeito ao reposicionamento da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem, o professor David acredita que a mitigação dos riscos associados à avaliação com recurso à inteligência artificial passa pelo reforço da dimensão humana em sala de aula, valorizando a comunicação, a oralidade, a avaliação presencial, o feedback imediato e o domínio efetivo dos conteúdos.

Se vencer o prémio, David irá concretizar o projeto “Riffonia”, um estágio orquestral para alunos de música que cruza repertório clássico com rock e metal, promovendo uma experiência artística inovadora.

Fernanda Cristina Correia Diogo - Professora de História na Escola Secundária Dr. José Afonso. Desenvolve uma prática pedagógica centrada em metodologias ativas e na participação dos alunos. Através de metodologias de aprendizagem centradas no aluno e não na mera transmissão de conteúdo, promove o pensamento crítico, autonomia, criatividade, responsabilidade e cidadania ativa nos alunos.

Através do projeto “Viagens com História” garante a inclusão de todos os alunos através da partilha e avaliação entre pares, em que os participantes em viagens internacionais apresentam os conhecimentos adquiridos aos colegas e estes dinamizam atividades equivalentes em visitas nacionais, assegurando equidade no acesso às experiências educativas.

Coordenou o Projeto Parlamento dos Jovens e integrou o Projeto Euroescolas, promovendo o envolvimento dos alunos em experiências de cidadania e participação democrática, com representação regular em fases distritais e nacionais.

O seu trabalho valoriza a aprendizagem pela experiência, através de debates, apresentações e atividades de investigação, defendendo a História como ferramenta essencial para a formação de cidadãos críticos e interventivos.

Caso vença o prémio, Fernanda pretende possibilitar experiências como o projeto “Viagens com História” a alunos com menos possibilidades económicas ou promover as áreas artísticas como o teatro e a música.

Hugo Miguel de Almeida Pais de Carvalho - Professor no Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, no Ensino Profissional de Multimédia e coordenador do Centro Tecnológico Especializado Industrial. Acredita numa abordagem pedagógica assente em três eixos: “equipas interanos, com mentores entre os alunos, modelo escola-empresa e avaliação multidimensional”.

Desenvolve uma prática pedagógica centrada na aprendizagem em contexto real, integrando escolas e empresas através de projetos aplicados. É coordenador do projeto PIGO, reconhecido pela Comissão Europeia como boa prática educativa no âmbito do URBACT. O seu trabalho tem sido acompanhado por investigação na área da inovação no ensino profissional, focando a preparação dos alunos para o ensino superior e para o mercado de trabalho através de modelos pedagógicos imersivos e baseados em projetos reais. Através destes modelos pedagógicos, o professor Hugo afirma que se verificam mudanças rápidas nos alunos que chegam desmotivados e com uma visão negativa do ensino profissional. Esta transformação é visível através do aumento significativo da motivação, do foco e das expectativas em relação ao futuro – tanto para os alunos, como para os pais e para a própria sociedade.

Caso vença o prémio, o professor Hugo irá criar um Centro Tecnológico Especializado de Multimédia para a Comunidade, integrado na Incubadora de Empresas de Albergaria, que aproxima a escola do tecido empresarial local através do desenvolvimento de projetos reais para start-ups e empresas da região.

Margarida Cristina Magalhães Seixas - Professora de Tecnologias de Informação e Comunicação e Eletrónica Fundamental na Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Licenciada em Engenharia Eletrotécnica, com profissionalização em Matemática, Informática e Eletrotecnia, esteve envolvida na criação de quatro laboratórios de eletrónica e participou na implementação do Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática e na criação do Laboratório de Ideias, projetos centrados na aprendizagem prática, interdisciplinar e na inovação tecnológica. Desenvolveu ainda Recursos Educativos Digitais (RED), incluindo a “Academia Digital de Eletrónica”, o RED “Multidisciplinar”, o RED “Boas Práticas” e o RED “Literacia Financeira”, promovendo a partilha de recursos pedagógicos.

Integra projetos de transformação digital e melhoria contínua da escola e participa em iniciativas como a Camilo TV, o circuito interno de TV, o anuário, o Museu Virtual e projetos ambientais como Eco-Escolas, Escola Azul, Green Cork, Escola Eletrão e “Separa e Ganha”, promovendo a inovação, a comunicação e a sustentabilidade.

Caso vença o prémio, a professora Margarida irá criar um Espaço Multissensorial de Aprendizagem Imersiva, que integra conteúdos curriculares, simulações práticas e desenvolvimento socioemocional em ambiente digital, promovendo a aprendizagem, o bem-estar e a inclusão dos alunos, com abertura progressiva à comunidade e a parceiros institucionais.

Marisa Augusta Moreira Teixeira - Educadora de infância no Agrupamento de Escolas de Alpendorada. Vê “o Jardim de Infância não apenas como um espaço de recreação, mas como um laboratório de cidadania.”

Está envolvida em projetos de inovação pedagógica no pré-escolar como “Seguros desde pequeninos”, centrado na educação para o risco, “Da Pré-História ao Pré-Escolar”, que integra literacia, geologia e prevenção sísmica, e “De Mim para Ti”, um projeto solidário de promoção da empatia.

Desenvolve ainda o Clube Ciência Viva com “Charcos” e “Hortas de Aromáticas”, e iniciativas de literacia como a “Pinhata das Palavras”, promovendo a investigação científica e o desenvolvimento da linguagem desde a primeira infância. O seu trabalho articula-se também com entidades como a Proteção Civil, Bombeiros e Polícia Municipal, reforçando a ligação entre escola e comunidade.

Caso vença o prémio, a professora Marisa irá criar um Ecossistema de Aprendizagem Ativa e Cidadania, através da implementação de um Parque Pedagógico de Educação Rodoviária e Autoproteção, do reforço do Clube Ciência Viva e da Literacia Digital com equipamentos de investigação científica, e da expansão do projeto “De Mim para Ti” com a criação de um Estúdio de Expressão e Comunicação dedicado às artes e à produção cultural.

Para a professora Marisa, educar na infância é “construir os alicerces de cidadãos confiantes, sensíveis e resilientes, capazes de transformar o mundo num lugar mais seguro, mais justo e mais humano.”

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