"Good girls go to heaven, bad girls go everywhere..." Procuradora europeia receia pelo Ministério Público após morte de Joana Marques Vidal e entrevista "inenarrável" de Lucília Gago

CNN Portugal , HCL
9 jul, 20:39

Nas redes sociais, Susana Figueiredo, procuradora do processo Vistos Gold, diz que a morte de Joana Marques Vidal e a entrevista de Lucília Gago à RTP carregam um "simbolismo que vai muito além da perda de uma boa magistrada". "Receio bem que um certo Ministério Público, de que sempre me orgulhei de integrar, esteja a desaparecer"

A procuradora europeia Susana Figueiredo, um dos rostos da investigação do processo Vistos Gold, teceu várias críticas à entrevista que Lucília Gago deu à RTP esta segunda-feira, tal como ao atual estado do Ministério Público. Numa publicação no Facebook, a magistrada garantiu que a prestação da procuradora-geral da República foi "inenarrável". 

Sob o mote "good girls go to heaven, bad girls go everywhere... ("as boas raparigas vão para o céu, as más vão para todo o lado"), Susana Figueiredo refere que a morte da ex-PGR Joana Marques Vidal "encerra em si mesmo um simbolismo que vai muito além da perda de uma boa magistrada e colega que se revelou uma excelente PGR que sempre acompanhou de perto, apoiando e responsabilizando os seus titulares nos processos mais melindrosos e difíceis". "Experienciei tal apoio, respaldo e responsabilização na primeira pessoa", constata.

"Receio bem", afirma, por sua vez, "que um certo Ministério Público, de que sempre me orgulhei de integrar, esteja a desaparecer em parte por uma aparente implosão auto-gerada e oportunisticamente aproveitada", "por uma banda", "por aqueles para quem o MP sempre foi um incómodo a eliminar e, por outra, por aqueles outros que, arvorando-se em seus aparentes defensores, mais não fazem senão galgar o discurso populista do lei e ordem", sublinha.

Os comentários da antiga procuradora do Departamento Central de Ação e Investigação Penal de Lisboa surgem após ter sido conhecida a morte de Joana Marques Vidal, a primeira mulher a liderar a Procuradoria-Geral da República, entre 2012 e 2018. Mas também após a sucessora de Marques Vidal, Lucília Gago - que está em fim de mandato - ter dado uma entrevista a denunciar a existência de uma “campanha orquestrada” contra o MP, implicando as palavras da ministra da Justiça nesse contexto de ataque à sua magistratura.

“É muito direto e incisivo, dizendo que nos últimos tempos houve perda de confiança imputável ao MP e à atual liderança que o PGR exerce. É uma declaração extraordinária, que imputa ao MP a responsabilidade pelas coisas más que acontecem no território da justiça, coisa que rejeito em absoluto”, concluiu Lucília Gago.

Na recente entrevista ao Observador, Rita Alarcão Júdice disse que era preciso mudar algo no MP para reforçar a credibilidade e que um “novo procurador-geral tem de pôr ordem na casa” e revelar capacidade de gestão e de liderança.

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