Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje: porque procrastinamos e como podemos melhorar

14 jan, 12:00
Stress (Pexels)

A procrastinação pode afetar a nossa vida de diferentes formas - quer aumentando os níveis de stress, quer comprometendo o nosso desempenho profissional ou até mesmo prejudicando as nossas relações pessoais

Entregar o IRS só no último dia do prazo. Deixar as compras de Natal para os últimos dias. Terminar um trabalho mesmo em cima da hora. Adiar até ao limite uma tomada de decisão. Todos passamos por fases em que somos menos produtivos ou em que tendemos a ser mais preguiçosos. E depois, invariavelmente, sentimo-nos culpados. A verdade é que a procrastinação pode afetar a nossa vida de diferentes formas - quer aumentando os níveis de stress, quer comprometendo o nosso desempenho profissional ou até mesmo prejudicando as nossas relações pessoais. Mas é possível mudar isso.

O que é procrastinar?

"Pode dizer-se que procrastinar significa deixar para depois algo que poderia ser feito agora. É, então, adiar algo, atrasar uma tarefa, uma decisão, um compromisso ou uma atividade, o que é habitualmente associado a um sofrimento psicológico", explica à CNN Portugal Ângela Rodrigues, psicóloga e psicoterapeuta.

Se sabemos que não podemos fugir a uma determinada tarefa, porque a adiamos?

"Procrastinar dá-nos um conforto temporário diante de uma tarefa aversiva", explica a psicóloga. "No entanto, podem existir diferentes motivos para que isso aconteça. Há pessoas que devido à sua desorganização têm dificuldade em dar início a qualquer coisa. Algumas pessoas são muito perfeccionistas e devido à preocupação com a sua própria capacidade de fazer tudo corretamente vão adiando, por insegurança e medo de falhar. Há ainda quem não queira mesmo realizar determinada tarefa. Um outro motivo prende-se com o facto de perspetivarmos que temos de fazer tudo de uma vez para alcançarmos determinado objetivo, o que, por vezes, parece difícil e nos dá a sensação de que está longe sendo quase inatingível."

Ou seja, normalmente adiamos uma tarefa porque não gostamos dela ou porque temos medo - de falhar ou de não sermos perfeitos. Se não fizermos nada, não temos como errar. Isto é, obviamente, uma armadilha psicológica, porque a verdade é que não temos como escapar.

Quais as consequências da procrastinação?

De acordo com Ângela Rodrigues, "procrastinar dá um conforto temporário no momento. Contudo, para além de depois poder gerar culpa, insatisfação e stress, pode também comprometer o desempenho das tarefas".

Isto é, sabemos que só quando terminarmos uma tarefa é que nos podemos livrar dela, mas, no entanto, insistimos em adiá-la e isso acaba por nos causar ainda mais ansiedade. Cada vez que pensamos na tarefa e não a realizamos, estamos a desperdiçar tempo. Sabemos que temos a capacidade de decidir como ocupar o nosso tempo, mas escolhemos fazer outra coisa - e o stress aumenta.

Além disso, este tipo de comportamento "pode afetar o profissionalismo, o atingirmos o nosso potencial máximo uma vez que esta dificuldade de gestão, em especial de tempo, pode dificultar o cumprimento de prazos, objetivos e metas. Isso pode comprometer as minhas relações, posso começar a ser visto como uma pessoa irresponsável e perder a confiança dos outros".

Que estratégias podemos usar para deixar de procrastinar?

O primeiro passo é, obviamente, analisar o nosso comportamento e tentarmos perceber porque é que temos tanta dificuldade em completar determinadas tarefas. A autoanálise é essencial para conseguir mudar.

O segundo passo é aceitar que, por vezes, temos mesmo de fazer coisas de que não gostamos. E também temos de aceitar que não somos perfeitos e que temos de arriscar falhar.

Para tal, estes são os conselhos da psicóloga Ângela Rodrigues:

  • Organizar o nosso horário de acordo com as nossas tarefas (detalhadamente)
  • Criar uma programação para cada dia
  • Estabelecer metas claras e objetivas
  • Celebrar os pequenos sucessos evitando ver o objetivo final como distante e percebendo o que já se foi alcançando no caminho percorrido
  • Criar rotinas
  • Tentar fazer as coisas quando surgem

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