Vice-presidente do Parlamento Europeu fica em prisão preventiva

Agência Lusa , AM
11 dez 2022, 14:15
Eva Kaili (Associated Press)

Eva Kaili não pode beneficiar da sua imunidade parlamentar porque o crime de que é acusada foi detetado "em flagrante delito" na sexta-feira

A vice-presidente do Parlamento Europeu Eva Kaili e três outras pessoas ficaram em prisão preventiva depois de terem sido acusadas e detidas, na Bélgica, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção relacionadas com o Catar no seio desta instituição, indicou fonte judicial. Outras duas pessoas foram libertadas pelo juiz.

O Ministério Público Federal não forneceu nomes ao anunciar a prisão preventiva de quatro das seis pessoas presas nas últimas 48 horas, de acordo com o que avançou fonte judicial à agência de notícias francesa France Presse.

Quatro pessoas foram presas após serem indiciadas por um juiz de instrução de Bruxelas por "pertencerem a uma organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção", informou a procuradoria federal em comunicado à imprensa.

Segundo adiantou uma fonte judicial à France Presse, Eva Kaili é uma das quatro pessoas detidas que fica em prisão preventiva, não podendo beneficiar da sua imunidade parlamentar porque o crime de que é acusada foi detetado "em flagrante delito" na sexta-feira, explicou a mesma fonte.

Esta fonte confirmou ainda os relatos da imprensa de que Kaili estava na posse de "sacos de bilhetes" na noite de sexta-feira, quando a polícia belga a deteve.

O Ministério Público Federal também anunciou ter ocorrido uma busca na noite de sábado na casa de um segundo deputado.

Neste caso “suspeita-se do pagamento de avultadas quantias em dinheiro ou da oferta de presentes significativos a terceiros com posição política e/ou estratégica que permita, no seio do Parlamento Europeu, influenciar as decisões” desta instituição, sublinha o comunicado.

Na noite de sábado, a presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Metsola, havia decidido uma primeira sanção contra Eva Kaili: foi destituída de todas as tarefas delegadas por Metsola, incluindo a de representá-la na região do Médio Oriente.

Eurodeputados de esquerda, incluindo o ecologista Philippe Lamberts em nome do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, exigiram a renúncia de Kaili, excluída do Partido Socialista Grego (Pasok-Kinal) na noite de sexta-feira.

A polícia de Bruxelas realizou na sexta-feira 16 buscas domiciliárias e efetuou as detenções, entre as quais o companheiro de Kaili, atual colaborador ligado ao grupo dos Socialistas e Sociais Democratas no PE.

Segundo os jornais "Le Soir" e "Knack", a polícia de Bruxelas realizou 16 buscas domiciliárias e efetuou as detenções, entre as quais a então vice-presidente do Parlamento Europeu, a social-democrata grega Eva Kaili e o recém-eleito presidente do Confederação Internacional de Sindicatos, o maior grupo de organizações sindicais do mundo, Luca Visentini.

“Há vários meses que investigadores da polícia suspeitam que um Estado do Golfo tenta influenciar as decisões económicas e políticas do Parlamento Europeu”, confirmou na sexta-feira, o Ministério Público Federal belga em comunicado.

Este Estado teria executado esta estratégia através do “pagamento de quantias substanciais de dinheiro, e oferecendo presentes importantes a terceiros, a pessoas com uma posição política ou estratégica importante dentro do Parlamento Europeu", acrescentou.

Embora o Ministério Público belga não mencione explicitamente o Catar, os dois meios de comunicação belgas citam várias fontes que confirmaram que se trata do país que organiza o Mundial de futebol.

De acordo com o “Le Soir”, o objetivo do Catar era defender a sua imagem enquanto organizador desta competição, sobretudo depois da polémica sobre as condições de trabalho dos migrantes, bem como sobre a proteção de direitos humanos neste país.

O Ministério Público confirmou que durante as buscas foram apreendidos equipamentos informáticos, telemóveis e cerca de 600 mil euros em notas.

A presidente do PE, Roberta Metsola, disse no sábado no Twitter que a instituição “mantém-se firme contra a corrupção” e garantiu que vai cooperar “totalmente com as autoridades policiais e judiciárias competentes”.

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