"Não tem problema" se for na Madeira que chega de "não é não"

27 mai, 13:48

Estamos no princípio da incerteza sobre o que vai acontecer na Madeira: o PSD teve o pior resultado de sempre e a direita à direita do PSD só admite um acordo se Miguel Albuquerque sair. E o "Princípio da Incerteza" da CNN Portugal divide-se: se houver acordo entre Chega e PSD na Madeira, isso "não tem nenhum problema", diz Miguel Macedo; isso "não agradaria ao PSD nacional", diz Alexandra Leitão; já Pacheco Pereira, com quem se metem por "causa das iniciais JPP" - de José Pacheco Pereira mas também de Juntos Pelo Povo (o partido que cresceu mais nestas eleições) -, não gosta dessa solução PSD/Chega mas diz que é a única viável

Pode ou não Miguel Albuquerque viabilizar um Governo na Madeira? "Pode apresentar um governo, porque ganhou as eleições oito meses depois das últimas eleições legislativas regionais, mas julgo que temos todos de convir que a situação que sai destas eleições é um pouco mais complexa do que aquela que existia precedentemente", diz Miguel Macedo. Em declarações no programa "Princípio da Incerteza", o comentador da CNN Portugal sublinha que "é razoável antecipar enormes dificuldades para esta maioria", tendo em conta que "estas eleições na Madeira foram muito personalizadas no Miguel Albuquerque".

Sobre a possibilidade dos eventuais parceiros do PSD terem colocado como condição para viabilizar um Governo que Miguel Albuquerque não seja o líder, Miguel Macedo considera que isso "não será possível". "Nem faz muito sentido do ponto de vista político. A situação na região autónoma da Madeira, do ponto de vista da governabilidade e da sustentação de um governo na região autónoma, é verdadeiramente complicada e mais complicada, julgo eu, do que aquela que tínhamos antes destas eleições", afirma, considerando ainda não descartar "a possibilidade terrível, devo dizer, de podermos ter de ir outra vez para eleições daqui a uns meses".

Esta posição é subscrita por Alexandra Leitão, que vê nestas eleições a "a enorme fragmentação que tem vindo a ser a realidade sistemática nos Açores e no Continente". "Essa fragmentação é talvez o sinal maior - sendo que nós temos na Madeira um fator que é totalmente diferente do que se verifica no Continente, que é o JPP. É muita fragmentação, um cenário aparentemente de ingovernabilidade."

Alexandra Leitão diz mesmo que o surgimento do JPP como terceira força política "torna, aliás, os resultados na Madeira absolutamente não extrapoláveis para nível nacional". Quanto à governabilidade, a comentadora lembra que, "na Madeira como em todo o lado no mundo democrático, é ao partido que ganha que compete encontrar soluções". "Agora, também é verdade, como disse o Miguel Macedo, que não podemos descartar a possibilidade de este Governo não durar muito tempo."

Chega de "não é não"?

Pacheco Pereira também aponta para o cenário de ingovernabilidade, lembrando que essa é uma "situação política hoje em Portugal e nas ilhas adjacentes", afirmando que o "Chega é o grande partido perturbador". "Como é que se verificou esse efeito de ingovernabilidade? De duas maneiras. Através de uma erosão dos dois maiores partidos e o aparecimento de um partido perturbador - que é o Chega. Na Madeira, aparentemente, ele não tem o papel tão perturbador como tem, por exemplo, o JPP.  As pessoas metem-se comigo por causa do JPP por causa das minhas iniciais. Mas, na realidade, o Chega é o grande partido perturbador. E, aliás, isso depois vai funcionar como uma pressão sobre o PSD para acabar lá com as linhas vermelhas e o 'não é não' com o Chega. Não é que a solução me agrade, mas a única solução estável que hoje existe à direita é o PSD com o Chega. Estável. Não estou a dizer que tenha mérito ou que tenha vantagem.. Estável. E isso acaba, no fundo, por ser uma das formas de tentar diminuir os efeitos de ingovernabilidade."

O comentador da CNN Portugal adianta ainda que "o caso da Madeira é um caso bastante mais complicado do que a chamada operação Influencer". "E seria muito difícil ao Chega perder essa pseudo-reputação, porque não é uma verdadeira reputação, de ser um partido que não transige com qualquer suspeita de corrupção. E, no caso da Madeira, este governo caiu, entre outras coisas, por causa de um processo que, aparentemente, aparentemente parece muito mais sólido à data da queda do governo da Madeira do que o processo da chamada operação Influencer à data da queda do governo PS, da maioria do PS, sendo que todo o caminho posterior tem, de alguma maneira, diminuído o impacto que esse processo teve, particularmente no primeiro-ministro". 

Questionado sobre o que aconteceria à palavra do PSD nacional se o PSD Madeira aceitasse o Chega como parceiro de governação, Pacheco Pereira lembra que Miguel Albuquerque "já fez uma promessa nas anteriores eleições que não cumpriu" (que só governava se tivesse maioria absoluta) e que, por isso, "vai, com certeza, dizer que isso é uma decisão do governo da Madeira, se isto acontecer". "O que significaria também que Miguel Albuquerque teria de se afastar. Que é uma solução que, apesar de tudo, é uma das raras soluções que podem existir para o impasse governativo da Madeira, que é ele afastar-se e outra pessoa do PSD assumir e, nesse caso, o caminho para as negociações com praticamente todos os outros partidos que disseram que nunca governariam com Miguel Albuquerque ficaria aberto." Mas...: "Acho completamente absurda esta ideia de que é possível fazer uma geringonça na Madeira combinando partidos que a única coisa que têm em comum é dizer que não querem governar com Miguel Albuquerque. E isso é mais que frágil. Admito que só há duas alternativas. Ou o PSD substituir Miguel Albuquerque porque tem aberto uma certa possibilidade de negociação com estes partidos todos à direita ou então haverá novas eleições. Acho que isso é inevitável".

Sobre se a nível de dano reputacional para o PSD nacional caso haja coligação com o Chega, Miguel Macedo diz não ver "nenhum problema". "Nem acho que cause embaraço nenhum partindo do princípio de que devemos respeitar essa autonomia política". Já Alexandra Leitão diz ver com dificuldade essa solução por considerar que, o "se houvesse um acordo com o Chega, isso provavelmente não agradaria ao PSD nacional".

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