Príncipe Harry ilibado de acusações de assédio e racismo em instituição de solidariedade criada pelo próprio

CNN Portugal , BCE
6 ago 2025, 10:11
Harry aparece pela primeira vez em público desde a cimeira real

Duque de Sussex saiu da instituição em março deste ano. Após a renúncia, a presidente da Sentebale tornou pública uma disputa interna que culminou numa investigação a situações de assédio moral e racismo

A Comissão de Solidariedade, o regulador de instituições de solidariedade do Reino Unido, concluiu que não existem provas de assédio moral na Sentebale, uma instituição de solidariedade criada pelo príncipe Harry em 2006 e que levou à renúncia do próprio.

Em causa estão declarações de Sophie Chandauka, a presidente da Sentebale, que acusou em março o Duque de Sussex de "assédio e intimidação em larga escala" pouco depois de o príncipe Harry ter renunciado às funções de patrono na instituição que ajuda  jovens com VIH e SIDA no Lesoto e no Botsuana.

Além do príncipe Harry, também o cofundador da Sentebale, o príncipe Seeiso do Lesoto e os curadores da instituição saíram da instituição na mesma altura.

Depois de a renúncia do príncipe Harry se ter tornado pública, Chandauka acusou-o e aos demais responsáveis de "fazerem o papel de vítima". A advogada resumiu a história apresentando-se como "uma mulher que ousou denunciar problemas de má gestão, abuso de poder, intimidação, assédio, misoginia, misogynoir [discriminação contra mulheres negras] – e o encobrimento que se seguiu".

Num relatório publicado esta quarta-feira, a Comissão da Solidariedade diz não ter encontrado provas de “assédio ou intimidação generalizados ou sistémicos, incluindo misoginia”, mas concluiu que existem falhas na gestão da instituição - nomeadamente há falta de clareza sobre políticas e funções, bem como a inexistência de um processo adequado para lidar com reclamações internas.

Apesar disso, a grande falha detetada pela Comissão de Solidariedade foi mesmo o facto de esta "disputa interna" se ter tornado pública. No relatório, o regulador refere que esta disputa "impactou gravemente a reputação da instituição de solidariedade e arriscou minar a confiança do público nas instituições de solidariedade em geral".

“Os problemas da Sentebale tornaram-se públicos, permitindo que uma disputa interna prejudicasse a reputação da instituição de solidariedade, correndo o risco de ofuscar as suas muitas conquistas e colocando em risco a capacidade da instituição de atender aos próprios beneficiários para os quais foi criada", declarou David Holdsworth, presidente executivo da Comissão de Solidariedade, citado no relatório.

Para o regulador, este caso mostra o que pode acontecer quando existem lacunas na gestão e nas políticas das instituições de solidariedade, podendo colocar em risco as suas capacidades para cumprir o seu desígnio. 

Como resultado desta investigação, a Comissão de Solidariedade emitiu à Sentebale um Plano de Ação Regulatória para implementar as medidas necessárias de modo a corrigir os relatos de má gestão.

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