As incongruências do príncipe Harry no controverso livro de memórias

12 jan, 11:10

 

 

Livro do duque de Sussex já é a obra de não ficção mais vendida de todos os tempos. No entanto, algumas das histórias contadas pelo príncipe são agora colocadas em causa

O livro do príncipe Harry chegou às bancas há apenas três dias (e já é o livro de não ficção mais vendido de todos os tempos), mas há mais de uma semana que faz capas e manchetes de jornais por causa das fugas de informação sobre o mesmo. Em "Na Sombra", o duque de Sussex não poupa ninguém e põe a nu várias histórias da sua vida e daqueles que o rodeiam - sabe-se agora que o rei Carlos III faz o pino de boxers, todas as manhãs, por causa das dores de costas e de pescoço, e que tem pânico que alguém abra a porta do quarto nesse momento - gerando críticas e reabrindo velhas feridas na família real britânica.

No entanto, os jornais britânicos e os seus correspondentes reais, que há vários anos acompanham a vida da família real britânica, encontraram algumas incongruências nas memórias do príncipe Harry ao longo do livro e garantem que uma delas é mesmo completamente falsa. 

Trata-se da memória sobre a morte da rainha-mãe, em março de 2002. No livro, Harry afirma que se encontrava na escola, em Eton, quando recebeu o telefonema da morte da bisavó, lembrando ainda o tempo "solarengo e quente" da altura.

"Em Eton, enquanto estudava, recebi uma chamada. Gostava de me lembrar de quem era a voz do outro lado; de um funcionário, acredito. Lembro-me que faltava pouco para a Páscoa, que o tempo estava solarengo e quente, a luz a entrar pela minha janela, cheia de cores vívidas. Vossa Alteza Real, a Rainha Mãe morreu".

No entanto, de acordo com o jornal Express, que cita o comunicado do então príncipe Carlos na altura, enviado a partir de Klosters, na Suíça, onde se encontrava com os filhos, revela que o príncipe estava "devastado" e que "o seu único desejo era regressar a casa o mais rápido possível".

Ou seja, Harry, na altura com 17 anos, estava na Suíça, com o pai e o irmão, para umas férias na neve, como mostram as imagens capturadas pelos fotógrafos na altura.

O príncipe Carlos com os filhos, Harry e William em Klosters, na Suíça, em março de 2002 (Anwar Hussein/Getty Images)

Harry diz que recebeu Xbox quatro anos antes da consola existir

No início do livro, Harry recorda ao detalhe a festa do seu 13.º aniversário, semanas após a morte da mãe. Nas suas memórias, o príncipe escreve que, a certa altura, a tia Sarah o chama à parte para lhe entregar um presente que Diana lhe terá comprado pouco antes do acidente em Paris.

Dentro da caixa, conta, estava então uma Xbox que terá feito as delícias do adolescente que "adorava jogos de vídeo".

"De qualquer modo, esta é a história. Tem aparecido em muitos relatos da minha vida, como evangelho, e não faço ideia se é verdade. O pai disse que a mamã magoou a cabeça, mas talvez eu é que tenha danos cerebrais? Como mecanismo de defesa, muito provavelmente, a minha memória já não estivesse a gravar as coisas como outrora", escreve, no entanto, em "Na Sombra".

Harry parece assumir a confusão, até porque a consola só ficaria disponível no Reino Unido quatro anos depois, em 2001.

Camilla não partilhou informação dos encontros com William com a imprensa

Uma das acusações de Harry à madrasta, a rainha-consorte, é a de que esta teria partilhado informação privadas dos encontros com o príncipe William com a imprensa.

No entanto, segundo avança o Telegraph, Camilla contou os detalhes do encontro a Amanda MacManus, a assistente de topo que tinha contratado pouco depois da morte de Diana. A assistente terá então partilhado a conversa, tida em privado, com o marido que, por sua vez, informou os jornalistas.

Depois da confusão, Amanda MacManus pediu desculpas e demitiu-se do cargo, deixando Camilla furiosa com o sucedido.

Em comunicado, MacManus afirmou que era para si "motivo de grande pesar que os comentários ocasionais tenham levado à divulgação na imprensa da reunião privada entre a Sra. Parker Bowles e o Príncipe William".

"Lamento imenso a angústia que isto causou. Acima de tudo, a minha vergonha é que falhei com aqueles que exigem lealdade e confiança, particularmente a minha notável empregadora, a Sra. Parker Bowles. Lamento muito estar de partida, mas como responsável por esta infeliz cadeia de acontecimentos, não posso, com honra, permanecer nesta posição", escreveu ainda.

Camilla tornou a declaração pública, concordando que a manutenção de MacManus no cargo "se tinha tornado insustentável".

O engano na roupa de Meghan

No livro, Harry recorda toda a relação com Meghan Markle e o primeiro encontro na Soho House não é deixado de fora. Depois da duquesa de Sussex ter revelado que usou um vestido azul para a ocasião, do qual terá inclusive cortado um pedaço para coser no seu vestido de noiva, como revelou num documentário para a ITV, o príncipe contradiz a versão.

Em "Na Sombra", o duque de Sussex escreve que para o primeiro encontro Meghan escolheu uma camisola preta, calças de ganga e saltos altos, admirando o seu visual "sem folhos" e descrevendo-a como "chique" e "de arrasar corações".

Já sobre a roupa escolhida para o segundo encontro, Harry fala então do famoso vestido azul, o que pode indicar uma confusão na memória do príncipe.

Relacionados

Europa

Mais Europa

Patrocinados