Princesa saudita Basmah libertada três anos depois sem qualquer explicação

9 jan, 20:53
A princesa Basmah com o estilista Max Azria, em 2013

Tal como aconteceu aquando da detenção, a coroa saudita voltou a não se manifestar perante as notícias que dão conta da libertação da princesa. Basmah estava detida na prisão de al-Ha'ir, lugar comum para presos políticos que se opõem ao regime

Presa desde março 2019, sem qualquer acusação formalizada, a princesa e ativista saudita Basmah bint Saud bin Abdulaziz al-Saud foi libertada sem qualquer justificação. 

O regresso a casa da princesa foi confirmado pelos advogados e vários apoiantes, como a organização pelos Direitos Humanos ALQST. Basmah passou os últimos três anos numa prisão estadual, juntamente com a filha, que também foi libertada.

A princesa, agora com 57 anos, é uma das vozes críticas do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, que detém o controlo do governo.

Tal como aconteceu aquando da detenção, a coroa saudita voltou a não se manifestar perante as notícias que dão conta da libertação da princesa. Basmah estava detida na prisão de al-Ha'ir, lugar comum para presos políticos que se opõem ao regime.

“Basmah bint Saud bin Abdulaziz al-Saud e a filha Suhoud, detidas desde março de 2019, foram libertadas”, pode ler-se na publicação da organização ALQST pelos Direitos Humanos no Twitter..

De acordo com a organização ALQST, a princesa Basmah “esteve desde março de 2019 até abril de 2019 impossibilitada de contactar a família”. “Foi-lhe negado tratamento médico apesar de sofrer de uma doença potencialmente mortal” e “a sua condição de saúde ter-se-á deteriorado devido a negligência das autoridades”, sendo que “em momento algum da detenção foram feitas quaisquer acusações”.

Detidas sem qualquer acusação formal

A princesa Basmah, filha do segundo rei da Arábia Saudita e uma defensora dos direitos humanos, foi detida em março de 2019 juntamente com a filha Suhoud, quando tentava deixar a Arábia Saudita e viajar para a Suíça, onde deveria receber tratamento médico para um problema cardíaco. O avião particular nunca chegou a deixar Jeddah, ainda em território saudita. 

A princesa e a filha foram então levadas para a prisão de al-Ha'ir, um centro de segurança máxima em Riade que abriga cerca de cinco mil prisioneiros - incluindo a ativista feminista Loujain Al Hathloul, antes da sua libertação em fevereiro. Al Hathloul, que foi torturada na prisão, continua proibida de viajar para fora da Arábia Saudita.

Nem a princesa nem sua filha foram oficialmente acusadas de algum tipo de crime, tal como nunca tiveram acesso a um advogado nem receberam uma data de julgamento.

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