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Alguns grandes símios apercebem-se quando um parceiro humano não sabe alguma coisa e são capazes de lhes comunicar informações para alterar o seu comportamento, indica um novo estudo.
Os investigadores da Universidade Johns Hopkins, ao estudarem os bonobos, descobriram que estes apontavam para o local onde estavam escondidas as guloseimas se vissem que o seu parceiro humano não sabia onde estavam, de acordo com um comunicado da universidade, publicado a 3 de fevereiro.
Trabalhando com três bonobos machos, o coautor do estudo Luke Townrow, um estudante de doutoramento da Johns Hopkins, sentava-se do outro lado da mesa em frente a um dos animais, enquanto outra pessoa colocava uma guloseima debaixo de um dos três copos.
Nalguns casos, Luke podia ver em que chávena estava a guloseima e o bonobo esperava que ele lhe passasse a comida. Noutras ocasiões, Luke não conseguia ver onde estava a guloseima e o bonobo apontava para o copo certo, para o ajudar a encontrar a comida.
“A experiência, aparentemente simples, demonstrou pela primeira vez que os macacos comunicam informações desconhecidas em nome do trabalho de equipa”, lê-se no comunicado.
Outro coautor do estudo Chris Krupenye, professor assistente de ciências psicológicas e cerebrais da Johns Hopkins, explica à CNN que o estudo “é uma das provas mais claras de que um primata não humano compreende quando outra pessoa é ignorante”.
Esta capacidade de intuir as lacunas no conhecimento dos outros é conhecida como teoria da mente.
“Como seres humanos, temos uma teoria da mente, a capacidade de pensar sobre as perspetivas dos outros”, explica Chris Krupenye à CNN.
“É uma caraterística crucial da psicologia humana”, acrescenta, explicando que nos permite cooperar uns com os outros e ensinar às pessoas coisas que entendemos que elas não sabem.
A teoria da mente foi anteriormente considerada exclusiva dos humanos, mas o estudo mostra que os bonobos partilham esta capacidade.
“As provas de que dispomos são uma boa indicação de que eles têm efetivamente uma teoria da mente”, afirma Chris Krupenye, explicando que o estudo se baseia em investigações anteriores sobre a teoria da mente nos chimpanzés.
A seguir, a equipa planeia explorar as motivações dos bonobos para partilhar informação e a forma como pensam sobre a mente de outros indivíduos.
“O que demonstrámos aqui é que os macacos comunicam com um parceiro para alterar o seu comportamento”, afirma Luke Townrow no comunicado, “mas uma questão-chave em aberto para investigação futura é se os macacos também apontam para alterar o estado mental do seu parceiro ou as suas crenças”.
Chris Krupenye adianta à CNN que espera que o estudo ajude a aumentar a consciencialização sobre os bonobos, uma espécie em vias de extinção, encontrada exclusivamente na República Democrática do Congo.
“Este tipo de trabalho mostra-nos como a sua vida social é rica”, afirma.
Alexander Piel, antropólogo biológico da University College London, que não esteve envolvido na investigação, explica à CNN que o estudo é informativo e “fornece provas convincentes de que estes três indivíduos ajustam o seu comportamento com base no estado de conhecimento de um humano”.
No entanto, destaca o facto de o estudo envolver apenas três bonobos, que vivem em cativeiro e estavam a comunicar com um humano, o que não seria comum na natureza.
No entanto, Alexander Piel diz que “essas questões não põem de forma alguma em causa a importância do estudo”.
“Os resultados oferecem um novo vislumbre da mente dos nossos parentes mais próximos, um reflexo cada vez mais espelhado das nossas próprias faculdades cognitivas”, reforça.
O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.