Bruxelas melhora crescimento de Portugal. É a economia que mais cresce na Europa

Agência Lusa , AM
16 mai, 10:15
Bruxelas

Comissão Europeia reviu em alta o PIB e melhorou em 1,5 pontos percentuais as previsões para o défice português

A Comissão Europeia reviu em alta de 0,3 pontos percentuais (p.p.) o crescimento económico esperado para Portugal este ano, para 5,8%, apesar dos desafios externos, segundo as previsões macroeconómicas de primavera divulgadas esta segunda-feira.

Bruxelas prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal cresça 5,8% em 2022, quando em fevereiro esperava uma expansão de 5,5%, com o setor dos serviços, particularmente o turismo estrangeiro, a recuperar fortemente face a uma base baixa.

O relatório da Comissão Europeia assinala que "as perspetivas de crescimento permanecem favoráveis, apesar dos desafios relacionados com os preços das 'commodities', das cadeias de abastecimento globais e maior incerteza na procura externa".

Em linha com o previsto pelo Governo português, a Comissão Europeia melhorou ainda em 1,5 pontos percentuais (p.p.) as previsões para o défice português, esperando um saldo negativo das contas públicas de 1,9% do PIB este ano.

Nas previsões macroeconómicas de primavera, Bruxelas prevê um défice de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo dos 3,4% estimados no outono, revelando-se também mais otimista sobre o desempenho orçamental em 2023, ao esperar um défice de 1%, quando anteriormente previa um saldo negativo de 2,8%.

A previsão do défice dos técnicos da Comissão Europeia está, assim, em linha com a do Ministério das Finanças para este ano, subjacente à proposta do Orçamento do Estado.

Quanto à taxa de inflação para Portugal, Bruxelas reviu em alta de 2,1 pontos percentuais, para 4,4% este ano, mas abaixo dos 6,1% previstos para a zona euro, segundo as previsões hoje divulgadas.

De acordo com as previsões macroeconómicas de primavera, hoje divulgadas, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) deverá subir de 0,9% em 2021 para 4,4% em 2022, antes de descer para 1,9% em 2023.

A Comissão Europeia prevê que a inflação em Portugal atinja o pico no segundo trimestre deste ano e modere gradualmente a partir de então.

Desemprego nos 5,7% este ano

A Comissão Europeia também prevê que a taxa de desemprego em Portugal caia para 5,7% este ano, face aos 6,6% registados em 2021, e para 5,5% em 2023.

A estimava de Bruxelas é mais otimista do que a do Ministério das Finanças, que no relatório subjacente à proposta do Orçamento do Estado para 2022 prevê uma taxa de desemprego de 6% este ano e de 5,7% no próximo.

Os técnicos de Bruxelas destacam ainda que a taxa de emprego atingiu um máximo histórico no final de 2021 e início de 2022, ainda que as horas trabalhadas permaneçam abaixo do nível pré-pandemia.

Inflação na zona euro com pico no segundo trimestre

A Comissão Europeia estimou uma “revisão considerável” em alta da taxa de inflação na zona euro este ano, para 6,1%, principalmente impulsionada pelos preços energéticos e alimentares, com pico no segundo trimestre e descida em 2023.

“A inflação na zona euro está projetada em 6,1% em 2022, antes de cair para 2,7% em 2023”, estima o executivo comunitário.

A instituição realça que, para o conjunto de 2022, “isto representa uma revisão considerável em alta em comparação com a previsão anterior de inverno de 2022, de 3,5%”, divulgada em fevereiro passado, estando agora projetado um pico de 6,9% na taxa de inflação no segundo trimestre, “antes de desacelerar e fechar o ano em 5,2%”.

A energia “continua a ser o principal motor de a inflação na zona euro”, explica a Comissão Europeia, lembrando os “aumentos dos preços do petróleo e do gás”, numa altura em que o preço do barril do Brent excedeu os 100 dólares (cerca de 96 euros) e os valores do gás natural ultrapassam os 100 euros/MWh, cinco vezes mais do que no primeiro trimestre de 2021.

Como na configuração do mercado energético da UE os preços do gás determinam os da eletricidade, a inflação da luz aumentou de taxas negativas no primeiro trimestre de 2021, para 34,3% no primeiro trimestre de 2022.

Entre os fatores que justificam esta revisão em alta estão então, de acordo com Bruxelas, o aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares, bem como “uma série de estrangulamentos de abastecimento e logística, ambos originados pelo ajustamento induzido pela pandemia, mas exacerbados pelo surto da guerra”.

Em concreto, de acordo com a Comissão Europeia, “a inflação alimentar é projetada para registar um aumento considerável no segundo trimestre […], enquanto se espera que a inflação energética atinja o seu pico antes de moderar a partir daí”.

Destacando que “os preços dos alimentos têm vindo a subir devido ao aumento dos custos dos fatores de produção e aos estrangulamentos de fornecimento”, Bruxelas elenca ainda que estes registaram um acréscimo anual de 4,9% na zona euro e de 5,8% no conjunto da UE no primeiro trimestre de 2022.

Guerra leva a revisão em baixa do crescimento europeu

A Comissão Europeia reviu em baixa as previsões de crescimento económico devido à guerra na Ucrânia, estimando agora subidas de 2,7% do PIB este ano e 2,3% no próximo, tanto na UE como na zona euro.

As projeções da primavera representam uma acentuada revisão em baixa relativamente às previsões de inverno, divulgadas em 10 de fevereiro, ainda antes de a Rússia ter invadido a Ucrânia, e que projetavam que o Produto Interno Bruto (PIB) subisse 4,0% este ano tanto no espaço da moeda única como no conjunto dos 27 Estados-membros, e 2,8% na UE e 2,7% na zona euro em 2023.

Segundo Bruxelas, “as perspetivas para a economia da UE antes do início da guerra eram de uma expansão prolongada e robusta”, mas “a invasão russa da Ucrânia colocou novos desafios, precisamente quando a União tinha recuperado dos impactos económicos da pandemia” da covid-19.

“Ao exercer novas pressões no sentido da subida dos preços dos produtos de base, causando novas ruturas de abastecimento e aumentando a incerteza, a guerra está a exacerbar os ventos contrários ao crescimento pré-existentes, que anteriormente se esperava que diminuíssem”, argumenta o executivo comunitário.

Bruxelas admite ainda que o crescimento económico pode ficar ainda mais abaixo do projetado agora, apontando que “os riscos para a previsão da atividade económica e da inflação dependem fortemente da evolução da guerra, e especialmente do seu impacto nos mercados energéticos”, além de que a pandemia da covid-19 “continua a ser um fator de risco”.

“Para além destes riscos imediatos, a invasão russa da Ucrânia está a levar a uma dissociação económica da UE em relação à Rússia, com consequências difíceis de apreender plenamente nesta fase”, sublinha a Comissão Europeia.

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