Mau tempo não dá descanso: vem aí novo período de muita chuva e vento. Saiba o que esperar e quais os conselhos a seguir

9 fev, 17:11

Conheça os efeitos expectáveis, as recomendações a seguir e os locais de maior risco

Situação complicada em todo o país para os próximos dias. Parece uma repetição do que tem acontecido desde o fim de janeiro, mas não é.

Trata-se de mais um alerta do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que antevê um “agravamento do estado do tempo em Portugal continental”.

Um agravamento que vai provocar, como começa a ser hábito por estes dias, muita chuva e vento, além de agitação marítima.

Entre os efeitos mais previsíveis, o IPMA destaca os seguintes:

  • Períodos de chuva, por vezes forte e persistente, nas regiões Norte e Centro;
  • Vento forte, com rajadas até 90 km/h nas terras altas do Norte e Centro;
  • Agitação marítima forte na costa ocidental, com ondas de noroeste até 6 metros, podendo atingir os 11 metros de altura máxima.

E com tanta chuva, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alerta para uma “situação hidrológica potencialmente perigosa” nas seguintes bacias hidrográficas e municípios:

  • Rio Mondego: Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Soure;
  • Rio Tejo: Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha;
  • Rio Sorraia: Coruche, Benavente;
  • Rio Sado: Alcácer do Sal; Santiago do Cacém; Grândola; Alvito; Ourique; Ferreira do Alentejo.

Há ainda recomendações para que as autoridades e a população acompanhem as situações nas seguintes bacia hidrográficas:

  • Rio Vouga: Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede;
  • Rio Águeda: Águeda;
  • Rio Lima: Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima;
  • Rio Cávado: Braga; Barcelos; Vila Verde; Esposende;
  • Rio Ave: Santo Tirso, Trofa; Vila Nova de Famalicão;
  • Rio Douro: Gondomar, Porto; Vila Nova de Gaia; Lamego; Peso da Régua;
  • Rio Tâmega: Chaves, Amarante– Rio Lis: Leiria;
  • Rio Guadiana: Alcoutim; Castro Marim e Vila Real de Santo António.

De acordo com o IPMA, a precipitação intensa registada nos últimos dias provocou a subida dos caudais dos rios, que devem continuar elevados nos próximos dias.

Tudo isto depois das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que já fizeram um total de 16 mortos desde 28 de janeiro, dia em que uma ciclogénese varreu parte da região Centro, com especial incidência em Leiria.

Agora, com a continuação da chuva, há um risco acrescido de inundações e cheias, o que pode ser ainda agravado pelas descargas das barragens espanholas. Assim, esperam-se os seguintes efeitos:

  • A ocorrência de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras;
  • A ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento;
  • Solos saturados, o que resultará numa descida lenta da água que, neste momento, afeta as vias rodoviárias;
  • A instabilidade de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos, derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, fenómeno que pode ser potenciado pela remoção do coberto vegetal;
  • Piso rodoviário escorregadio devido à possível formação de lençóis de água;
  • Interdição de algumas de algumas vias rodoviárias por submersão;
  • Arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de estruturas móveis ou deficientemente fixadas, por efeito de episódios de cheias e inundações, que podem causar acidentes com veículos em circulação ou transeuntes na via pública;
  • Possíveis acidentes na orla costeira, devido à forte agitação marítima;
  • Arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de estruturas móveis ou deficientemente fixadas, por efeito de episódios de vento forte, que podem causar acidentes com veículos em circulação ou transeuntes na via pública;
  • Desconforto térmico na população devido ao aumento da intensidade do vento.

Por isso mesmo, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recomenda que a população prossiga com cautela, devendo ter atenção aos vários efeitos esperados, adotando sempre os comportamentos mais adequados.

Entre as medidas a adotar, a ANEPC destaca as seguintes:

  • Garanta a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
  • Evite qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações;
  • Evite o estacionamento de veículos em zonas historicamente inundáveis;
  • Não atravesse zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou veículos para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Retire das zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e/ou outros bens para locais seguros;
  • Restrinja ao máximo possível os movimentos de veículos e pessoas apeadas nas áreas potencialmente afetadas por cheias;
  • Tenha especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas próximas de linhas de água, devido ao risco de queda de ramos e/ou árvores arrastados pelas águas;
  • Garanta a adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
  • Tenha especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte;
  • Evite o estacionamento de veículos em áreas arborizadas;
  • Feche e reforce estores e janelas, em especial os que estão virados na direção do vento;
  • Recolha estruturas exteriores para evitar que sejam arrastados;
  • Fixe objetos no exterior e de varandas e parapeitos, como vasos, mobiliário de jardim ou outros;
  • Tenha especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando a circulação e permanência nestes locais;
  • Não pratique atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportosnáuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
  • Adote uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tomando especial atenção à eventual formação de lençóis de água nas vias rodoviárias;
  • Esteja atento às informações da meteorologia, da Agência Portuguesa do Ambiente e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.

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