Quem tiver o contrato de crédito à habitação a ser revisto em junho vai voltar a sentir uma descida substancial na prestação a pagar ao banco. A descida de taxas de juro por parte do Banco Central Europeu parece estar a acabar, mas em junho as taxas ainda deverão voltar a descer. Confira o seu caso
O Banco Central Europeu (BCE) deverá voltar a descer as taxas de juro de referência na reunião da próxima quinta-feira, 5 de junho, cortando a taxa de depósitos em 0,25 pontos base para os 2%. Esta é a expetativa da totalidade dos economistas consultados pela agência Reuters, numa sondagem feita antes de ser conhecida a decisão judicial nos Estados Unidos de colocar um travão às tarifas aduaneiras impostas pela administração de Donald Trump, que seria suspensa por outro tribunal.
Na sondagem feita pela Reuters, os 81 economistas consultados não tiveram dúvidas em afirmar que a instituição liderada por Christine Lagarde iria avançar para um corte de juros na próxima semana. Mas se esta parece ser uma certeza, a partir daí, as dúvidas são muitas. Mais de 70% dos economistas disseram esperar que o BCE faça uma pausa em julho na descida de taxas e, embora a maioria dos inquiridos espere pelo menos mais um corte depois de junho, não há consenso sobre o momento do próximo passo.
"Há uma boa razão para esperar por setembro, depois de junho. Se olharmos apenas para a evolução da inflação parece que está a ir na direção certa, mas ainda há alguns dados que sugerem cautela", explicou à Reuters Bas van Geffen, do Rabobank.
Os dados da taxa de inflação na zona euro parecem mostrar que a política monetária seguida por Lagarde conseguiu domar a subida de preços. Desde setembro do ano passado que a taxa de inflação se manteve sempre abaixo dos 3% e em 2025 nunca ultrapassou os 2,5%, valores que, ainda assim, continuam acima do referencial dos 2% desejados pelo BCE. Ao mesmo tempo, apesar do crescimento económico débil apresentado pela zona euro, o conjunto dos países que partilham a moeda única tem conseguido escapar a uma recessão.
Cerca de 45% dos economistas consultados pela Reuters, 35 em 81, afirmaram que haverá mais um corte nas taxas depois de junho, enquanto quase 30% disseram que junho seria o último. Os restantes preveem duas ou mais reduções adicionais das taxas após junho.
Euribor mantêm queda
Independentemente do que o BCE virá a fazer em junho e nos meses seguintes, a verdade é que em maio as taxas Euribor voltaram a descer em relação a abril. A descida não foi tão acentuada como em meses anteriores, mas, ainda assim, vai permitir que quem tenha o seu contrato de crédito à habitação revisto em junho sinta uma nova redução da prestação a pagar ao banco.
Num contrato de 200 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor 6 meses e com um spread (margem do banco) de 1%, a descida na prestação deverá ser de quase 70 euros. Apesar desta descida, quando se compara este mesmo contrato com o valor que era pago em junho de 2022, quando as taxas Euribor já tinham começado a subir, a prestação ainda será substancialmente superior: em junho de 2022 era de apenas 630 euros e no próximo mês será de cerca de 860 euros.
Para um contrato de 200 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor 12 meses e com um spread de 1%, a descida será ainda mais substancial uma vez que compara com o valor que estava em prática desde junho do ano passado. A prestação deverá, assim, passar de pouco mais de 1.022 euros para cerca de 855 euros, uma descida de quase 168 euros. Mais uma vez, neste caso, quando comparamos com a prestação que estava a ser paga em junho de 2022, o valor continua a ser bastante superior - não chegava a 670 euros, ou seja, bem abaixo dos mais de 855 euros a pagar no próximo mês.
Confira o seu caso:
Quanto já aumentou e como vai evoluir em junho a prestação da casa
Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Valores de maio até dia 29
EURIBOR 3 MESES
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EURIBOR 6 MESES
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EURIBOR 12 MESES
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NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).
