Arrancou como Soares e lembrou que "não é como começa, é como acaba". Daqui a um mês toma posse como Presidente da República

9 fev, 21:55

Começou com 8%, acabou com 66%. Um ano depois da primeira sondagem, António José Seguro tornou-se no passado domingo o 21.º Presidente da República eleito

“O Dr. Mário Soares - sem querer tirar absolutamente nenhum partido, mas apenas revelar esta feliz coincidência - quando foi eleito Presidente da República, a primeira sondagem dava-lhe 8%. Precisamente o mesmo número que me dá a mim”. Era assim que, a 9 de janeiro de 2025, António José Seguro reagia à primeira sondagem da CNN Portugal. Chegava apenas aos 8%. À sua frente tinha 14 possíveis candidatos de 18 personalidades.

Gouveia e Melo, António Guterres, Passos Coelho ou Marques Mendes. Vários eram os nomes que se perfilavam como favoritos para chegar a Belém. Mas Seguro não era um deles. Estava bem longe de imaginar um honroso primeiro lugar. Ainda assim, não desanimou.

“Esta sondagem tem 400 respostas, não é? Segundo eu tive a oportunidade de ver agora, na ficha técnica. Houve aqui na concorrência do Correio da Manhã, há um mês e meio, uma outra sondagem que me dava 4,5%. Portanto, são dados que me animam muito”, revelou no espaço de comentário que tinha à época na CNN Portugal, “Liberdade”.

“Obviamente que eu não vou decidir com base nas sondagens. Tenho atenção a esse critério, mas é um bom ponto de partida”, sublinhou antes mesmo de assumir a vontade de suceder a Marcelo Rebelo de Sousa e de imaginar o que aí vinha.

"Isto não é como começa, é como acaba" - e foi mesmo

“Esta sondagem, para mim, não é surpresa absolutamente alguma. As pessoas com mais exposição pública estão melhor posicionadas (…). Portanto, vamos ver como é que é a evolução. Isto não é como começa, é como acaba”. Assim se escudava o então comentador a 9 de janeiro de 2025, numa altura em que faltava mais de um ano para Portugal eleger o próximo presidente da República.

Mas não demorou muito até que chegasse à decisão de avançar.

“Decidi, e anúncio hoje no dia em que começa uma nova legislatura que vai exigir muito de todos nós, que sou candidato a Presidente da República”, foi desta forma que, num vídeo lançado em exclusivo pela CNN Portugal, Seguro mostrava ao país a sua vontade de ir para Belém. Estávamos a 3 de junho 2025. Tinham passado seis meses desde que regressara à vida pública através do seu espaço de comentário televisivo, e faltavam outros seis para as presidenciais.

Sempre atrás nas sondagens, Seguro foi subindo semana após semana, mas foi apenas na primeira tracking poll da CNN Portugal, a 5 de janeiro, que chegava ao primeiro lugar. Num empate a cinco, o candidato apoiado pelo PS reunia 19,3% das intenções de voto, bem acima dos modestos 8% que reunia meses antes. Mais voto menos voto, poucos foram os dias em que saiu do primeiro lugar desta mesma sondagem ao longo da campanha eleitoral. Passava assim, aos olhos dos portugueses, a ser um potencial vencedor para 18 de janeiro, a par de André Ventura.

Um cenário que, para Seguro, se viria a verificar.

Mais de 1 milhão e 700 mil votaram na primeira volta no candidato apoiado pelos socialistas que, de forma destacada, avançava com André Ventura para a fase seguinte. Para trás ficavam nomes como Cotrim de Figueiredo, Marques Mendes ou Gouveia e Melo, que meses antes surgiam como favoritos na corrida a Belém.

No entanto, os 31,12% não bastaram e, mais uma vez, foi a votos. Com mais apoios e maior consenso, no passado domingo, quase 3 milhões e meio de eleitores escolheram Seguro. Foram 3.482.481 de votos - e podem ser mais, quando forem contadas as 20 freguesias e os consulados que faltam -, numa segunda volta como há 40 anos não se via. Esse número bastou para que Seguro ultrapassasse mesmo um recorde de Soares que, em 1986, tinha conquistado 3.459.521 votos.

"Sou o Presidente de todos, de todos os portugueses. O Presidente de todos os portugueses para mudarmos Portugal. Dos que votaram em mim, dos que fizeram outra opção, dos que ainda não votaram e dos que optaram por não votar. A todos saúdo por igual como presidente eleito da República Portuguesa", sublinhou perante um sala cheia de apoiantes nas Caldas da Rainha, local de onde, garante, nunca irá sair, mesmo a trabalhar em Belém.

"A partir desta noite deixámos de ser adversários e temos agora o dever partilhado de trabalhar para um Portugal mais desenvolvido e mais justo", acrescentou.

A 9 de março toma posse como 21.º Presidente da República Portuguesa, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa, que esta segunda-feira iniciou, com uma receção ao chefe de Estado eleito, a passagem de testemunho. Com mais de três horas de encontro, os dois percorreram o Palácio de Belém, tendo abordado "assuntos de política nacional e internacional, que vão requerer a atenção prioritária do novo Presidente, bem como outros assuntos relativos à transição dos mandatos", segundo o site da Presidência.

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