Marcelo diz que as telecomunicações "portaram-se mal". NOS e Meo não gostaram e já reagiram

Agência Lusa , BCE
4 fev, 19:50
Marcelo Rebelo de Sousa visita Soure para avaliar estragos da depressão Kristin (António Pedro Santos/Lusa)

"O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado", afirma Miguel Almeida, presidente da NOS, numa reação às declarações de Marcelo. CEO da Meo diz que palavras do Presidente "só podem resultar de informações incompletas"

A NOS e a Meo lamentam as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou esta quarta-feira que as telecomunicações "portaram-se mal", destacando a Vodafone como aquela que se "aguentou um bocadinho mais".

A presidente executiva da Meo garante que a empresa ativou de imediato o plano de contigência no dia 28 e considera que as declarações proferidas pelo Presidente da República só podem resultar de informações incompletas.

"Desde o dia 28, ativámos de imediato o nosso plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos no terreno, mobilizados de forma contínua, muitas vezes em condições extremamente exigentes" e "foi igualmente acionada a nossa sala de crise, em funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, garantindo coordenação permanente de todos os meios técnicos e operacionais", frisou Ana Figueiredo.

"Estamos, desde o primeiro momento, em contacto permanente com as autoridades competentes, com a Proteção Civil e com as entidades de emergência, assegurando total alinhamento institucional", prosseguiu.

Paralelamente, "foram acionados meios alternativos de emergência, precisamente para mitigar impactos e garantir a maior resiliência possível das comunicações em contextos excecionais", acrescentam.

Neste momento, "o nosso foco absoluto está na recuperação plena dos serviços e no apoio às populações e às entidades críticas" e "é esse o nosso compromisso", assegurou a gestora.

"As declarações proferidas pelo senhor Presidente da República só podem resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido", considerou a executiva.

Enquanto presidente da Meo, "é também minha responsabilidade defender o profissionalismo irrepreensível, a dedicação e o esforço incansável de todas as equipas que têm trabalhado de forma ininterrupta, em todas as frentes, para garantir um serviço essencial ao país", enfatizou a CEO, rematando que "o setor das comunicações respondeu, como sempre respondeu, com sentido de missão, responsabilidade e entrega total".

Em causa estão as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou que as telecomunicações "portaram-se mal", embora "não tão gravemente como" em 2017. A Vodafone "aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações", prosseguiu o chefe de Estado.

"O senhor Presidente está certamente muito mal informado"

Em reação às mesmas palavras do Presidente da República, o presidente executivo da NOS considerou que Marcelo está certamente mal informado e que as suas declarações demonstram "uma profunda insensibilidade" às centenas de pessoas que estão a recuperar as redes no terreno.

"O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado", afirmou Miguel Almeida, numa reação às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o papel das operadoras de comunicações eletrónicas.

"As suas declarações demonstram uma profunda insensibilidade e desumanidade face às centenas de homens e mulheres que desde quarta-feira passada estão dia e noite a recuperar da maior destruição de redes de comunicações já vista em Portugal", rematou o executivo.

Entretanto, os clientes da NOS têm recebido mensagens da operadora a afirmar que está totalmente empenhada na reposição dos serviços afetados pela depressão Kristin.

"Iremos creditar os dias sem serviço automaticamente de acordo com a legislação em vigor, não sendo necessária qualquer ação da sua parte. O valor sera calculado no final da indisponibilidade e será creditado na fatura seguinte", refere a NOS na mensagem que a Lusa leu.

Também a Associação dos Operadores de Comunicações Eletrónicas (Apritel) considerou  “injustas e desajustadas” as declarações do Presidente da República. “A Apritel considera que as declarações do senhor Presidente da República são injustas e desajustadas, não reconhecendo a dimensão do esforço extraordinário que está a ser desenvolvido no terreno, nem a complexidade e o risco associado a estas operações”, defendeu a associação, em comunicado.

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