Candidato presidencial questiona se "alguém ganha um prémio" se "classificar" o 25 de Abril e o 25 de Novembro. E deixa claro: "Eu não tenho vergonha de Mário Soares. Foi um grande português"
Henrique Gouveia e Melo defende que a Europa tem de se "rearmar" de forma a "preservar" a paz e que isso deve ser explicado à população pelos políticos. Em entrevista à CNN Portugal, o candidato presidencial defende que esta é a melhor maneira de se evitar "um conflito" bélico e consequente "destruição".
“Os políticos têm de explicar à população as políticas que devem ser seguidas. Não políticas belicistas, mas políticas que, a médio/longo prazo, preservam a paz. Se não fizermos essas políticas e não as conseguirmos explicar à população, a população pode cair na armadilha de julgar que, indo por um caminho mais simples e mais fácil agora, não vai enfrentar um conflito”, diz. “Aí é com muita destruição. O que vai estar em causa num futuro próximo é se nós, de maneira preventiva, evitamos um conflito ou, de forma distraída, vamos alimentar as condições para esse conflito se materializar e depois termos de investir muito mais em recursos humanos, recursos materiais e em vidas.”
Para Gouveia e Melo, o futuro pode ser pior sem esse esforço de rearmamento. “Devemos rearmar-nos, eventualmente não ao nível dos 5%” pedidos por Donald Trump - um homem que “vai ter de ouvir” a Europa sobre a Ucrânia, garante Gouveia e Melo.
Gouveia e Melo sublinha também que o conceito estratégico de defesa nacional está “desatualizado” e precisa de ser renovado. “Temos de ter um documento estruturante para começarmos a pensar. Depois de termos esse documento estruturante temos de fazer um conceito estratégico militar que permita materializar capacidades militares para atingir determinados fins. Isso ainda não foi feito nem pensado, que eu saiba. Só depois é que podemos pensar que investimentos vamos fazer”, explica, que recusa que uma reunião do Conselho de Estado sobre a defesa resolva “alguma coisa”.
"O campeonato"
O candidato presidencial abordou ainda as celebrações no Parlamento do 25 de Novembro. Questionado sobre se o 25 de Abril é mais importante que o 25 de Novembro, recusou entrar "em campeonatos".
“Essa pergunta nem faz sentido. As duas datas são importantes nos seus contextos. Porque é que quer que eu classifique a data A ou data B? Alguém ganha algum prémio com isso? (…) Não ponho as coisas nesses termos. Não ando aqui em campeonatos.”
Questionado sobre Mário Soares, político que considera ser uma referência, e sobre o posicionamento do PS sobre as cerimónias que assinalaram o 25 de Novembro, Gouveia e Melo disse assim: “Mário Soares foi um lutador pela liberdade e, num momento decisivo, quando a nossa recente democracia estava a desviar para uma esquerda perigosa e ditatorial, ele foi muito importante para que isso não acontecesse. O PS vir dizer que tem vergonha desta comemoração é praticamente dizer que tem vergonha de Mário Soares, acho difícil de compreender. Eu não tenho vergonha de Mário Soares, foi um grande português na preservação da liberdade”, referiu o candidato presidencial - que afirma, no entanto, que Mário Soares também cometeu alguns “erros”.