Dados da sondagem diária mostram ainda Marques Mendes a recuperar algum terreno para Gouveia e Melo, que se aproxima de Cotrim Figueiredo. Seguro é o único dos candidatos no top 5 a registar uma queda nas intenções de voto, que já refletem o impacto da tracking poll e o início da campanha. Número de indecisos nunca foi tão baixo
Ao quarto dia, é André Ventura quem passa a liderar o pelotão de candidatos em situação de empate técnico para passar a uma segunda volta nas eleições presidenciais. Num momento em que dois terços da amostra já refletem os primeiros dados da sondagem diária da CNN e também os primeiros momentos da campanha eleitoral, o líder do Chega consegue ultrapassar António José Seguro: Ventura tem 20,5% das intenções de voto - mais 0,4 pontos percentuais (pp) do que o candidato apoiado pelo PS, que até agora tinha aparecido sempre à frente do top 5.
Com um aumento de 19,6% para 20,5% (mais 0,9 pp), é na candidatura de Ventura que se regista o maior incremento de intenções de voto, segundo a sondagem diária da Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF. Em espelho, a de António José Seguro baixa os mesmos 0,9 pp face à medição de quarta-feira, mantendo-se ainda no segundo lugar mas com menos margem de manobra face a Cotrim Figueiredo - que voltou a ganhar terreno e posiciona-se em terceiro, com 18,1% (sobe 0,1 pp).
Seguro, que está agora com 20,1% das intenções de voto, é o único nome a perder fôlego no top 5 de candidatos em situação de empate técnico. Para isso contribuiu uma descida em nove dos doze segmentos eleitorais, tendo a redução mais expressiva (2,6 pp) acontecido no eleitorado mais jovem (18-35 anos) -eleitorado esse que, ao longo das últimas sondagens e em especial na mais recente tracking poll, parece estar a solidificar-se nas candidaturas de André Ventura, onde já se fixa nos 22,2% dos votos, e na de Cotrim de Figueiredo, que até ao momento é aquele que conta com maior mobilização jovem (23,2%).
Entre o top 3 de candidatos mais bem posicionados na tracking poll, André Ventura lidera no eleitorado masculino (23%) e António José Seguro capta as maiores intenções de voto feminino (17,3%). Por idades, além dos mais jovens, Cotrim é também o candidato com maior adesão entre os 35 e os 55 anos (22,6%). Já o eleitorado mais velho mostra uma preferência pelo antigo líder socialista (23,1%).
Por regiões, Ventura e Seguro estão empatados no Norte do país, com ambos os candidatos a registarem 18,1% das intenções dos votos. Cotrim cresce novamente na zona da grande Lisboa, onde a sua candidatura continua a liderar, fixando-se agora nos 15,7%. Na região Centro, as intenções de voto são maiores na candidatura do líder do Chega (22%) do que nas de Seguro (19,7%) e Cotrim (12,1%).
Na análise das intenções de voto por classes sociais, Cotrim continua a obter a preferência daqueles que têm maiores rendimentos: 23,8% contra 18,5% de Seguro e 13,3% de Ventura. Por outro lado, o candidato do Chega consegue manter o primeiro lugar (21,8%) entre os eleitores de classe média após ter ultrapassado Seguro na medição de quarta-feira - tanto Cotrim (11,5%) como Seguro (17,2%) voltaram a cair nas intenções de voto das classes C1.
Ventura volta também a liderar nas intenções de voto das classes mais baixas, onde cresce para os 20%, um valor que continua a ser inferior ao registado nas sondagens de novembro (20,9%) e dezembro (20,6%). Neste segmento eleitoral, Seguro baixa 1,7 pp para os 16,4% e Cotrim mantém os 9,3%, o pior indicador entre todos os candidatos.
Mendes recupera terreno, Jorge Pinto ultrapassa Vieira
Em quarto lugar mantém-se Gouveia e Melo, com 17,8% das intenções de voto, registando uma subida de 0,6 pp. O antigo chefe do Estado-Maior da Armada cresce sobretudo junto do eleitorado mais jovem, com um aumento de 2,6 pp entre os 18 e os 34 anos, para 12,9%, e regista ainda recuperação na Grande Lisboa (+1,5 pp, para 16,3%). O principal recuo verifica-se na região Centro, onde perde 1,9 pp, descendo para 12,1%.
Também Marques Mendes recupera algum terreno, alcançando os 16,7%, sendo que a sua candidatura obtém o segundo maior crescimento da tracking poll desta quinta-feira (mais 0,7 pp).O candidato apoiado pelo PSD recuperou algum apoio entre as mulheres, crescendo 2,1 pp para os 17,1%, e entre o eleitorado fora dos grandes centros urbanos (+3,2 pp, para os 16,1%). O maior decréscimo ocorreu entre as intenções de voto de quem tem 35 a 54 anos (menos 1,9 pp para os 8,3%).
Jorge Pinto consegue recuperar o penúltimo lugar e está agora à frente do músico Manuel João Vieira, que cai 0,6 pp face à medição de quarta-feira. No grupo de candidatos sem possibilidade de passar à segunda volta, Catarina Martins mantém-se à frente de António Filipe, com ambos a registarem uma descida de 0,3 pp.
Na mesma linha dos dias anteriores, o número de indecisos voltou a cair, estando agora nos 11% - menos 0,9 pp do que na quarta-feira e o mínimo registado em medições desde dezembro.
Na dinâmica de vitória, ou seja, quem os eleitores acreditam que tem maiores probabilidades de passar a uma segunda volta, Marques Mendes continua a ser a principal aposta dos inquiridos da Pitagórica, ainda que sofra uma redução de 2 pp. Também Ventura é o nome tido como segundo mais provável, registando um crescimento neste indicador para os 23%. Gouveia e Melo (16%) e João Cotrim de Figueiredo (5%) mantêm os mesmos valores desde o início da tracking poll e Seguro consegue um ligeiro aumento de 1 pp para os 12%.
Ficha Técnica
Durante 3 dias (5, 6 e 7 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1179 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 51,57%.
A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.