Um grupo de jovens ligados ao centro-direita declarou apoio a António José Seguro na segunda volta das presidenciais de 2026, rejeitando André Ventura por "falta de sentido de Estado" e posições incompatíveis com os valores democráticos
Um grupo de 250 não-socialistas - entre eles vários jovens ligados ao centro-direita - tornou pública uma carta de apoio a António José Seguro para a segunda volta das eleições presidenciais de 2026. Entre os signatários estão nomes como Miguel Poiares Maduro, Adolfo Mesquita Nunes, António Lobo Xavier e dirigentes autárquicos e responsáveis concelhios da Juventude Popular, da JSD e da Juventude Centrista, que se assumem como não-socialistas.
No texto que já conta com quase 800 assinaturas, os subscritores sublinham que o atual contexto eleitoral é distinto do confronto presidencial de 1986 e defendem que, em 2026, estão em disputa um candidato do centro-esquerda e outro associado às direitas radicais.
"As eleições presidenciais de 2026 vão ser decididas numa segunda volta, o que acontece apenas pela segunda vez desde 1976. É por isso compreensível que alguns tentem fazer comparações com o confronto Mário Soares - Freitas do Amaral. Mas as situações não podiam ser mais diferentes: em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita; em 2026, enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais", lê-se na carta.
Nesse enquadramento, rejeitam a leitura apresentada por André Ventura, que tem caracterizado o sufrágio como um embate entre blocos ideológicos, colocando-se como representante do campo não-socialista.
"André Ventura tem apresentado este sufrágio como um confronto entre o bloco das esquerdas e o bloco das direitas, que qualificou como o campo “não-socialista”. Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado, e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses".
Os jovens do centro-direita afirmam não se rever nem no estilo nem no conteúdo político de André Ventura, apontando-lhe falta de sentido de Estado, discurso divisionista e posições que consideram incompatíveis com a Constituição, a dignidade humana e os valores democráticos.
"O candidato André Ventura é, além do mais, o mesmo que, no partido que fundou e dirige, apresentou propostas inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana, como confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte, a cidadania portuguesa concedida a título revogável, a proibição de críticas à magistratura, a estigmatização de comunidades imigrantes, um securitarismo de razia, a continuação às avessas das guerras culturais, a velha tentação censória, o alinhamento com autocratas e governos autoritários. Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado".
Em sentido oposto, reconhecem em António José Seguro um percurso marcado pela moderação, pela dignidade institucional e pela rejeição do confronto agressivo.
"Assim sendo, os signatários, ainda que não-socialistas, votam e apelam ao voto em António José Seguro. Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos", reiteram.