Cotrim pede a Montenegro e à liderança do PSD para recuarem no apoio a Marques Mendes

14 jan, 10:46
Cotrim Figueiredo (Lusa)

Cotrim enviou carta a Montenegro a fazer este apelo

A quatro dias das eleições presidenciais, João Cotrim Figueiredo dirige um apelo direto líder do PSD: o candidato presidencial espera que Luís Montenegro deixe de apoiar Marques Mendes para apoiar o próprio Cotrim - que argumenta que a sua candidatura é a única capaz de impedir a chegada ao Palácio de Belém de um candidato do Partido Socialista ou do Chega. O PSD apoia formalmente Marques Mendes.

"Os últimos dias mostram - e os estudos de opinião confirmam - que estamos agora numa corrida a três para a segunda volta do sufrágio. Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República. Exorto-o a fazê-lo por estar certo de que, tal como eu, não deseja ver o candidato do Partido Socialista nem o candidato do Partido Chega no Palácio de Belém. A minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário", lê-se numa carta de Cotrim e à qual a CNN Portugal teve acesso.

Cotrim Figueiredo pede ao líder do PSD que recomende o voto do partido na candidatura do próprio Cotrim, argumentando que é a forma de evitar a dispersão de votos. O candidato afirma que esta posição é coerente com alertas recentes feitos pela liderança social-democrata sobre esse risco.

O líder liberal recorda ainda o apoio que deu, nas últimas eleições autárquicas, às candidaturas de Pedro Duarte no Porto e de Carlos Moedas em Lisboa, justificando essa decisão com o que considerou ser "o melhor para os municípios e para o país" - e apela agora à reciprocidade.

"Está na hora de tomar a decisão consequente com as suas próprias palavras. Nas eleições autárquicas do passado mês de outubro, não hesitei em apoiar as candidaturas de Pedro Duarte, no Porto, e de Carlos Moedas, em Lisboa. Fi-lo por acreditar que era o melhor para os dois municípios em apreço e para as respetivas populações. Fi-lo, portanto, por considerar tratar-se do melhor para Portugal. Confiei no PSD".

Cotrim Figueiredo alega que uma parte significativa dos eleitores e dirigentes do PSD já confia na sua candidatura e pede à liderança do partido que se junte a esse grupo. Defende que a decisão exige "coragem política".

O candidato sustenta que Portugal precisa de um Presidente "exigente, que colabore com o Governo na implementação das reformas urgentes de que o país precisa para ter um futuro melhor", reiterando o apelo final para que o PSD recomende o voto na sua candidatura como forma de afastar PS e Chega da Presidência da República.

Leia a carta na íntegra

Exmo. Sr. Presidente do Partido Social Democrata,
Caro Luís Montenegro,

Coimbra, 14 de janeiro de 2026

Estamos a quatro dias das eleições presidenciais. Os últimos dias mostram - e os estudos de opinião confirmam - que estamos agora numa corrida a três para a segunda volta do sufrágio.

Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República.

Exorto-o a fazê-lo por estar certo de que, tal como eu, não deseja ver o candidato do Partido Socialista nem o candidato do Partido Chega no Palácio de Belém. A minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário.

Como V. Exa. afirmou na passada semana, “não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta”. Não poderia estar mais de acordo consigo. Está na hora de tomar a decisão consequente com as suas próprias palavras. 

Nas eleições autárquicas do passado mês de outubro, não hesitei em apoiar as candidaturas de Pedro Duarte, no Porto, e de Carlos Moedas, em Lisboa. Fi-lo por acreditar que era o melhor para os dois municípios em apreço e para as respetivas populações. Fi-lo, portanto, por considerar tratar-se do melhor para Portugal. Confiei no PSD.

Estou consciente de que grande parte dos eleitores e dirigentes do PSD já confiam em mim. Peço-lhe que se junte a eles. Sei que mudar o sentido de uma decisão destas exige coragem, mas, como nos ensinou Francisco Sá Carneiro, “Primeiro o país, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um”.

Portugal precisa de um Presidente exigente, que colabore com o Governo na implementação das reformas urgentes de que o país precisa para ter um futuro melhor. Conte comigo. Eu conto consigo. Os portugueses contam connosco.

Termino como comecei. Se não quer o candidato do Chega ou o do PS como Presidente da República, apelo a que recomende o voto do PSD na minha candidatura.

Com os melhores cumprimentos,

João Cotrim Figueiredo

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